Professores do Cursinho da Poli defendem anulação de questões

Gabarito dos docentes não bate com o oficial em sete itens. Para Poli, questões ambíguas dão margem a diferentes interpretações

iG Brasília |

Depois de o Tribunal Regional Federal da 5ª Região derrubar a decisão da Justiça do Ceará que suspendeu o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Ministério da Educação divulgou os gabaritos oficiais das provas. Professores do Cursinho da Poli, que havia corrigido e comentado as questões no iG , discordaram de algumas respostas dadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e defendem a anulação de itens ambíguos.

Ao todo, as respostas dadas pelos professores do cursinho não batem com as oficiais em sete itens. No item número 20 da Prova Branca do sábado, a resposta oficial é A. Para a Poli, no entanto, a definição de patrimônio histórico representado pelas ruínas do povoado de Canudos, alvo do item, na alternativa oficial restringe os conceitos. Especialmente no que diz respeito a “objetos paisagísticos”. Segundo ele, a resposta D oferece representação mais ampla.

Outra questão divergente, também da Prova Branca, é de número 26. Segundo o Inep, a alternativa correta é a C. Mas, para os professores da Poli, o golpe de Estado com o qual se estabeleceu a República no Brasil foi um movimento sem nenhuma raiz popular e não “poucas” como diz o gabarito oficial. “O movimento foi decidido nas altas cúpulas militar e de latifundiários da produção de café”, afirmam os responsáveis pela área. A resposta mais adequada, para eles, é a alternativa D, cujo teor se refere a um universo simbólico, assim como o enunciado da questão, em que é construída uma semelhança física entre Cristo e Tiradentes para tentar dar apelo popular ao regime instaurado.

Na sequência, os docentes do cursinho consideram a alternativa D oferecia como resposta à questão 33 da Prova Branca como “demasiadamente genérica e insuficiente para explicar a especificidade da manifestação artística analisada na questão”, um fragmento da música “Opinião”, do compositor Zé Ketti. A alternativa C - “crítica à passividade dos setores populares” - mostra o interior dos versos e o contexto histórico da música, segundo eles, que ressaltam o fato de, em 1964, não haver ainda luta armada contra o regime ou mobilização social contra a ditadura para mostrar que os versos são “indicativos da passividade alienada atribuída pelo autor aos setores populares”.

Anulações

Os docentes sugerem a anulação de alguns itens, como o 53, Prova Branca. Segundo o cursinho, há mais de uma alternativa correta. Os professores afirmam que o carbono resultante do processo de decomposição é enviado para a atmosfera e não enriquece a terra como diz o trecho do poema utilizado no item. Além disso, dizem que as outras respostas geram dúvidas entre os elementos nitrogênio e fósforo. “Ambos, por meio da decomposição da matéria orgânica, originarão íons que serão absorvidos (nas formas de nitrato e fosfato) pelas plantas do próprio solo, alimentando-as”.

Na prova de espanhol, do domingo (azul), o item 92 abre margens para mais de uma interpretação, de acordo com os professores do cursinho. “O enunciado leva o aluno a considerar as alternativas A e D como corretas, o que compromete a objetividade, e deveria ser anulada”, ressalta o professor André Valente, que considera a melhor resposta a A, ao contrário do Inep.

Outro item que merece ser anulado pelo Inep na opinião dos professores do Poli é a 114 da prova Azul, do domingo. Eles explicam que enunciados e alternativas fazem uso impreciso de terminologias, dando margens a diferentes leituras e respostas para a pergunta sobre o posicionamento do autor do texto colocado na prova sobre comportamentos humanos.

A resposta considerada correta no gabarito oficial, a B, segundo eles, é “leviana e falta-lhe exatidão, precisão, coerência” e não expõe de fato a opinião do autor. Eles reafirmam julgar a alternativa E como certa, porque diz que o texto "questiona" a existência de comportamentos culturais marcados por heranças de períodos históricos.

Por fim, o cursinho discorda da alternativa oficial para a questão 117 (prova azul de domingo) e também recomendam a anulação do item. Eles alegam que a alternativa B, oficial, não retrata o que dizem os versos e confirmam que a resposta “mais aceitável” é a letra A.

    Leia tudo sobre: educaçãoenemgabaritospoli

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG