Enem: Dom Barreto sobe do 15º para o 2º lugar no ranking

Novos conteúdos do Enem não surpreenderam alunos da escola piauiense, que ainda aplicou diversos simulados específicos da prova

Carolina Rocha, iG São Paulo |

O Instituto Dom Barreto, de Teresina, Piauí, voltou às primeiras colocações do ranking nacional das escolas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Primeiro lugar geral em 2006, a escola caiu para 11º em 2007 e 15º em 2008. Em 2009, a escola ficou com a segunda colocação, obtendo média 74,15. (Veja no fim da reportagem o ranking completo das escolas)

“Os responsáveis por isso são os alunos, que estudaram muito para conseguir uma boa colocação nas universidades federais e pelo SiSU (Sistema de Seleção Unificada, que disponibiliza vagas em instituições de todo o País a partir das notas no Enem)”, explica a coordenadora pedagógica do Dom Barreto, Marcela Rangel.

Apesar de afirmar que não prepara os alunos especificamente para o vestibular, a escola se adequou ao treinamento necessário para os vestibulares por causa dos estudantes. Os alunos do Dom Barreto costumam se candidatar às vagas das melhores instituições do País, não importa o Estado onde estão.

Segundo Marcela, a partir da decisão da Universidade Federal do Piauí (UFPI) de reservar 50% das vagas para alunos da rede pública no Programa Seriado de Ingresso (PSIU) e colocar a outra parte das vagas no Sisu, o colégio passou a prepará-los para o novo Enem. “Sabíamos que seria uma prova longa, com 90 perguntas a mais por dia, além da redação. Treinamos muito o controle do tempo”, ressalta.

O formato e o conteúdo da prova, para os alunos do colégio, não eram novidades. “Os estudantes daqui procuram muito o vestibular da Universidade de Brasília, por causa dos cursos da área de humanas, que são muito fortes, como direito e relações internacionais. O vestibular deles tem características bastante semelhantes as do Enem”, pondera a coordenadora.

De acordo com a decana de graduação da UnB, Márcia Abrahão, a principal semelhança entre as provas é a interdisciplinariedade. “O nosso vestibular adota há anos temas transversais e interdisciplinares. Assim como o Enem, trabalhamos a contextualização das questões e privilegiamos o raciocínio em vez de exigir que os alunos decorem fórmulas”, explica.

Treinamento
Marcela conta que chegou a visitar outras escolas da região para ver como elas estavam preparando os estudantes para o exame. “Fizemos um banco de questões para que eles treinassem e aplicamos vários simulados, inclusive de surpresa”, lembra.

O resultado, além de elevar a posição da escola no ranking nacional, foi a aprovação de 90% de seus 136 alunos em universidades públicas. “Na UFPI, por exemplo, dos 20 primeiros colocados, 14 são aqui do Dom Barreto”, ressalta a coordenadora.

Linha pedagógica
O instituto tem cerca de 3.300 alunos distribuídos das classes do maternal até o ensino médio. Uma das prioridades da escola é o incentivo à leitura. “Desde a educação infantil, trabalhamos a criação do hábito de ler. No ensino fundamental, cada aluno tem de trazer um livro paradidático diferente, então fazemos uma ciranda com os livros e, no final do ano, todos os alunos leram todos os títulos”, destaca Marcela.

O colégio não contrata nenhum sistema de ensino que forneça apostilas ou metodologias. ”Nós usamos os livros didáticos e complementamos com material fotocopiado que os professores produzem”. Outro destaque da escola é a importância dada à formação humanística. O colégio oferece até aulas de latim. “Muito antes de filosofia e sociologia entrarem no currículo, o Dom Barreto havia incluído as disciplinas em sua grade”, recorda Marcela, que chegou a ter aulas dessas disciplinas quando era aluna da escola, há sete anos.

Ranking
O iG elaborou o ranking dos melhores e dos piores desempenhos no Enem com base nas médias totais de cada escola. Esse critério considera as médias das notas dos alunos nas provas objetivas (nas quatro áreas do conhecimento) e na redação. Foram consideradas somente as notas do ensino médio regular.

Nos casos em que menos de dez alunos fizeram a redação, não há nota global disponível, por isso, não foram considerados no ranking do iG. O mesmo acontece com as escolas cuja taxas de participação – relação entre o número de matriculados no terceiro ano na escola e a quantidade de participantes no Enem – foi inferior a 2%. Elas e as escolas em que menos de dez participantes participaram do exame também estão fora da lista, pois não tiveram médias totais divulgadas.

Os resultados das médias obtidas pelas 25.484 escolas que oferecem ensino médio regular e participaram da avaliação serão liberados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nesta segunda-feira. Do total – um número 5% maior em relação a 2008, quando 24.253 escolas participaram do Enem –, 17.898 obtiveram médias globais. Desses, 17.882 tinha, pelo menos, dez alunos matriculados no ensino médio.

As notas das escolas que oferecem a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) - o antigo supletivo - também foram divulgadas pelo Inep. As regras para as médias globais são as mesmas. Ao todo, 7.670 colégios participaram do Enem, mas 1,4 mil tiveram notas das provas objetivas e redação. O desempenho de todas as escolas, inclusive as que não obtiveram médias globais podem ser conferidas na tabela abaixo.

OBS: O ranking do Enem 2009, divulgado em 19 de julho, foi alterado posteriormente por decisão da Justiça, que revisou as notas e incluiu o Colégio Integrado Objetivo na lista, com a segunda melhor média geral. Esta reportagem leva em conta os dados da primeira divulgação do ranking, mas o mapa e a ferramenta abaixo foram atualizados.

ATENÇÃO: para fazer a busca da sua escola, não coloque cedilha ou acentos gráficos (acento agudo, circunflexo ou til).

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