Todos os anos, 945 mil jovens terminam o ensino médio e encaram a frustração de ter de abandonar as salas de aula. São garotos e garotas sem nenhuma oportunidade de ingressar num curso superior, engrossando a massa dos mais de sete milhões de jovens de 18 a 24 anos já ¿excluídos¿ do sistema. Os dados são da Hoper Educacional, maior consultoria de mercado na área.

Em contrapartida, o Censo do Ensino Superior, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) de novembro de 2009, alertou para a ociosidade do mercado. Em todo o País, foram registradas 1.479.318 vagas não preenchidas em 2008.

No citado ano, havia 4.880.381 matriculados em todas as instituições de ensino superior do País, com um aumento de 4,4% sobre 2007. Mesmo assim, a taxa de escolarização superior não passa dos 15% da faixa etária entre os 18 e aos 24 anos de idade.

Os números ficam aquém da meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação de atingir 30%. O Brasil também continua em uma posição de desvantagem em relação aos outros países da América Latina. Considerando que a média de comprometimento de renda familiar com o ensino superior está em torno de 15% da renda, podemos concluir facilmente onde está o maior obstáculo para ampliação da inserção de alunos de menor poder aquisitivo no ensino superior, observa Ryon Braga, presidente da Hoper.

Para Marco de Luca, doutor na área de educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a marginalização dos jovens aumenta a desigualdade do País. Daqui a pouco, ter ensino fundamental e médio será irrelevante para o mercado. As exigências só crescem, afirma.

Estudo da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos (OCDE), divulgado em setembro do ano passado, confirma a tese: quem possui formação de nível superior no Brasil eleva em 100% sua renda mensal.

Setor privado

Ryon Braga explica que ao longo das últimas duas décadas, o setor privado foi adquirindo presença majoritária no ensino superior brasileiro devido, principalmente, à incapacidade do setor público de atender à demanda de estudantes de nível superior.

Atualmente, 75% dos alunos matriculados em faculdades, universidades e centros universitários estudam em instituições pagas. O ensino público oferece atualmente cerca de 350 mil vagas anuais, para atender a uma demanda anual de egressos do ensino médio de aproximadamente 2,1 milhões de jovens que terminaram o ensino médio regular mais os concluintes da Educação de Jovens e Adultos, conta Ryon.

O setor privado consegue, por sua vez, absorver parte desses excluídos, algo em torno de 825 mil ingressantes com idade inferior a 24 anos, que podem pagar a mensalidade. Ficam de fora cerca de 945 mil estudantes por ano.

Os motivos desse cenário pessimista são simples: nas atuais condições de mercado, o setor privado não tem como reduzir o valor médio das mensalidades, atualmente em torno dos R$ 457,00 e o setor público não quer e não consegue deixar de ser elitista, provoca o consultor.

Ele destaca que, atualmente, em média, um aluno de curso superior matriculado em uma universidade pública federal custa aos cofres públicos R$ 27.420,00 anualmente, o que representa cinco vezes mais o custo de um aluno matriculado no setor privado.

Para tentar rebater o problema, o MEC lançou em 2004 o Programa Universidade para Todos, o ProUni, que troca bolsas integrais e parciais em instituições privadas por isenção fiscal. No entanto, o ProUni foi responsável por apenas 5% da expansão.

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