Haddad diz que novo Enem será marcado na sexta

A deputados, ministro falou sobre as falhas no processo e garantiu que prova para prejudicados não atrapalhará prazo do resultado

Priscilla Borges, iG Brasília |

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) volta a ser tema de debates entre parlamentares no Congresso Nacional. Nesta quarta-feira, os deputados realizaram a mesma sabatina feita ontem pelos senadores com o ministro da Educação, Fernando Haddad . Em conversa que durou mais de duas horas,  disse que, na sexta-feira, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) fará reunião com consórcio Cespe-Cesgranrio, responsável pela aplicação do Enem, para apresentar a avaliação realizada sobre os prejudicados por erros de impressão na prova amarela do exame feito em 6 e 7 de novembro e marcar a data para novas provas.

AE
O ministro Fernando Haddad fala a deputados da Comissão de Educação da Câmara
Haddad disse que ainda não há balanços parciais sobre os números de estudantes que tiveram problemas com os testes impressos incorretamente, mas disse que nas áreas pelas quais a Cesgranrio era responsável, os casos se concentram na região Sul. "No Paraná há mais casos, depois Santa Catarina e menos ainda no Rio Grande do Sul", falou ao final da audiência pública. De acordo com o ministro, na área do Cespe (pulverizada em diferentes estados), a expectativa é de que haja casos mais isolados. Segundo Haddad, o processamento da correção é de 100 mil provas por dia. Com a previsão de aplicar provas só para prejudicados, a tarefa seria feita em horas e não prejudicará a divulgação dos resultados de todos os candidatos.

Além disso, novamente defendeu a continuidade do exame e pediu que os parlamentares o enxergassem como parte de um processo de democratização do ensino superior.

“Temos de admitir as falhas e tentar superá-las para a construção de um sistema cada vez mais forte. Retroceder desse caminho por causa de questões que podem ser sanadas me parece grave e inadmissível pelo projeto do Brasil”, ressaltou. “No MEC, somos professores interessados na inclusão e no acesso dos estudantes ao ensino superior. São pessoas que saíram da sala de aula, preocupados em voltar para a sala de aula”, ressaltou.

À semelhança do que ocorreu na Comissão de Educação do Senado nesta terça, o ministro disse que o Enem deve ser visto dentro de um contexto de ações na educação superior. "Se focalizarmos o exame perdendo de vista o conjunto de ações na área da educação superior, estaremos interrompendo um debate profícuo, de acesso, permanência e qualificação do ensino superior. Ele se tornou em uma espécie de banda larga que garanta progressão permanente dos estudantes”, afirmou.

De novo, o ministro defendeu a ampliação das aplicações das provas do Enem durante o ano e ressaltou que a operação gigantesca do exame torna a imunidade às falhas quase impossível. “Em todas as edições do Enem, há problemas tópicos a resolver. Mas os principais são superados com a metodologia da Teoria da Resposta ao Item (TRI). O Enem era reaplicado quando havia problemas antes de 2009, as provas não eram comparáveis e ninguém reivindicou a aplicação de todas as provas novamente”, disse.

A maioria dos deputados não criticou a manutenção do Enem, mas questionou sobre processos de logística, como escolha das gráficas e dos consórcios. O ministro afirmou que tanto a Imprensa Nacional quanto a Casa da Moeda foram consultadas para saber se teriam condições de imprimir as provas e os cartões de respostas antes de licitar a contratação da gráfica RR Donnelley. O deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) sugeriu até que as provas sejam impressas em cada sala de aula, na hora da aplicação dos testes.

“Transmitir por internet as provas para mais de 100 mil salas não é um procedimento seguro hoje. A ideia é boa, mas tem de ser estudada e verificada. A transmissão de dados ainda é arriscada, mesmo criptografada”, contestou.

Ivan Valente (PSol-SP) criticou o tamanho do exame e a sua utilização para seleção de vagas nas universidades federais. Para ele, a ansiedade e a pressão do vestibular continuam as mesmas. “Em vez de criarmos o Sistema Nacional de Educação, como estava no Plano Nacional de Educação, partimos para a nacionalização da seleção. Continuo achando que a ideia está errada. O Enem aposta na competição, como o vestibular”, ponderou.

O ministro garantiu que a nova prova deve ser aplicada em dezembro e permitirá divulgar os resultados dentro do prazo combinado com as universidades. “O consórcio já recebeu todo o material das salas de aulas (as atas com as anotações dos problemas) e está apurando caso a caso”, disse.

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