Professora vazou tema de redação do Enem para filho

Polícia Federal indicia um casal na Bahia por vazamento e investiga outros casos. MEC cancela a prova dos envolvidos no caso

iG São Paulo |

Após investigações em Juazeiro (BA), a Polícia Federal concluiu que uma professora de Remanso (BA), que aplicou a prova no Colégio Ruy Barbosa, teve acesso ao texto que baseou a prova de redação e vazou o tema para o filho, que avisou professores e colegas. Ela abriu um caderno de questões destinado a deficientes visuais duas horas antes do início das provas. 

Ivan Cruz/AE
Histórico de internet mostra que pai de aluno pesquisou tema de redação do Enem antes da prova
Em depoimento, segundo a PF, a professora afirmou que, após folhear rapidamente o caderno, telefonou da escola para a casa de sua sogra e falou com o marido, repassando-lhe o tema que havia visto: "O Trabalho e Escravidão". Era o título de um texto motivador da redação. O tema era "O Trabalho na Construção da Dignidade Humana".

A investigação da PF diz que, após receber a informação, o marido da professora pesquisou sobre o tema na internet e ligou para o filho, em Petrolina (PE), contando sobre o vazamento, mas sem especificar a fonte da informação. O estudante, por sua vez, consultou seus professores de redação a respeito de como escrever sobre o assunto. 

A denúncia foi feita à polícia por um desses professores. A PF disse que a professora e o marido confessaram e foram indiciados por violação de sigilo funcional (previsto no Artigo 325 do Código Penal, com pena que pode chegar a 6 anos de reclusão). O filho do casal teve a prova cancelada.

O Ministério da Educação (MEC) descarta a possibilidade do vazamento na Bahia influenciar o exame. "Esse caso está restrito a um estudante, que foi eliminado automaticamente do exame. Ele foi informado do título de um dos textos de apoio para redação, cujo título era 'O que é o trabalho escravo?', que não era o tema da redação. O sigilo do tema foi mantido", afirma o ministério. Para o MEC a condução do processo cabe à PF.

A investigação da PF levou 10 dias e por meio de quebra do sigilo telefônico a PF descobriu o crime. O inquérito foi encaminhado à Justiça Federal em Juazeiro. No ano passado, o vazamento da prova do Enem causou o cancelamento do exame.

Ministério Público

O procurador da República no Ceará Oscar Costa Filho afirma que irá pedir uma cópia do inquérito da PF para incluir o caso na ação pública contra o Enem que ele conduz. "É mais um elemento em favor da nossa ação, no que diz respeito ao fator segurança da aplicação do exame", diz.

De acordo com o procurador, o MEC tenta "transformar problemas sistêmicos em pontuais". Oscar Filho também contesta a decisão do ministério de reaplicar a prova somente a 2.817 estudantes que tiveram problemas com o caderno amarelo. "A verdade é que eles não têm como saber quantas pessoas foram prejudicadas (por problemas com a prova amarela e com o gabarito que estava com o cabeçalho invertido). Esse é um ponto mínimo que deveria ser contemplado. E a solução adotada é juridicamente obscena", afirma.

* Com informações das Agências Estado e Brasil

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