Vida de estudante: chuva, trânsito, 90 questões e gabarito errado

Quase dez anos depois de prestar o Enem pela primeira vez, repórter do iG encara a prova novamente

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

Quem prestou somente o antigo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), entre 1998 e 2008, imagina que a prova seja um bicho de sete cabeças. Na versão anterior eram 63 questões aplicadas em um dia. Agora o exame tem 180 testes, aplicados em dois dias, engloba um número maior de disciplinas e se transformou na maior porta de entrada do ensino superior brasileiro.

Para entender melhor essa prova, que tem 4,6 milhões de inscritos, a reportagem do iG encarou o desafio de voltar a uma carteira de estudante. Passada a ansiedade da véspera e as primeiras 90 questões (ufa!), vi que o Enem não é nenhum monstro. Mas também está longe de ser uma prova baseada apenas em interpretação de texto. Muita coisa mudou. Além do número maior de questões, agora fórmulas, equações e conteúdos mais pontuais são cobrados.

Chuva e trânsito

O meu local de prova, as Faculdades Integradas Rio Branco, em São Paulo, fica a cerca de 12 quilômetros da redação do iG. A previsão de chegada de ônibus, segundo o Google Maps , seria de 45 minutos. Saímos às 11h do iG, eu e o fotógrafo Flávio Torres, debaixo de chuva. Após dez minutinhos de espera, o ônibus indicado pelo Google e pelo site da São Paulo Transportes (SPTrans) passou. Lá dentro, vários estudantes com o mesmo destino: Enem 2010.

Reprodução/Google Maps
Trajeto percorrido pela reportagem do iG para chegar ao local de prova do Enem
Alguns aproveitavam o trajeto para cochilar, estudar mais um pouco ou bater papo, como as estudantes Pâmela Leite, de 18 anos, e Aparecida Cardoso, de 41 anos. As duas se conhecem porque Pâmela é amiga do filho de Aparecida. Apesar da diferença de idade, os planos são os mesmos, ingressar no ensino superior. Pâmela almeja uma bolsa do ProUni para cursar arquitetura em uma faculdade particular, já Aparecida quer fazer administração em uma instituição pública. “Essa é a segunda condução que pegamos. A viagem começou às 10h30”, reclama Aparecida.

Ônibus cheio, chuva, congestionamento e a tensão aumentando com a proximidade das 13h. O trânsito melhora e chegamos às 12h15, a tempo de tomar um caldo de cana e procurar a sala de prova com calma. Entro às 12h45, dez minutos antes de fecharem os portões.

A prova

“Caneta azul pode usar, mas fica a critério do candidato. Pode ser que o leitor ótico não leia corretamente”, avisam os fiscais. Relógios estão proibidos, mas celulares e aparelhos podem ficar desligados e embaixo das carteiras. Nenhuma grande restrição foi imposta aos estudantes que faziam prova comigo nas Faculdades Integradas Rio Branco.

Passados dez minutos de prova, um susto. “Atenção pessoal, verifiquem o Cartão-Resposta de vocês. Confiram a ordem das provas.” Eu, que já estava respondendo direto no cartão, gelei ao ver que estava respondendo as perguntas de Ciências Humanas no campo da prova de Ciências da Natureza. “Não se preocupem, foi um erro da gráfica, se atentem apenas ao número das questões. Tanta frescura para escolher a gráfica e ainda acontece isso”, disse o fiscal da organização do Enem. Risos tensos. Vamos em frente.

Para mim, a prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias estava mais fácil. Repleta de textos interessantes de grandes pensadores como Nicolau Maquiavel, o filósofo Michel Foucault, o dramaturgo Bertolt Brecht e os historiadores Eric Hobsbawm e Nicolau Sevcenko resgatou com mais facilidade os conhecimentos do ensino médio. Já a prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias exigia um conhecimento mais afiado de química, física e biologia – disciplinas que há tempos não estudo. Muitas questões traziam equações, fórmulas e exigiam um conteúdo mais específico – impressão compartilhada com outros estudantes .

O primeiro dia foi puxado. E ainda faltam mais 90 questões de Português, Matemática, Língua Estrangeira e uma Redação. Sim, é uma maratona e tanto.

Veja como foi o 2º dia: tempo para responder as questões e elaborar uma redação é insuficiente

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