Para docentes que fizeram correção, novo Enem foi mais "seletivo"

Equipe que fez correção comentada da prova original e da substituta acha que a nova exigia mais. As duas deveriam ser equivalentes

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

Os alunos que refizeram nesta quarta-feira o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), após falhas na primeira prova em novembro, encontraram uma prova que exigia mais conhecimento e conteúdos diversificados. A opinião é dos professores do Colégio Ari de Sá Cavalcante, de Fortaleza, no Ceará, que corrigiram todas as questões de ambos. O Ministério da Educação (MEC) garante que os testes tinham dificuldade equivalente.

A equipe de docentes e autores de livros didáticos cearense achou a prova substituta “melhor” e “mais bem elaborada” e, embora prefiram esse modelo, concordam que estava mais difícil. Cerca de 9,5 mil alunos que receberam provas com falha de impressão em novembro foram chamados a refazer o teste e receberão nota sobre esta nova prova.

“Eu queria que os meus alunos tivessem sido submetidos a esta prova. Ela seleciona melhor quem tem conteúdo”, disse um dos professores de física que avaliou o teste, Vasco Vieira de Vasconcelos. “A primeira prova era acessível demais, muitos alunos acertaram todas. Não é que a última estivesse difícil, mas cobrava conteúdos que devem ser vistos no Ensino Médio e a outra muito pouco.”

Na equipe de biologia, a reação foi a mesma. “Os alunos criaram um mito de que bastava interpretar textos no Enem, a prova de ontem desmistificou isso”, comentou Raimundo Gurgel Filho. Para ele, a prova estava melhor e mais difícil ao exigir conteúdos específicos. “Não trouxe grande dificuldade, mas havia uma cobrança média que a outra deixou a desejar”.

O professor de história, Carlos David Costa Sousa, concorda que a prova era mais abrangente, mas para ele isso facilitava para os alunos. “A prova anterior enfatizava a história do Brasil, esta nova também trabalha história do Brasil, mas fizeram uma divisão mais equilibrada, com história geral, tanto antiga quanto contemporâneo”, disse. Segundo ele, ao contrário da primeira prova, a substituta de Ciências Humanas teve muito mais questões de história (29) do que de geografia (16).

Veja a correção comentada da prova feita pelo colégio Ari de Sá aqui .

Correção deve levar em conta dificuldade

Segundo o Ministério da Educação o Enem é aplicado com uma ferramenta que leva em conta a dificuldade de cada questão na hora de ponderar a nota. O sistema chamado Teoria da Resposta ao Item (TRI) é usado internacionalmente para garantir que candidatos que prestam provas diferentes de um mesmo exame tenham as mesmas chances. Antes dos problemas no Enem deste ano, no entanto, o governo dizia que ainda estava compondo banco de dados para aplicar o TRI no exame.


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