“Carrasco” do Enem, porteiro torce para “vítima” não se atrasar

Para responsável, “fechar o portão horário é uma coisa dentro do regulamento”. Mas admite que “fica triste quando a pessoa chega depois e não pode fazer mais nada”

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Aos 47 anos, o “faz-tudo” Jorge Anselmo aceitou este fim de semana a delicada função de porteiro do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), atuando como “carrasco” dos candidatos atrasados. Em sua estreia como algoz dos impontuais, foi designado para um local de provas potencialmente problemático, a Uni-Rio, cujo endereço foi informado errado para 1.047 candidatos .

Leia também: “Só se eu pular o muro”, diz candidata atrasada 23 minutos no Enem

Convicto de suas atribuições, mas ligeiramente incomodado com a função, Jorge Anselmo torcia para que suas possíveis “vítimas” não se atrasassem. Perguntado pelo iG sobre como se sentia na ingrata tarefa, o porteiro negro de mais de 1,90m e bigode bem cuidado demonstrou estar pronto para cumprir a missão. “Fechar o portão no horário é uma coisa dentro do regulamento.”

Pouco antes das 13h, horário em que deveria fechar o portão, porém, ele disse esperar que ninguém perdesse a prova. “Torço para que todos cheguem no horário determinado. Acho que todos receberam o aviso do endereço certo e teve muita divulgação. Tomara que tudo corra bem”, disse. “A gente fica triste quando a pessoa chega depois do horário e não pode fazer mais nada.”

Às 13h em ponto, após o aceno de uma coordenadora de local da Cesgranrio, Jorge Anselmo fechou os portões diligentemente.

Para minimizar um eventual sentimento de culpa em sua estreia como “carrasco”, o porteiro do Enem contou com o fato de o portão ser de ferro, o que lhe impediu a visão dos atrasados que chegaram ao local a partir do minuto seguinte. Mas foram apenas cinco.

Fabrizia Granatieri
Catarina (mão no rosto) e Carina chegam atrasadas à prova, vindas da Rocinha
"Que m... Está tudo fechado!... Só se eu pular o muro! ", reclamou uma candidata ao telefone, irritada com a organização, apesar de ter chegado 23 minutos após o fechamento dos portões.

“Devido a toda essa situação que ocorreu (erro do endereço no cartão de inscrição), deveria ter uns cinco minutos de tolerância... São muito radicais”, protestou Carlos Alberto Figueiredo, primeiro atrasado a dar de cara com o portão fechado por Jorge Anselmo.

    Leia tudo sobre: carrascoEnemporteirovítimaalgozUni-RioRio

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG