Enquanto aulas na Universidade do Paraná não começam, superdotado de 13 anos escreve livro

O paranaense Guilherme Cardoso de Souza aprendeu a ler e escrever com apenas dois anos de idade. Aos 13 anos, ele foi aprovado em 1º lugar para o curso de bacharelado em química e é o aluno mais jovem a ingressar na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo |

 A menos de um mês do início das aulas, que começam no dia 2 de março, ele se diz tranquilo por estar acostumado a pular anos na escola. A única coisa que o deixa ansioso é o trote dado nos calouros. No colégio eu já estava com medo, mas acho que como o curso é pequeno o trote não deve ser tão violento, considera.

No dia da matrícula, Souza diz que conheceu a coordenadora do seu curso, que já o apresentou a alguns veteranos. Agora, estou mais tranquilo, afirma.

AE
Guilherme lê vários livros de química para escrever o seu

Sobre a prova da UFPR, o adolescente diz que não achou difícil e já esperava que fosse passar, mas não imaginava que seria em 1º lugar. Na primeira fase foram 80 questões objetivas. A prova foi cansativa e eu estava com medo da redação. Na 2ª fase foram 10 questões discursivas de química e acho que me saí melhor, conta. Sem condições de pagar uma universidade particular ou um cursinho preparatório, Souza diz que não tinha escolha: era passar ou passar.

O estudante iniciou o ensino fundamental em uma escola pública do Paraná aos sete anos, mas, identificado como superdotado, passou a pular séries ou fazer duas em um só ano. A 6ª série ele nem chegou a cursar, realizou apenas uma semana de provas e foi direto para a série seguinte. Aos 9 anos, foi beneficiado com uma bolsa integral do colégio Bom Jesus, onde cursou a 8ª série e o ensino médio.

Durante o intervalo entre as aulas da manhã e da tarde no colégio, o estudante tirava dúvidas dos demais alunos e dava aulas de reforço de química. Quando se formar, ele diz que quer levar a brincadeira a sério: Meu primeiro propósito é dar aula, se possível, no próprio Bom Jesus. Depois, posso pensar na área de pesquisa, mestrado e doutorado. Daí, só Deus sabe.

Enquanto as aulas na universidade não começam, Souza ocupa a maior parte do seu tempo com um projeto ambicioso: escrever um livro didático de química para alunos do ensino médio. Eu estou no 5º capítulo, vou fazer toda a parte teórica, depois, coloco os exercícios. Vai ter 106 capítulos, afirma.

Questionado se ele se considera um gênio, como muitas pessoas o apelidam, o adolescente é categórico: eu ainda não fiz nada notável para marcar a história.

Preocupação de mãe

Se a vida de um aluno superdotado não é fácil, a dos seus pais também não. Édina Lopes Cardoso, mãe de Souza, conta que teve dificuldades para encontrar uma escola que aceitasse o seu filho. Com dois anos ele nem sabia falar direito, mas já lia e escrevia. Quando fui tentar colocá-lo no pré-primário com cinco anos todos fechavam as portas, lamenta.

O jeito, segundo ela, foi matriculá-lo na escola, mas sem contar sobre o seu desenvolvimento intelectual acima do normal. No entanto, não demorou muito para que os professores notassem que o estudante era diferente dos demais. Na primeira semana ele corrigiu um erro da professora e ela me chamou para conversar e disse que ele não poderia ficar no 1º ano, diz. Moradora do bairro Sítio do Cercado, na periferia de Curitiba, Édina conta que não tinha dinheiro para matricular o filho em uma escola particular. Minha família é humilde. Tenho mais duas filhas, que, na época, ainda estavam na escola. Meu marido é motorista e eu faço bico vendendo crochê, mas a renda é pouca, afirma.

Com o apoio do Instituto para Otimização da Aprendizagem (INODAP) do Paraná, ela obteve laudos que comprovaram que Souza era superdotado. Com isso, pode acelerar os seus estudos. Hoje, prestes a ter o filho de 13 anos na universidade, ela não esconde a preocupação. Ele ainda é uma criança, nunca sai sozinho e quando sai comigo é de mão dada, afirma.

Zelosa, Édina diz que irá levar e buscar o filho na universidade na primeira semana de aula e também, se possível, acompanhar o trote. Tudo pela segurança do caçula. Ele saiu em vários jornais, ficou conhecido, mas para a gente nada mudou, as dificuldades são as mesmas. Não quero que ele vire uma celebridade, afirma. 

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