“Só se eu pular o muro”, diz candidata atrasada 23 minutos no Enem

Problema no joelho é a justificativa de duas das cinco pessoas que chegaram após o horário na Uni-Rio, que teve erro na divulgação do endereço

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Fabrizia Granatieri
Catarina (mão no rosto) e Carina chegam atrasadas à prova, vindas da Rocinha
A reação de candidatos atrasados para a prova do Enem na Uni-Rio, onde os cartões de informações dos candidatos tinham endereço errado , variou do choro e frustração ao riso nervoso e xingamentos.

Leia também: Erro no endereço do local de prova não causou atrasos no Rio

Uma candidata que chegou atrasada 23 minutos e não quis se identificar praguejou muito após ver os portões fechados e ser impedida de entrar.

Ela externou sua irritação aos palavrões ao telefone. "Que m... Está tudo fechado!... Só se eu pular o muro!", reclamou com o interlocutor, irritada. "Não sei por que eu fui nascer no Brasil!"

Nervosa, ela buscava inutilmente uma maneira de entrar na Uni-Rio, apesar do horário.

As irmãs Catarina e Carina Luca, 24 e 22, estavam inconsoláveis por terem chegado seis minutos atrasadas, caminhando, nervosas. "Ai, meu Deus, caramba! Que droga! Ai, meu Deus!", dizia Catarina, chorando, ao se dar conta de que o portão estava fechado e que não poderia fazer a prova.

As duas foram da Rocinha até lá de ônibus (cerca de 11 km de percurso) e saíram de casa às 12h. Elas saltaram longe e cogitaram pegar um táxi, mas decidiram seguir a pé. Não deu tempo.

Joelho é explicação para dois atrasos

Fabrizia Granatieri
Carlos chega atrasado um minuto ao Enem e perde a prova. Ele atribuiu a demora a um problema no joelho e ao trânsito
Dois candidatos deram, curiosamente, a mesma explicação para o atraso: problema no joelho e dificuldade de locomoção por isso.

O eletrotécnico e aspirante a engenheiro Carlos Alberto Figueiredo, 54 anos, foi o primeiro candidato a chegar após o horário permitido, apenas um minuto depois do fechamento dos portões.

Ele atribuiu o atraso a um problema no joelho, que lhe dificulta a locomoção. Cercado por repórteres, pareceu demorar a entender que não entraria, mas manteve-se calmo.

Ele disse ter saído às 11:55 do Leblon, a 9 km do local, e ter enfrentado trânsito na Lagoa, onde teria ocorrido um escapamento de gás, que causou engarrafamento. Ele saltou do ônibus a cerca de 1km do lugar da prova. "Estou com problema de saúde e foi difícil caminhar até aqui. Saltei longe e não sabia exatamente onde era", disse.

Um furúnculo também no joelho esquerdo foi também a justificativa de César Coimbra, 22, para chegar à Uni-Rio após as 13h. Com um riso nervoso, explicou que, mesmo com o ferimento purulento na perna, achou que conseguiria fazer em 20 minutos um percurso de cerca de 3km, de sua casa, em Copacabana, até a Urca.

"Já andei até de Copacabana até o Engenho Novo (bairro na zona norte do Rio), em 3h30, estou acostumado. Mas não contava que sentiria dor e que dificultaria a caminhada", afirmou César, que pretendia estudar Arquitetura.

Na Uerj estudantes culpam trânsito

O estudante Carlos Henrique Monteiro, de 22 anos, chegou 10 minutos atrasado e encontrou os portões da Uerj, na zona norte do Rio de Janeiro, fechados. “Saí de casa com quase duas horas de antecedência e, mesmo assim, cheguei atrasado. Peguei muito trânsito na altura de Bonsucesso. Lá também teve universidade que sediou o Enem”, lamentou o estudante, que amanhã tentará fazer a prova. Acompanhado de outros amigos que não quiseram dar entrevista com medo dos pais descobrirem o atraso, Carlos Henrique iria prestar vestibular para Biologia.

Ivone Perez
Carlos Henrique Monteiro saiu com duas horas de antecedência, mas mesmo assim chegou atrasado

    Leia tudo sobre: EnempularmuroUni-Rioatrasada23 minutos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG