Prova do segundo dia exige resistência dos candidatos

Reportagem do iG achou insuficiente o tempo para responder as questões e elaborar uma redação

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

O segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em São Paulo começou com sol forte e céu azul. Bem diferente da tempestade que caiu no sábado, dando um ânimo a mais aos estudantes para enfrentar a prova mais cansativa do exame. “No ano passado não consegui terminar a prova. Então priorize a redação e as questões que achar mais fáceis”, aconselhava à reportagem do iG a estudante Mariana Cardoso, de 20 anos, na entrada das Faculdades Integradas Rio Branco, em São Paulo.

Alvo de críticas dos estudantes, a prova do segundo dia do Enem exige interpretação de texto, cálculos e a elaboração de um texto dissertativo de 30 linhas. Continuando a experiência iniciada no sábado , a reportagem prestou o Enem 2010 para entender melhor o exame. E, realmente, segunda prova é um teste de resistência.

Após cinco horas e meia, deixei o local de prova faminta, com dor de cabeça e extremamente cansada. E olha que para mim o Enem não tinha o peso de ser a maior porta de entrada para o ensino superior. Era apenas uma reportagem.

A prova

Neste ano, a prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (que engloba as disciplinas de português, língua estrangeira e artes) teve textos menores do que os aplicados em 2009. Mas somada à Matemática e suas Tecnologias (álgebra e geometria) e à Redação, a prova se transforma em um calhamaço de 30 páginas que parece não ter fim. As candidatas da minha sala de provas – todas mulheres e todas chamadas Marina – suspiravam, se alongavam e devoravam chocolates e barrinhas de cereal. Até as saídas ao banheiro diminuíram neste segundo dia.

Às 18h15, faltando apenas 15 minutos para o término das provas, apenas cinco das 30 candidatas haviam deixado a sala. Por ter priorizado as questões de Linguagens e a Redação, não consegui concluir a tempo a prova de Matemática. Aflita, “chutei” cerca de dez questões sem nem olhar o enunciado.

Na saída, estudantes exaustos comentavam ter feito o mesmo. Maria Rita Ferreira, de 19 anos, lamentava não ter concluído com cuidado a Redação. “Fiz uma conclusão vergonhosa. Não deu tempo. E ainda rasurei muito, porque sempre escrevo a lápis e depois passo a tinta, mas neste ano não podia”, disse. Nesta edição do exame, o Ministério da Educação proibiu o uso de lápis, lapiseiras e borrachas na prova.

Segurança

Neste domingo, um jornalista do jornal do Commercio de Recife vazou o tema da redação do Enem. Com um celular, enviou uma mensagem de texto aos colegas informando que a redação exigia um texto dissertativo sobre “O Trabalho na Construção da Dignidade Humana”.

Em São Paulo, também seria possível entrar no banheiro com um celular. Na escola onde fiz a prova, os fiscais acompanhavam os candidatos até a porta de entrada e não questionavam se o estudante estava ou não portando algum equipamento proibido.

Na sala de prova, mochilas, cadernos e itens pessoais puderam ficar embaixo das carteiras e não em um local separado dos estudantes ou à frente, próximo à lousa. No entanto, nenhum incidente mais grave foi registrado.

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