Inquérito foi direcionado, diz defesa de funcionários do Christus

Para o advogado dos apontados pela PF como responsáveis por divulgação de questões do Enem, não há elemento concreto na investigação

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

A defesa do Colégio Christus e de seus dois funcionários indiciados pela Polícia Federal avaliou nesta quarta-feira (18) que a investigação policial foi “direcionada”. Um professor e um funcionário da instituição de ensino particular de Fortaleza são apontados como responsáveis por antecipar aos seus alunos vestibulandos 14 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2011 .

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“Houve direcionamento na investigação a serviço de uma versão pré-concebida de que houve um vazamento no pré-teste com participação de funcionários. Mas são meras presunções. Não existe elemento concreto”, afirmou à reportagem do iG o advogado Sérgio Rebouças. Ele chamou atenção para o fato de a PF não saber como as perguntas foram copiadas para que chegassem ao poder do professor e depois fossem repassadas aos alunos. “Pontos cruciais não foram investigados. Presumiram que foi uma pessoa do Christus”, critica.

Os funcionários do Colégio Christus foram indiciados por estelionato. Segundo a PF, as questões foram copiadas de cadernos de um pré-teste aplicado a alunos do colégio em 2010 . O funcionário teve acesso às salas de prova, nas não assinou o termo de confidencialidade, já o professor distribuiu o material didático com as questões copiadas aos 1139 alunos do cursinho e do 3º ano, conforme o inquérito.

A defesa também quer que sejam apuradas as responsabilidades da empresa contratada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). A Fundação Cesgranrio terceirizou a aplicação do pré-teste. Isso teria facilitado a cópia das 14 questões repassadas aos alunos cerca de duas semanas antes das provas do Enem. “A Cesgranrio tinha naturalmente a responsabilidade de contratação de fiscais e de garantir o procedimento de sigilo. Contudo, o caminho mais cômodo foi o de responsabilizar os funcionários e essa versão serviu de norte para a polícia”, sustentou o advogado.

Rebouças informou ao iG que, com base nessas constatações, vai requerer ao Ministério Público Federal (MPF) no Ceará que arquive o inquérito ou determine novas diligências para aprofundar as investigações.

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