Nova prova do Enem não é descartada

Para os candidatos que preencheram as respostas de forma invertida, um canal de reclamação será aberto dos dias 10 a 16 deste mês

Severino Motta, iG Brasília |

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010 pode ainda não ter acabado. Em entrevista coletiva em Brasília, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), que organiza o Enem, informou neste domingo não descartar a possibilidade de aplicar um novo exame para quem realizou as provas do caderno amarelo. Devido a um erro de impressão, alguns candidatos receberam questões duplicadas do módulo branco. O Inep anunciou que será feita uma triagem para avaliar caso a caso.

O presidente do instituto, Joaquim José Soares Neto, já havia confirmado antes que, em alguns locais, as provas de cor amarela continham uma página duplicada de outro caderno. Segundo ele, nestes casos, os fiscais foram orientados a trocar as provas.

Em nota, o Ministério da Educação (MEC) afirma que um lote inferior a 1% do total das provas do caderno amarelo apresentou problemas de impressão. Deste total, parte dos estudantes recebeu um novo exemplar do caderno de questões e uma minoria "deixou de ter o caderno substituído ou se recusou a substituir a prova". De acordo com o MEC, o Inep deverá receber nos próximos dias os relatórios de aplicação das provas, de todos os locais. O instituto irá analisar caso a caso e, ficando comprovado que o direito dos estudantes foi prejudicado, estudará uma forma de reaplicar a prova, avisa o MEC.

Em Recife, a estudante Andressa Marques, 18, relatou em seu Twitter que em seu caderno vieram sete páginas trocadas . Ao receber a prova amarela, ela se deparou com 23 questões repetidas que faziam parte da prova branca.

“O fiscal da minha sala disse que não iria trocar nossas provas porque este era um problema que aconteceu em todo o Brasil e que era para deixarmos em branco as perguntas que vieram trocadas”, contou Andressa.

Para contornar o outro erro de impressão, que fez com que o cartão de respostas das provas do primeiro dia aparecesse com o cabeçalho trocado (onde deveria estar ciências da natureza estava ciências humanas e vice-versa), Neto afirmou que o canal de comunicação para os alunos que se sentiram lesados reclamarem será aberto na quarta-feira, dia 10, e vai ficar disponível até o dia 16, no site do Inep. Alguns alunos receberam orientação dos fiscais para preencherem suas provas de forma invertida, enquanto outros foram instruídos a marcar suas respostas na ordem numérica.

Neste domingo, o Ministério Público Federal de São Paulo recomendou aos estudantes que se sentirem prejudicados pelas falhas que procurem o órgão para fazer uma representação . Em resposta, o Inep comunicou estar à disposição para transmitir as informações necessárias caso o MP queira tomar algum tipo de ação.

nullSegurança

O presidente do Inep também abordou a segurança do Enem, que passou a ser questionada depois que um jornalista inscrito no exame divulgou, por meio de torpedo por telefone celular, o tema da redação antes de ser permitido sair da sala de aula . Segundo Neto, o caso já foi passado à Polícia Federal. Outras suspeitas de uso de celular ou outro aparelho de comunicação durante o exame também serão encaminhados à PF, porque o Inep não tem poder de polícia. O órgão considera impossível, pela abrangência da prova, colocar detector de metal em todas as salas de aula e acompanhar os candidatos até as cabines dos banheiros.

"O processo é complexo e humano e, como todo processo humano, pode ter falhas", disse.

Abstenção no segundo dia chega a quase 30%

Ainda na mesma coletiva, o instituto anunciou que quase um terço dos estudantes inscritos não compareceram ao segundo dia do exame. Segundo o Inep, o índice de abstenção foi de 29,19%, número mais alto que aos 26,66% do primeiro dia. Em 2009, o índice de abstenção alcançou 40% após o vazamento da prova.

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