Protesto “Enemganados” pede anulação de questões antecipadas

Cerca de 300 alunos fizeram passeata em até a sede do MPF no Ceará. Cartazes pediam que Haddad deixasse o Ministério da Educação

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

Cerca de 300 estudantes realizaram um protesto em Fortaleza na tarde desta sexta-feira pedindo a anulação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A maioria dos manifestantes era formada de alunos de escolas particulares tradicionais da cidade. Eles não concordam com a decisão do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) de invalidar as provas dos 639 alunos do Colégio Crhistus e permitir que refaçam o exame dentro de um mês.

Daniel Aderaldo/iG
Passeata percorreu 12 quarteirões em Fortaleza

Os manifestantes se encontraram na Praça da Imprensa, no bairro Dionísio Torres – área nobre da cidade onde estão concentradas as sedes das emissoras de televisão locais – e caminharam por 12 quarteirões até a sede do Ministério Público Federal no Ceará. Os estudantes querem que o Ministério da Educação (MEC) anule as questões do Enem que foram antecipadas pelo Chritus ou invalide todo o exame nacionalmente, como defende o procurador da República, Oscar Costa Filho .


A maior parte dos estudantes que participaram do protesto em Fortaleza eram alunos das escolas particulares Farias Brito e Ari de Sá. Há décadas essas instituições de ensino disputam com o Colégio Christus as melhores colocações e maiores índices de aprovação nas universidades pública locais. Eles protestaram com faixas dizendo que o Enem foi fraudado e com gritos e cartazes exigindo que o ministro Haddad deixe a pasta.

Concorrentes do Christus

Pelo menos 150 alunos do Ari de Sá participaram da manifestação. Entre eles, estava também o estudante Lucas Dias, 18 anos. Ele concorre por uma vaga no curso de Engenharia de Produção da Universidade Federal do Ceará (UFC). Lucas fez parte de uma comissão formada por alunos e professores recebida nesta tarde pelo procurador da República que briga contra o Inep. Eles entregaram um requerimento defendendo a anulação somente das 14 questões adiantadas e criticando a "fragilidade" no processo de aplicação do pré-teste - de onde supostamente as questões foram copiadas.

Também estudante do Ari de Sá, Layane Gadelha, 17 anos, prefere a anulação das questões. “Os alunos do Christus vão ser beneficiados mais uma vez. As provas serviram como um treino. Eles ganharam experiência”. Ela acertou 128 questões e pretende ingressar no curso de Engenharia Civil da UFC.

O estudante de 3º ano do Colégio Ari de Sá, Aldenísio Amorim, 17 anos, deixou o município de Iguatu (a 380 quilômetros de Fortaleza) há um ano para buscar uma melhor preparação para o Enem. Ele se sente prejudicado com a decisão do Inep de invalidar somente às provas dos alunos do Cristus. "Eu acho que tem que anular o Enem para que todos façam a prova novamente em pé de igualdade. Não sabemos quem mais estudou por essas apostilas". Ele acertou 120 questões do exame e pretende ingressar no curso de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC) - um dos mais concorridos no Estado.

Alunos com prova cancelada

Alunos do Christus também compareceram ao ato. Três estudantes do colégio também apoiavam a anulação apenas das questões antecipadas. Carol Carneiro, 17 anos, se prepara para o curso de Farmácia da UFC. Ela teve acesso ao material didático que continha as questões antecipadas, mas só chegou a consultá-las depois do primeiro dia de prova. “Quando soube que questões da apostila caíram na primeira prova, aí eu fui estudar o material”, contou. Ao todo, ela acertou 130 questões. Segundo ela, duas graças a consulta de última hora.

Depois que questões da apostila caíram no primeira dia de prova, aí eu fui estudar o material” (Carol Carneiro, aluna do Colégio Christus)


A estudante Lorena Siqueira, 17 anos, disse ao iG que não teve acesso às questões. Ela explicou que nas duas últimas semanas de preparação para as provas o material distribuído pelo colégio era muito grande e ela recusou a apostila com as questões, pois considerava que as que já tinham eram suficientes. “A gente já tinha muita coisa para estudar”. Ela se sente injustiçada por ter a prova cancelada e ser obrigada a fazer outra, caso queira ingressar no curso de Direito da UFC. Lorena acertou 140 questões.

Veja também: Cenas e histórias do Enem 2011

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