Candidatos chamados para fazer a prova novamente enfrentam frio e chuva em Curitiba, um dos locais com mais prejudicados no exame

Marina Riedi Guilherme está desanimada para prestar nova prova
Robertson Cesar Luz, Fotoarena
Marina Riedi Guilherme está desanimada para prestar nova prova
Candidatos que realizaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos dias 6 e 7 de novembro e e recebram no primeiro dia o caderno amarelo com erros de impressão enfrentam um frio de 14 graus, acompanhado por uma chuva fina, para refazer a prova de Ciências Humanas e Ciências da Natureza em Curitiba, no Paraná, nesta quarta-feira, 15. Na Unibrasil, no bairro Tarumã, onde são esperadas 1200 pessoas para prestar o novo exame, o clima é de desmotivação. Estudantes que já esperavam estar em férias reclamam dos problemas do Enem e de ter que refazer a prova, mas sabem da importância da nota para entrar em uma universidade.

“Estou sem vontade de fazer a prova, porque não é o primeiro ano que dá erro. Já estou em férias e fora do ritmo de estudo”, reclama a estudante Marina Riedi Guilherme, de 20 anos, que quer cursar medicina na Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde a nota do Enem compõe 10% do vestibular. Segundo Marina, em seu local de prova em 6 de novembro, 200 pessoas receberam o caderno amarelo errado, e só havia 12 provas para serem repostas. Marina conta que ficou ansiosa para ser chamada e chegou até a consultar um advogado. “Além do desgaste, tem também os nossos gastos que não são levados em conta”, diz. A candidata viajou hoje de Cascavel, no interior do Paraná, para prestar a prova em Curitiba.

nullA nova prova é aplicada hoje em em 218 municípios de 17 Estados a 9,5 mil candidatos prejudicados pelo erro de impressão e identificados por meio de uma análise de 116 mil atas dos locais de prova – documento no qual os fiscais anotam problemas ocorridos durante a aplicação do exame. Paraná e Santa Catarina concentram mais de 60% dos alunos que foram prejudicados com erros de impressão na prova amarela. Em Santa Catarina, o novo exame será reaplicado em 42 municípios. O maior número de participantes está em Chapecó e, depois, Concórdia. No Paraná, haverá reaplicação em seis municípios, sendo que 95% dos casos ocorreram em Curitiba.

Com o mesmo ânimo, Roberta Souza, de 22 anos, diz que achou horrível refazer a prova, mas ressalta a importância de prestar o exame corretamente para passar em fármácia na Federal do Paraná. “Estava confiante de que seria convocada para a nova prova, pois a confusão na minha sala foi generalizada". Minha esperança é que o Enem não tenha mais erros, parece que virou brincadeira”, diz antes de entrar na sala.

Robertson Cesar Luz/Fotoarena
Luiza Jardim foi convocada e faz prova substituta do Enem em Curitiba
Além dos problemas do exame, o frio desta quarta-feira incomoda o aluno Ralph Rodrigues, de 18 anos, que ainda reclama de ter que repetir a prova em um dia de semana. “É uma irresponsabilidade de um órgão nacional fazer uma prova para tanta gente e não revisar”, reclama o candidato que quer fazer engenharia da computação na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Já a candidata Luiza jardim, de 19 anos, não chegou a ter problemas com o caderno de provas, mas mesmo assim foi chamada para repetir o exame. Primeira a chegar na Unibrasil, um dos locais de prova com maior concentração de candidatos chamados para repetir o exame no Brasil, ela agradece a oportunidade. “Eu não entendi porque fui chamada, mas não reclamei. Para mim foi como uma segunda chance”, diz. A estudante conta que em sua sala muitos candidatos receberam o caderno amarelo com questões repetidas. “Acho que os fiscais colocaram o meu nome no meio”, afirma. Carioca residindo em Curitiba, Luiza quer usar a nota do Enem para ingressar na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

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