Pais indignados querem anulação do Enem, candidatos exaustos, não

Muito cansados após responder 180 questões e fazer uma redação em dois dias de prova, alunos não querem repetir trabalho

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

A notícia de que o Ministério Público Federal estuda entrar com ação para anular o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) , por causa das falhas, criou dois grupos com opiniões contrárias. Muitos pais, indignados com a “incompetência” e “falta de preparo” do governo, são a favor de que a prova seja toda refeita. Já os adolescentes, exaustos depois de responder a 180 questões e redigir a redação se revoltavam com a possibilidade de ter de refazer o teste.

GUILHERME LARA CAMPOS/Fotoarena
Candidatos saem do segundo dia de prova exaustos e não querem anulação
“É chamar a gente de bobo, para não dizer coisa pior”, comentou Gabriel Nunes, de 17 anos. “Eles é que erram e a gente que vai ser punido”, completou.

Gabriel Marques, de 19 anos, balançou a cabeça de um lado para o outro enquanto a reportagem contava sobre os planos da procuradora Maria Luíza Grabner de anulação. “Hoje (domigo) depois de umas 60 perguntas eu já estava até tonto. Acho errado a gente perder tudo.” Denise Cristina da Silva, de 17 anos, também é contra: “a questão do gabarito não mudou nada, acho que só quem se sentiu prejudicado devia fazer de novo”, diz.

Cinthia Rodrigues/iG
Jorge (de azul) e Ilton (de boné) esperando as filhas: "Tem de anular", diz o primeiro. "Joga fora e começa de novo", o segundo
“Jogar fora e começar de novo”
Para Ilton dos Santos, que esperava a filha, Isabella Valerie, prestar o exame na Liberdade, em São Paulo, o certo seria “jogar tudo fora e começar de novo, até acertarem”. Segundo ele, a hipótese chegou a ser conversada na família e foi decidido que era “o mais certo”. “Depois do que aconteceu o ano passado, eles já deviam ter aprendido. Se não aprenderam, deviam refazer quantas vezes for preciso, até fazerem direito.”

A mesma opinião tem Adalberto Silvio de Souza, pai de Aline, que também fez o teste. “Errar uma vez é humano, insistir é burrice. Não dá para deixar passar”, comentou.

Jorge Antonio Coutinho, de 46 anos, queria ele mesmo ter feito a prova para tentar uma bolsa do Prouni na faculdade de Direito que já cursa. Ele se inscreveu, mas não foi fazer a prova para levar a filha para fazer o mesmo teste em outro bairro. Conta que a esposa também estava prestando o Enem e ele não queria deixar a adolescente de 17 anos, ir do Carrão, onde vivem na zona leste de São Paulo, até a Liberdade, no centro, sem companhia. Agora quer a anulação do exame.

“Eu perdi, mas foi o jeito. O meu caso não foi o pior, vi notícia de gente perdeu a prova de tão longe que morava. Só isso já era motivo para refazerem, agora com o erro no gabarito e as falhas de segurança, só podem anular.”
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