Alcione Carvalho, 27, teve trabalho para comprar esferográfica em cima da hora. Objeto consta na lista obrigatória do Enem

Caneta preta de tubo transparente. Esse era o único objeto que os candidatos ao Exame Nacional do Ensino Médio precisavam levar, ao lado dos documentos. A enfermeira Alcione Carvalho, de 27 anos, não sabia. No primeiro dia, chegou a preencher o gabarito com caneta azul e, só depois de o fiscal devolver a folha, ela pediu a preta emprestada. "Tive que passar por cima. Dois trabalhos."

No segundo dia de prova, ela chegou meio dia ao local, no campus Vergueiro da Universidade Paulista (Unip), em São Paulo, e foi direto às barracas de camelô comprar o polígrafo. Não encontrou. Por conta das promoções de escolas e cursinhos que distribuíram caneta de graça no sábado, ninguém quis vender no domingo. "Não acredito que não consigo uma simples caneta", comentou em disparada pela calçada atrás de algum estabelecimento que vendesse.

A enfermeira Alcione Carvalho, de 27 anos, por pouco não foi para a segunda etapa do Enem sem a caneta esferográfica preta
Cinthia Rodrigues, iG São Paulo
A enfermeira Alcione Carvalho, de 27 anos, por pouco não foi para a segunda etapa do Enem sem a caneta esferográfica preta
Alcione não comprou antes porque trabalho a madrugada toda como home care. "Só passei em casa para tomar um banho e vim direto", contou. Acabou encontrando uma mercearia que vendia a caneta e também descobriu ali que não era a única sem uma. A fila para chegar a caixa com canetas pretas exposta com destaque ao lado da caixa dava a volta em todo o corredor e saía do outro lado, deixando algumas pessoas tomando sol do lado de fora.

Demorou 15 minutos, mas ainda conseguiu uma das últimas. "A gente costuma vender mais azul e não nos preparamos para tanto movimento", lamentou a caixa, Luciene Sampaio.

Alcione testou a dela, colocou no bolso e entrou para a prova com sono, mas aliviada.

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