"Vamos ter que enfrentar bandido", diz Haddad sobre fraude no Enem

Na Câmara dos Deputados, ministro defende processo seletivo e alfineta OAB, jornalista e professor de cursinho

iG São Paulo |

O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse na Câmara dos Deputados que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sempre vai enfrentar fraudes. Ao defender o teste que apresentou falhas ele citou erros no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e no teste americano SAT e criticou "jornalistas e professores de cursinho".

haddad, camara
Haddad fala agora na Câmara dos Deputados
"Nós vamos ter que enfrentar bandido? Vamos ter que enfrentar", afirmou o Haddad em relação as fraudes identificadas em 2011, quando 13 questões da prova foram adiantadas em um simulado no Colégio Christus, em Fortaleza. Para exemplificar como os testes são passíveis de fraudes ele citou uma investigação da Polícia Federal. "Convido vocês a lerem o relatório da Operação Tormenta que dá conta do número de exames da Ordem (dos Advogados do Brasil) fraudados nos últimos anos", disse.

Haddad também fez menção a informações sobre a prova veiculadas pela imprensa por meio de pessoas que se inscrevem como candidatos e burlam a segurança.

"Não se iludam, vão continuar ocorrendo jornalistas que se fazem passar por estudantes, professores de cursinho que se fazem passar por educadores, mas não é educador. Que se dê outro nome, mas não é educador", afirmou.

O deputado Duarte Nogueira, do PSDB, criticou a postura do ministro. "Dizer que outros também erram e que sempre vai haver erros, não é argumento", afirmou, acrescentando a pergunta: "Quantos erros o Enem vai ter no ano que vem?". A pergunta não foi respondida.

Deputado Antonio Imbassahy (PSDB), aproveita a presença do ministro para perguntar: "O ministro Lupi foi acusado de receber diárias pagas. Também é do conhecimento público que vossa excelência tem estado em São Paulo, militando pelo partido. Você tem recebido diárias? Teve suas viagens pagas com dinheiro público?"

Haddad respondeu durante as considerações finais. "Tenho ido a São Paulo de carona outros ministros e deputados que voltam à base. Realizei atividades sexta à noite, sábado à tarde e domingos durante 11 semanas, mesmo quando tinha atividades do ministério, eu nunca recebi verba do ministério para diária. Até porque tenho residência lá, meu filho mora em São Paulo há 4 anos."

Último a perguntar, o deputado Otávio Leite (PSDB), falou sobre o pré-teste. "Muita gente, como eu, nem sabia que existia. Me parece uma caixa preta. Se houve um vazamento, o que nos garante que não possa ter acontecido em outros lugares?". O deputado também sugeriu que a prova fosse impressa na hora em cada local, para evitar custo de logística.

Haddad diz que a operação de logística "é a que menos preocupa neste momento". "Nós já aprendemos a ter mais segurança em produção e logística. Nosso maior problema hoje é o pré-teste e o elemento humano." Ele conclui dizendo que soube que um dos consultores do Enem também foi contratado pelo SAT, o equivalente americano.

Também houve várias manifestações de apoio ao Enem dos deputados da base aliada. 


    Leia tudo sobre: haddadenem

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG