Muito estudo e a especialização em mais de uma área. O futuro da Engenharia não é muito diferente do de outras profissões. Deve imperar uma tendência mais generalista durante a graduação, ou seja, as especializações ficam para a pós. A avaliação é do vice-diretor da Escola Politécnica da USP, professor José Roberto Cardoso.

Ele afirma que o engenheiro de hoje tem que sentir que a graduação não é um curso terminal. Para produzir uma inovação, é mais vantajoso que o engenheiro tenha uma formação em várias áreas. Aí, com o pensamento concatenado, consegue fazer uma tecnologia diferente. O processo é multidisciplinar. Quem tem mais informações sobre outras áreas é quem vai ter a liderança do projeto.

O professor avalia que a grande exigência de mão-de-obra virá da nanotecnologia, que é a área da engenharia responsável por manipular átomos. Hoje, este setor já é responsável, por exemplo, pela produção de embalagens plásticas e de equipamentos para medicina.

Já o pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo, Mário Miyaki, pensa que a área de energia é estratégica no momento: não só pelo petróleo, em que a Petrobras tem carência de profissionais. No Brasil, ganham muita força os biocombustíveis e as energias novas, como eólica e solar. O professor José Roberto Cardoso avalia que os estudantes ainda não enxergaram a importância desse setor no futuro, mas pensa que há uma tendência de expansão da área de energia.

Ele aponta também que não é preciso preocupar-se com as engenharias tradicionais: elas nunca serão extintas, pois são fundamentais para a infra-estrutura. O que se observa é que o engenheiro vai ser dotado de técnicas diferentes, mais voltadas para a gestão: como fazer um projeto mais rápido, como administrar a própria empresa. Tudo isso será passado aos engenheiros que vão trabalhar com as engenharias mais tradicionais. É o engenheiro das antigas, mas turbinado, afirma.

O pesquisador Mário Miyaki chama a atenção para um ponto importante: o déficit na formação de engenheiros. Até três anos atrás, a carreira estava desvalorizada. Mas com obras, crescimento, você volta a ter necessidade. Então, vai demorar algum tempo para fazer a reposição de recursos humanos. O vice-diretor da Poli concorda. José Roberto Cardoso lembra que são formados em todo o Brasil 25 mil engenheiros ao ano, para uma necessidade nas próximas décadas de 250 mil profissionais.

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