PF investiga em sigilo simulado com questões antecipadas do Enem

Inquérito foi instaurado, mas detalhes não serão divulgados. PF apura como colégio Christus obteve as questões

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

A Polícia Federal iniciou a investigação do suposto vazamento de questões aplicadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2011. O inquérito policial apura, em sigilo, a suspeita de que o colégio e cursinho pré-vestibular Christus – um dos principais grupos educacionais do Ceará – distribuiu aos seus alunos apostilas com questões idênticas ou muito parecidas às do Enem.

Por meio de nota, a superintendência da PF no Ceará informou nesta quinta-feira (27) que já instaurou inquérito e que “em observância aos princípios e garantias constitucionais, não prestará detalhes da investigação em andamento”.

A direção do colégio sob suspeita nega que tenha tido contato prévio com a prova em si, mas admite que seu banco de questões pode ser integrado também por questões provenientes de sugestões dos alunos que realizaram o pré-teste do Enem . Com base nessa declaração da instituição de ensino, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) cancelou as provas de todos os 639 estudantes do Christus .

As questões do Enem que apareceram em um simulado do Colégio Christus, em Fortaleza faziam parte do pré-teste feito em 2010 para medir a dificuldade das perguntas antes de usá-las em edições futuras da prova. Participaram deste processo 100 mil alunos que então cursavam o último ano do ensino médio em 40 cidades.

Diante da decisão do Inep de invalidar apenas as provas dos alunos do Christus o procurador do Ministério Público Federal no Ceará, Oscar Costa Filho, avisou que irá ingressar com ação civil pública na Justiça Federal para anular as questões às quais os estudantes tiveram acesso antes do exame deste fim de semana ou todo exame em âmbito nacional.

Também por nota, a direção do Colégio Christus se pronunciou sobre a decisão do Inep de anular a prova de seus 639 alunos que fizeram a prova, afirmando que a medida é “desconectada da solução do problema”, submetendo o colégio e seus alunos, “que não cometeram qualquer ilícito, a uma ilegal penalidade, em manifesto prejuízo, aí sim, à isonomia, uma vez que as notícias correntes dão conta de que a divulgação das questões chegou ao domínio público”. O texto defende ainda a anulação apenas das questões que vazaram , e “não com a efetivação de outro exame, o que, além de tudo o mais, representaria intolerável dispêndio de recursos públicos, sem nenhum respaldo legal”.

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