Diferença entre melhores escolas dos Estados chega a 135 pontos

O melhor colégio de São Paulo, Vértice, está 1987 posições à frente da escola com desempenho mais alto de Roraima

Alessandra Oggioni, iG São Paulo |

O resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009, divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério da Educação, não revela apenas a grande diferença de desempenho das escolas públicas e privadas. Mostra também a discrepância de resultados em âmbito regional.

A melhor escola de Roraima, por exemplo, está 135 pontos atrás da primeira colocada de São Paulo e do País, o Colégio Vértice. Mesmo sendo a melhor do Estado, o Centro de Educação Integrada Colmeia, localizado em Boa Vista, ocupa apenas o 1.988º lugar no ranking. A escola obteve 614 pontos no Enem 2009. O Vértice alcançou 749 pontos.

Em outros estados da região Norte, a diferença de desempenho em relação às primeiras colocadas no Sudeste também é grande. No Amapá, o colégio com melhor nota alcançou a 860ª colocação com 644 pontos (pouco mais de 100 pontos a menos que a melhor escola do País); no Acre, a escola com mais destaque ocupa o 1277º lugar no ranking nacional, 117 pontos atrás da primeira.

Amazonas, Estado que melhor representou a região Norte, teve sua melhor escola qualificada em 85º lugar, com 57 pontos a menos que a primeira colocada. A melhor escola do Nordeste ficou na vice-liderança do ranking nacional. O Instituto Dom Barreto, da capital piauiense, Teresina, obteve 741 pontos.

Na região Centro-Oeste, a escola com mais destaque é de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. O Colégio Alexander Fleming está na 5ª colocação geral, com 737 pontos. Já no Sul, o melhor colégio é do Paraná, em 22º lugar, embora os 71 alunos que participaram da prova sejam do ensino profissionalizante e não do ensino médio regular.

Para a coordenadora associada do curso de pedagogia da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Norma Sandra de Almeida Ferreira, não é simples resolver a questão do desequilíbrio regional. Ela explica que as diferenças entre os desempenhos têm várias origens, como dificuldade de acesso à cultura em determinadas regiões, falta de investimento na formação continuada dos docentes, remuneração desigual dos profissionais e escassez de bibliotecas.

O acesso a meios culturais como teatro, cinema, museus e bibliotecas coloca as escolas dos grandes centros em vantagem, na maioria dos casos. Entre as 20 escolas com melhor desempenho no Enem, 12 estão na região Sudeste. “São realidades diferentes. Se já há diferenças de ensino em uma mesma região, imagine, em lugares diferentes: há desigualdade de currículo, de formação do professor, de valor pago por aula”, afirma.

A remuneração, segundo ela, influencia direta e indiretamente o desenvolvimento profissional dos docentes. “Professores bem pagos podem assinar um jornal, ter computador em casa”, afirma. Ela ressalta ainda que, nas metrópoles, a oferta de cursos de formação continuada é maior e mais freqüente, o que coloca professores e escolas dessas áreas em vantagem mais uma vez.

Condições de trabalho
Para Nilson José Machado, professor titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), a oferta de boas condições de trabalho para os professores e incentivo à integração das escolas com as universidades locais são ações que podem contribuir para melhorar o desempenho das escolas no exame, em qualquer região.

Ele critica, no entanto, a representatividade do Enem. Para ele, os resultados da avaliação não demonstram a realidade das escolas. Nilson ressalta que a diferença entre as 50 melhores escolas no ranking é de apenas 48 pontos, o que colocaria todas em uma mesma categoria. “O correto seria uma classificação como a dos hotéis, por estrelas, por exemplo. Essa prova não é suficiente para avaliar isso. É só um parâmetro”, opina.

O professor lembra que, como a participação no exame é voluntária, a quantidade de estudantes de cada escola que fez os exames no ano passado pode ter grande influência nas médias. Nilson comenta, por exemplo, que apenas 37 alunos do Colégio Vértice participaram da prova, enquanto 370 alunos do Bandeirantes, também da capital paulista, realizaram os testes.

Na avaliação de Norma Sandra, o tempo necessário para resolver as discrepâncias regionais do País depende da vontade e do envolvimento político de todos os responsáveis pela educação no Brasil. “É preciso que um projeto educacional tenha continuidade e não mude porque outro partido ou político está no poder”, diz.

Ranking
O iG elaborou o ranking dos melhores e dos piores desempenhos no Enem com base nas médias totais de cada escola. Esse critério considera as médias das notas dos alunos nas provas objetivas (nas quatro áreas do conhecimento) e na redação. Foram consideradas somente as notas do ensino médio regular.

Nos casos em que menos de dez alunos fizeram a redação, não há nota global disponível, por isso, não foram considerados no ranking do iG. O mesmo acontece com as escolas cujas taxas de participação – relação entre o número de matriculados no terceiro ano na escola e a quantidade de participantes no Enem – foram inferiores a 2%. Elas e as escolas em que menos de dez participantes participaram do exame também estão fora da lista, pois não tiveram médias totais divulgadas.

Os resultados das médias obtidas pelas 25.484 escolas que oferecem ensino médio regular e participaram da avaliação foram liberados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nesta segunda-feira. Do total – um número 5% maior em relação a 2008, quando 24.253 escolas participaram do Enem –, 17.898 obtiveram médias globais. Desses, 17.882 tinha, pelo menos, dez alunos matriculados no ensino médio.

As notas das escolas que oferecem a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) - o antigo supletivo - também foram divulgadas pelo Inep. As regras para as médias globais são as mesmas. Ao todo, 7.670 colégios participaram do Enem, mas 1,4 mil tiveram notas das provas objetivas e redação.

ATENÇÃO: para fazer a busca da sua escola, não coloque cedilha ou acentos gráficos (acento agudo, circunflexo ou til).

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