MEC: 14 questões foram copiadas de pré-teste aplicado no Christus

Ministério confirmou que teste de 2010 com perguntas que iriam para banco do Enem foi aplicado em colégio que as usou em simulado

iG São Paulo |

O Ministério da Educação (MEC) confirmou que as questões usadas em simulado antes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foram copiadas de um pré-teste aplicado em outubro de 2010 para validar perguntas que poderiam ser usadas em edições futuras do exame. O pré-teste tinha 14 das questões que caíram do Enem 2011 e, segundo o governo, foi aplicado no Colégio Christus, que aplicou o simulado usando as perguntas.

AE
Colégio Christus é considerado um dos melhores do Ceará por resultados
A escola teria sido sorteada para a aplicação de pré-testes para o banco nacional de itens para duas turmas, uma com 47 alunos e outra com 44. De acordo com o MEC, os estudantes e a escola haviam sido informados apenas de que se tratava de um pré-teste para o banco nacional de itens, que auxiliaria nas avaliações da educação básica.

O governo diz que os pré-testes "seguem procedimentos sigilosos em que apenas os alunos têm acesso aos cadernos durante a aplicação que é acompanhada por três fiscais em cada turma. Todos os cadernos foram devolvidos, devidamente conferidos, e depois incinerados."

A nota diz que "não houve extravio, entretanto, a análise das questões divulgadas pela rede social no início da semana levou os técnicos à conclusão de que as questões de matemática e ciências da natureza e ciências humanas e linguagens de dois dos 32 cadernos de questões do pré-testes foram copiadas, das quais 14 constavam da prova do Enem 2011. 

Segundo o MEC, alunos da própria escola manifestaram-se inclusive pelo serviço 0800 do Inep, garantindo que receberam questões encadernadas em material apócrifo e com programação gráfico-visual distinta do habitualmente distribuído. Uma das notas seria assim: "Como aluno da própria escola, confirmo que no máximo três dias antes das provas, recebemos TDs (apostilas) com 92 questões, incluindo 14 que caíram no exame. O mais curioso foi termos recebido das mãos de um dos coordenadores e principais professores, com a instrução de que não deveríamos compartilhar os TDs com nenhum candidato de outra escola".

Prova dos alunos está cancelada

O Ministério da Educação cancelou as provas de todos os 639 alunos do colégio, que poderão refazer o exame em novembro. O Ministério Público Federal do Ceará declarou que vai entrar na Justiça para derrubar o ato administrativo. O Colégio também disse que recorrerá e que considera o ato ilegal e abusivo .

O banco nacional de itens, que reuniria perguntas válidas para diversas provas, entre elas o Enem, existe desde que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) começou a fazer as primeiras avaliações do ensino no país. A partir de 2010, foi instituída a elaboração periódica de questões. Segundo o MEC, esse processo ocorre, "em média, três a quatro vezes ao ano."

A elaboração de itens para o banco é feita por professor da educação básica ou superior, que seja servidor público, com experiência em sala de aula e na elaboração de questões para avaliações. A convocação é feita por chamada pública. O Inep seleciona entre os inscritos aqueles que atendem os critérios estabelecidos e a eles oferece formação.

O professor selecionado assina termo de sigilo e se compromete a apresentar itens inéditos. A produção das questões ocorre no Inep. Ao chegar, o professor é identificado e acomodado em lugar restrito e recebe senha e login para inserir os itens. Para garantir a segurança do trabalho, a sala é supervisionada por câmeras. As reuniões para elaboração de itens têm duração de cinco a sete dias. Cabe ao Inep informar ao professor quais áreas do conhecimento necessitam de questões e o grau de dificuldade de cada uma delas.

De posse dos pedidos e das informações, o professor inicia o trabalho. Quando o conclui, insere a questão no computador. A partir daí, cabe a um revisor, desconhecido do professor-formulador, avaliá-la. Atendidos os parâmetros solicitados, o item vai para o banco do Inep. Caso não atendidos, a questão é devolvida ao professor, com informações sobre o que deve ser melhorado.

Quando o Inep aceita o item, ele é registrado em rede segura, com acesso restrito e extremo sigilo. A partir daí, as questões estão prontas para a fase de pré-teste.

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