Menina deixa emprego para estudar e perde o Enem por um minuto

Recepcionista largou o trabalho para ser monitora em cursinho e estudar de graça. Ao ser barrada, desesperou-se e chorou

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

Um ano em um minuto. Foi assim que Camila Santos Silva, de 18 anos, definiu a sua infelicidade. A garota, que parou de trabalhar durante um ano para ser monitora em um cursinho e poder estudar de graça, chegou à Barra Funda, zona oeste de São Paulo e local de sua prova, um minuto após o fechamento dos portões e não pôde realizar o Enem 2010.

Guilherme Lara Campos/ Fotoarena
Camila Santos Silva chora ao saber que não iria poder realizar o Enem 2010
Camila mora em Osasco e saiu de casa às 11h30 de carro com o pai, que a deixou a um quarteirão do campus Memorial da Universidade Nove de Julho (Uninove), na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Às 13h, uma hora após a abertura, a sirene anunciava o fechamento dos portões. Alguns atrasados ainda conseguiram passar abaixados, quando as portas estavam semi-fechadas. Mas Camila, que chegou exatamente às 13h01, não teve a mesma sorte.

Desesperada, a garota chorou muito. Implorou para entrar, sentou no chão e voltou a chorar. As mães que haviam acompanhado os filhos e estavam por ali, tentaram convencer a organização a deixá-la entrar com um coro de "dei-xa, dei-xa". Não adiantou. Ao final, ela saiu amparada por uma policial militar e ainda arremessou o próprio celular contra o chão, despedaçando-o na hora.

Não é para menos. Camila, que quer cursar Odontologia, trabalhava como recepcionista quando decidiu largar o emprego para ser monitora do cursinho Anglo, onde poderia estudar de graça. “Não é fácil perder o ano por causa de um minuto”, lamentou.

nullDebaixo da chuva, esperando o pai voltar, a jovem reclamou muito por ter que realizar a prova na Barra Funda, apesar de residir na cidade de Osasco. Sobrou até para a prefeitura e para os “marronzinhos”, que, segundo ela, “não colaboraram para organizar o trânsito”.

O segurança da Uninove que fechou os portões, Gustavo Alberto da Costa, disse que sempre há atrasados nos vestibulares que acompanha, mas nunca viu alguém tão desesperado. "Já vi serem agressivos, tentarem derrubar portão, mas nunca alguém tão desolado", comentou, dizendo que não poderia abrir exceção. "Regras são regras."

Dia seguinte

À noite, em casa, Camila parou de chorar, mas disse que ainda estava desesperada. A esperança agora é conseguir aprovação na Fuvest, vestibular da Universidade de São Paulo. No domingo, segundo dia da prova, ela pretende voltar a Barra Funda, dessa vez mais cedo. "Não vai adiantar para efeito de nota, mas vou me testar."


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