Réus do caso Enem serão ouvidos pela Justiça somente em novembro

Depoimentos foram adiados após promotoria pedir quebra de sigilo telefônico dos cinco acusados por vazamento de prova

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

A Justiça Federal adiou para 12 de novembro o depoimento dos cinco réus envolvidos no vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcado anteriormente para esta quinta-feira, dia 23. A decisão foi tomada na tarde desta quarta-feira, dia 22, pelo juiz federal substituto Márcio Rached Milani, após audiência realizada no Fórum Federal Criminal, em São Paulo. Nesta quarta, cinco testemunhas de defesa no caso foram ouvidas durante duas horas.

Marina Morena Costa, iG São Paulo
Audiência sobre o vazamento do Enem ocorreu no Fórum Federal Criminal em São Paulo
A defesa dos réus, em conjunto, pediu o adiamento dos depoimentos após a promotoria solicitar a quebra do sigilo telefônico dos envolvidos no furto da prova. Os réus no processo são Felipe Pradella, considerado o mentor do vazamento, Filipe Ribeiro Barbosa, Gregory Camillo Craid, Luciano Rodrigues e Marcelo Sena Freitas.

Luiz Bezinelli, advogado de Luciano Rodrigues, afirmou na saída da audiência que aprova o pedido da Promotoria. “Aplaudi, gostei muito do pedido do Ministério Público e insisto nessa prova”, declarou. Para o advogado, a audiência de hoje não acrescentou nada que possa mudar o rumo do processo.

Ralfi Rafael da Silva, advogado do DJ Gregory Camillo Craid, reclamou do assédio da imprensa contra seu cliente, que tem sido abordado em festas e em casas noturnas onde trabalha. “O processo está correndo sobre controle. Não houve vazamento realmente, em momento algum, porque quem teve acesso à prova não iria prestar (o Enem)”, afirmou.

Bezinelli também segue a linha de que houve apenas um furto e não o vazamento da prova do Enem. "Fica cada vez mais claro pelos depoimentos que realmente houve um furto de uma gráfica, mas não houve vazamento de prova. Porque a prova não foi para nenhum estudante, ninguém teve conhecimento. Se a prova tivesse sido realizada, nenhum candidato teria conhecimento de nenhuma questão. A prova foi tirada do seu local, mas não foi nem vendida, nem divulgada, nem o gabarito foi passado", defende.

O Ministério Público Federal não comentou o adiamento da audiência e suas causas, pois não se manifesta sobre "provas em produção", ou seja depoimentos, audiências e solicitação de informações. O caso corre em segredo de justiça.

O caso

Pradella, Freitas e Barbosa eram funcionários temporários da Cetros - integrante do Consórcio Nacional de Avaliação e Seleção, que organiza o Enem - e estavam lotados na gráfica que imprimiu as provas. Camillo, DJ, e Rodrigues, dono de uma pizzaria, agiram como intermediários na tentativa de venda da prova para dois jornalistas do jornal O Estado de S.Paulo.

O vazamento do exame veio à tona após dois homens tentarem vender a prova por R$ 500 mil ao jornal.  A reportagem avisou o Ministério da Educação (MEC), e o Enem, que ocorreria em outubro, foi adiado para dezembro, prejudicando 4 milhões de candidatos em 1,8 mil cidades do País.

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