Obrigado pela mulher, Moisés faz o Enem aos 48 anos

Servidor público não estudou para o exame, mas, se for bem, pretende aproveitar a nota para tentar uma vaga em Direito

Severino Motta, iG Brasília |

Severino Motta, iG Brasília
Moisés Marques, aos 48 anos, faz o Enem a pedido da esposa
Em meio aos jovens mascando chicletes e ouvindo música em seus players, um senhor de 48 anos chega à Unip na Asa Sul de Brasília. Não foi lá para levar o filho ou a filha à prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mas para fazê-la.

“Para ter falar a verdade mesmo, vim porque minha mulher me obrigou. Não queria estar fazendo não, mas ela providenciou tudo e eu não pude deixar de vir hoje”, disse Moisés Marques, um servidor público do Distrito Federal.

Sem ter estudado “nem um dia” para a prova, Moisés acredita que pode se dar bem no exame. Se isso acontecer, pretende usar sua nota para ingressar numa faculdade de Direito. “Minha mulher quer que eu entre numa faculdade. Se entrar é bom também para minha carreira [no funcionalismo]”, disse.

Não fosse a idade, o caso de Moisés não seria muito diferente dos estudantes de Brasília. Não, claro, pela esposa, mas pelo fato de não ter se preparado para o Enem. O exame, que não tem peso decisivo para a Universidade de Brasília (Unb), é visto como um simulado e uma espécie de “pé de meia” por diversos colegiais do Distrito Federal.

“Não estudei muito para essa prova, eu quero fazer medicina na Unb. Estou focado no vestibular, o Enem é mais um simulado para mim”, disse Luiz Henrique, de 17 anos.

No mesmo caminho vai Julya Primo, de 17 anos. “Só estou fazendo mesmo para testar meus conhecimentos, quero uma faculdade que o Enem não tem peso. Mas, de qualquer maneira, se tiver uma nota boa posso acabar usando...”, comentou a estudante que pretende cursar museologia.

Sobre a proibição do uso de lápis e borracha, os estudantes de Brasília não se mostraram muito preocupados. Reclamações existiram, como a de Karynn Lyra Moniz, de 18 anos. “Amanhã, quando tiver exatas acho que complica um pouco, seria melhor se pudesse usar”, disse.

No mais, parte dos alunos alegou que a autorização somente da caneta também serve como preparação para vestibulares que adotam tal regra. “Acho bom, pois vamos nos adaptando, temos que nos acostumar com o isso”, disse Rafaella Britto, de 18 anos.

O que pareceu incomodar mais os brasilienses é a proibição do uso de relógio durante as provas. “Sem relógio fico ansiosa, você não controla bem o tempo. Seria melhor se pudesse usar”, explicou Monique Bezerra, de 23 anos, que faz o Enem pela quinta vez.

Como ela, Lucas do Bem, de 17 anos, reclamou da contagem do tempo. “Sem olhar o relógio os estudantes que ficam mais nervosos saem prejudicados”, disse. Seu colega, Leonel Souza, de 16 anos, que faz o Enem para se preparar para o ano que vem, quando a prova será para valer, completou:

- É, eu queria usar relógio durante a prova.

    Leia tudo sobre: enemprovaexame

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG