Escolas do Rio caem no ranking do Enem, mas mantêm topo estadual

Em 2008, 40% entre os 30 melhores colégios do País eram fluminenses, agora são 26%. Apenas São Bento está entre as dez melhores

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Estado com mais escolas no topo do ranking do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2008, o Rio de Janeiro teve uma queda considerável na listagem deste ano, mas manteve o maior número de colégios entre os 20 primeiros entre as unidades da federação. ( Veja no fim da reportagem o ranking completo no Enem)

Na avaliação anterior, além do bicampeão São Bento (2007 e 2008), o Rio tinha três colégios entre os dez primeiros colocados (Santo Inácio, em sétimo, e Santo Agostinho, em nono) e sete entre os 20 melhores. Minas incluíra cinco entre os 20, e São Paulo três.

Em 2009, o São Bento – que perdeu a liderança e ficou em terceiro lugar desta vez – e foi o único colégio fluminense entre os top 10. O segundo mais bem colocado foi o Colégio Israelita Brasileiro A. Liessin (13º), seguido do Santo Agostinho (14º), Colégio de Aplicação da Uerj (17º) e Andrews (20º), totalizando cinco entre os líderes.

No ranking de 2008, escolas do Rio ocupavam 35% das 20 primeiras posições, e 40% (12 instituições) entre os 30 melhores no outro ano. Agora são “apenas” cinco colégios (25%) entre os 20 e oito (26%) entre os top 30.

Entre os dez primeiros, o tradicional Santo Inácio foi o que teve maior queda, caindo de sétimo no país para 44º, e de segundo no Rio para 15º em 2009. O iG procurou a direção do colégio, mas não obteve resposta. O Cap-UFRJ também caiu de 17º para 118º.

Outros colégios alternaram posição, mantendo-se no mesmo patamar: Santo Agostinho também saiu de nono para 14º, e sua unidade da Barra da Tijuca oscilou de 20º para 21º; o Cap-Uerj foi de 19º para 17º, o Andrews subiu de 32º para 20º.

Colégio judaico brilha em meio à tradição dos ‘santos’

Se no Rio os colégios católicos têm tradição de excelência educacional, o judaico Liessin se destacou, só ficando atrás do São Bento. Embora seja laica, a escola privilegia a cultura e as tradições judaicas, e apresenta todas as correntes da religião contempladas, de forma pluralista, disse Clarice Dahis, diretora do ensino médio.

A escola, que não teve nota no ranking de 2008, apareceu desta vez em 13º - segundo Clarice Dahis, houve erro técnico do Enem, e o Liessin teria ficado em décimo ano passado, por seu desempenho.

“É uma escola que vem trabalhando com a formação integral dos alunos desde pequenos. Os alunos no ano do vestibular ficam aqui de 7h às 16h30, sob a coordenação de professores de altíssima qualidade”, disse Clarice, segundo quem as turmas raramente ultrapassam 20 alunos.

Duas públicas são modelo

Entre as escolas públicas fluminenses, a mais bem colocada é o Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira, mais conhecido como Colégio de Aplicação da Uerj (CAp-Uerj), em 17º no país. O sucesso do CAp não é novo, já vem há mais de uma década: na lista anterior estava duas posições atrás.

O instituto serve para formar professores da Uerj e recebe alunos da graduação, que dão aula, supervisionados pelo corpo permanente.

“Isso é fundamental. Recebemos futuros colegas em um ambiente rico e renovador. Por causa dos licenciandos, estamos o tempo todo em diálogo sobre a prática, as contradições, os limites e a criatividade. Não temos escolha senão a qualidade”, explicou ao iG Miguel Tavares Mathias, diretor do CAp-Uerj.

O professor relativiza o sucesso e diz que permanecem problemas, como a falta de espaço físico para a escola. “Não podemos sobrevalorizar o ranqueamento. O importante é que estejamos em uma determinada faixa de qualidade. O que leva a isso é a qualificação dos professores e as condições de trabalho”, afirmou.

Cotas

Um sorteio público define a sorte de quem estuda no CAp no primeiro ano do ensino fundamental. No sexto ano, um processo seletivo inclui mais 60 alunos. Nos dois casos, filhos de funcionários da Uerj tem privilégio e direito a 50% das vagas.

“Temos grande diversidade étnica e cultural, de crianças de olhos azuis a negros, meninos e meninas”, disse Miguel.

Na federal Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fundação Oswaldo Cruz, que ficou em 23º na lista geral e em terceiro entre os públicos do país, o processo de seleção também tem prova e reserva de metade das vagas para alunos de escolas públicas. “Temos recebido alunos de classe média e pobres. De classe média-alta são exceção”, disse Márcia Valéria Morosini, vice-diretora de ensino e informação.

Na Joaquim Venâncio, os alunos têm estágios obrigatórios, fazem pesquisa científica e têm aula com pesquisadores da Fiocruz. Trinta alunos do último ano do ensino médio fizeram a prova do Enem este ano, obtendo resultado melhor que no ano anterior, quando obtivera a 39ª posição.

Para Márcia, o sucesso “não tem muito mistério, tem dificuldade”. “Contamos com docentes muito qualificados, grande número de doutores e mestres, prédio com condições ótimas e investimento público em educação. A formação humana transcende a nota no Enem”, disse a vice-diretora.

Para ela, o sucesso no Enem não é o principal objetivo da formação. “O Enem não é nossa meta, queremos formar trabalhadores de saúde pública, com participação em um projeto de sociedade mais justo. O Enem vem a reboque. O legal de uma escola como a nossa ter sucesso é que desconstrói a idéia de que a escola boa é a que visa a provas”, disse.

Márcia ressalta que o colégio, embora seja técnico na área de Saúde, dá ênfase à formação ampla: todos têm aula de música, teatro, filosofia e sociologia. “A educação é um ato político, o projeto da escola não pode ser dissociado de uma sociedade democrática e igualitária”, afirmou.

Ranking
O iG elaborou o ranking dos melhores e dos piores desempenhos no Enem com base nas médias totais de cada escola. Esse critério considera as médias das notas dos alunos nas provas objetivas (nas quatro áreas do conhecimento) e na redação. Foram consideradas somente as notas do ensino médio regular.

Nos casos em que menos de dez alunos fizeram a redação, não há nota global disponível, por isso, não foram considerados no ranking do iG. O mesmo acontece com as escolas cuja taxas de participação – relação entre o número de matriculados no terceiro ano na escola e a quantidade de participantes no Enem – foi inferior a 2%. Elas e as escolas em que menos de dez participantes participaram do exame também estão fora da lista, pois não tiveram médias totais divulgadas.

Os resultados das médias obtidas pelas 25.484 escolas que oferecem ensino médio regular e participaram da avaliação serão liberados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nesta segunda-feira. Do total – um número 5% maior em relação a 2008, quando 24.253 escolas participaram do Enem –, 17.898 obtiveram médias globais. Desses, 17.882 tinha, pelo menos, dez alunos matriculados no ensino médio.

As notas das escolas que oferecem a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) - o antigo supletivo - também foram divulgadas pelo Inep. As regras para as médias globais são as mesmas. Ao todo, 7.670 colégios participaram do Enem, mas 1,4 mil tiveram notas das provas objetivas e redação. O desempenho de todas as escolas, inclusive as que não obtiveram médias globais podem ser conferidas na tabela abaixo.

OBS: O ranking do Enem 2009, divulgado em 19 de julho, foi alterado posteriormente por decisão da Justiça, que revisou as notas e incluiu o Colégio Integrado Objetivo na lista, com a segunda melhor média geral. Esta reportagem leva em conta os dados da primeira divulgação do ranking, mas o mapa e a ferramenta abaixo foram atualizados.

ATENÇÃO: para fazer a busca da sua escola, não coloque cedilha ou acentos gráficos (acento agudo, circunflexo ou til).

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