Haddad defende Enem em duas edições em 2011

Desafio do MEC agora é identificar os estudantes prejudicados que irão fazer a nova prova, afirma ministro

AE |

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O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira, em Recife, estar mantida para o próximo ano a intenção de realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em duas edições. "Vamos deixar o projeto pronto, mas ele terá de passar pelo crivo do próximo governo", adiantou.

Ele lembrou que o Enem só não ocorreu em duas edições neste ano devido à ocorrência de fraude no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), realizado pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe), que integra o consórcio Cespe/Cesgranrio, responsável pela aplicação do Enem. O governo esperou a conclusão do inquérito da Polícia Federal para, confirmado que o instituto nada tinha a ver com o problema, retomar os entendimentos com o consórcio, o que demandou tempo.

Haddad observou que o Enem norte-americano (SAT) começou realizando uma prova por ano e hoje realiza sete exames no ano. "O presidente Lula está correto ao defender várias edições do Enem no ano", reforçou ao avaliar que desta forma se dilui problemas e falhas. Segundo ele, ao acatar o recurso da Advocacia Geral da União (AGU), visando a derrubar a suspensão do Enem , o Judiciário "consolida um processo de assimilação de tecnologia educacional" que entende "ser possível aplicar provas distintas em dias distintos sem ferir o princípio da igualdade".

Para o ministro, que deu entrevista na sede do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), a agilidade do Judiciário - o tribunal divulgou a decisão antes da chegada do ministro ao Recife - garante que o cronograma do Enem seja mantido, com o resultado final do exame sendo divulgado em 15 de janeiro.

Ainda sem data definida para a reaplicação da prova aos estudantes que foram prejudicados por erros no caderno amarelo, realizada no sábado, Haddad garantiu que não haverá coincidência com a realização de outros vestibulares e concursos. "Ninguém será prejudicado", afirmou ao considerar que o desafio, agora, será o de identificar os estudantes que irão fazer a nova prova, o que será feito pelo consórcio.

"Vamos ter de fazer leitura eletrônica de todas as atas de 113 mil locais, um trabalho difícil, minucioso, que já se iniciou", acrescentou. Somente depois deste levantamento se terá o número exato de estudantes nesta situação. Até ontem, de acordo com o ministro, o MEC havia recebido 165 reclamações através de e-mail e 0800. A expectativa é que número total fique em torno dos 2 mil. Nenhum deles foi identificado em São Paulo, que concentrou 20% do total de 3,3 milhões candidatos de todo o País.

Falha gráfica

Para Haddad, a única falha da atual edição do Enem foi "falha gráfica". Tanto, segundo ele, que o consórcio responsável (Cespe/Cesgrario) assumiu a responsabilidade e fará a nova prova sem nenhum custo aos cofres públicos. Ao comparar com o Enem do ano passado - quando houve vazamento e remarcação da prova - o ministro avaliou que, neste ano, "houve melhora em quase tudo".

Citou melhoria na segurança, no cronograma, nas inscrições - "Não tivemos problema de inscrições, o site suportou milhões de acessos por minuto" - e destacou que só existiram três problemas de alocação de aluno em sala de aula. "A evolução foi muito grande", avaliou, ao lembrar que em educação não há sucesso completo. "Sempre tem espaço para melhorar".

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