Candidatos confundem entrada e cerca de 100 perdem Enem em SP

Em todo o Brasil, portões dos locais de prova do exame fecharam às 13h e muitos alunos ficam do lado de fora

iG São Paulo |

Aproximadamente 100 pessoas que fariam o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na Uninove, no bairro Barra Funda, em São Paulo, perderam a prova neste sábado. Os portões foram fechados pontualmente às 13h, houve confusão e candidatos se espremeram para conseguir entrar. Quem chegou atrasado por ter confundido os endereços ou enfrentado problemas com o trânsito, perdeu o exame.

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Julien Pereira/Fotoarena
Candidatos passam por baixo do portão para conseguir fazer a prova em São Paulo
As estudantes Francielle Silva Mendes, 17 anos, e Izabela Silva Bettinassi, 21 anos, chegaram atrasadas porque o ônibus em que estavam atropelou um candidato do Enem que corria na Avenida Marquês de São Vicente, próximo à Uninove, segundo relatam. Elas desceram do ônibus, correram por seis quarteirões até chegar ao local de prova, mas encontraram os portões fechados.

Emocionadas, lamentaram a perda de um ano de cursinho. “Não foi culpa nossa. Perder essa prova é muito difícil”, disse Francielle, que quer cursar engenharia mecânica. Izabela contou que saiu com mais de uma hora de antecedência e não esperava que um incidente como esse fosse atrapalhar seus planos de ingressar em História em uma universidade federal.

Muitos estudantes ficaram confusos com a nomenclatura dos prédios da Uninove. Todos os candidatos do Enem deveriam entrar pelo mesmo local, a Avenida Dr. Adolfo Pinto, 109, endereço informado nos cartões de confirmação e entrada do prédio A. As letras dos prédios confundiram os candidatos, que se dirigiram à entrada do prédio informado no cartão e não ao endereço informado. Quem ia fazer no prédio D, tentou entrar pela Avenida Marquês de São Vicente, mas foi impedido. Era preciso entrar pela Avenida Dr. Adolfo Pinto e passar por dentro da instituição para chegar à sala de provas.

Com isso, muitos candidatos se confundiram e chegaram atrasados. Foi o caso do casal Elizangela Virgínio, 31 anos, e Marcos Nobre, 32 anos. Eles se dirigiram à entrada da Uninove da Avenida Francisco Matarazzo, confiantes de que poderiam chegar ao prédio onde fariam a prova passando por dentro da instituição. Como os seguranças não permitiram a entrada, deram a volta para entrar pela local correto, a Avenida Dr. Adolfo Pinto, 109, endereço que constava no cartão de confirmação do Enem.

Renata do Nascimento se dirigiu a entrada do prédio D da Uninove, na Avenida Marquês de São Vicente, e não se atentou ao endereço que estava em seu cartão (a Avenida Dr. Adolfo Pinto). “Prédio D é lá, aqui é o prédio A. Não me deixaram entrar e tive que dar a volta. Quando cheguei aqui, já estava fechado”, lamenta. O mesmo aconteceu com Fabíola Sousa, 41 anos, e Adílson Ferreira Castro, 31 anos, que também foram para a entrada errada.

As filhas de Eduardo Perácio, 48 anos, confundiram a Uninove com a Unip, universidade vizinha ao local de provas do Enem. O pai foi encontrá-las de bicicleta e as ajudou a encontrar o local correto a tempo. “Foi a maior confusão. A gente devia ter vindo antes ver onde era, mas que bom que deu tempo”, contou. As estudantes de 16 e 20 anos também foram para a entrada do prédio D da Uninove e foram informadas de que teriam que entrar pelo prédio A. Como chegaram com antecedência, as confusões não atrapalharam os planos de fazer o Enem.

Chorro em Brasília
Em Brasília, a estudante Luzenir Nunes Evangelista, 25 anos, chegou dois minutos atrasada para a prova no Colégio Objetivo, no bairro Asa Sul. “Saí de casa 10h30 da manhã, mas o ônibus para muito”, disse, com lágrimas escorrendo no rosto. Ela contou que é moradora do Jardim Ingá, distrito localizado entre as cidades goianas de Luziânia e Valparaízo. Babá desempregada, ela sonha em fazer faculdade de Direito. “Não vou desisitir”, completou.

No mesmo colégio onde Luzenir perdeu o horário de entrada, a maquiadora Luana Medeiros, 20 anos, também acabou não conseguindo fazer a prova. Ela conseguiu entrar no estabelecimento de ensino em cima da hora, mas quando chegou na sala de aula estava sem um documento com foto. Os fiscais ainda deixaram que ela fosse até o carro. Ao voltar com a carteira, no entanto, ela só trouxe o título de eleitor e não pode fazer a prova. “Na verdade, ainda dava tempo. Peguei a carteira, jurando que (o documento) estava na carteira. Mas não estava”, disse.


Demora dos ônibus em Fortaleza
Cerca de 20 pessoas que iam fazer o Enem chegaram juntas no Centro de Humanidades da Uece, em Fortaleza, com três minutos de atraso e encontraram os portões fechados. Apenas três minutos após o toque da sirene anunciar o início do exame já era tarde para cerca de 20 estudantes que chegaram juntos para fazer a prova, no bairro de Fátima. Todos estavam no mesmo ônibus. Os 40 minutos de espera no terminal adiaram em um ano os planos deles.

Mesmo depois de esses estudantes verem e a possibilidade de ingressar no Ensino Superior ser prorrogada por conta de alguns minutos, não houve choro. Alguns se revoltaram com o sistema de transporte coletivo e outros com o rigor da coordenação do concurso. Desde 2010 a Universidade Federal do Ceará (UFC) utiliza o Enem como processo seletivo para o ingresso de estudantes na instituição.

Daniel Aderaldo
Shirley Georgea e Andressa Pontes estavam no mesmo ônibus e se atrasaram
Gilberlânia Paz, 20 anos, conta que saiu de casa às 10 horas da manhã. Como o Ceará é um dos estados que não aderiu ao horário de verão, ela tinha duas horas chegar ao local ao meio dia – horário de início do exame na cidade – e tentar uma vaga no curso de UFC. O trajeto de 10 quilômetros feito em dois ônibus acabou impedindo que fosse dessa vez que a caixa de lanchonete chegasse à sala de uma universidade pública.

“Passeio 30 minutos esperando o primeiro ônibus chegar próximo a minha casa Depois, no terminal, esperei por mais 40 minutos. Como o trânsito estava engarrafado, não deu tempo de chegar a tempo”, explica. “Agora vou ter esperar mais um ano”, lamenta. Era a segunda vez que ela ia fazer o Enem.

Shirley Georgea, 21, e Andressa Pontes, 18, também estavam no ônibus que atrasou. A primeira já estuda Direito em uma universidade particular, mas queria se livrar das mensalidades. É o terceiro Enem que ela faz. “Talvez não tente mais”, diz. É que ela já está no quinto semestre, e dentro de mais um ano, estará prestes a se formar. Já Andressa pretendia tentar entrar no curso de Oceanografia da UFC. Ela concluiu o Ensino Médio no ano passado, mas iria fazer o Enem pela primeira vez. “Devia haver mais tolerância. O portão acabou de ser fechado”, defende.

Na sexta-feira (21), a prefeitura de Fortaleza divulgou que iria reforçar a frota de ônibus da capital por conta do Enem. Segundo a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), no total, além dos ônibus que já costumam circular aos sábados e domingos, 80 veículos extras foram colocados em circulação, sendo 40 para cada dia distribuídos pelos terminais de integração de maior demanda.

Chuva em Minas
A chuva e o trânsito intenso complicaram o trânsito no começo da tarde deste sábado em Belo Horizonte e foram o recurso para alguns estudantes justificarem o atraso para fazer as provas do Enem. Ana Maria Silva, 17 anos, contou ao iG que o trânsito atrapalhou sua chegada para fazer as provas, no campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela chegou sete minutos atrasada. Os portões do local fecharam 13h05.

“Demorei mais de uma hora em um trajeto que não passava de 30 minutos. Infelizmente não vou poder fazer a prova. Fazer o quê?”, disse a garota. De acordo com o Batalhão de Trânsito houve muito fluxo de carros no Complexo da Lagoinha, na Praça da Liberdade e na Avenida Afonso Pena, lugares na região central de Belo Horizonte.

Não foi apenas Maria a atrasada para as provas de Ciências Humanas e suas Tecnologias e Ciências da Natureza e suas Tecnologias da Natureza. Muitos outros estudantes chegavam após o horário de fechamento dos portões. “Não acredito nisso”, dizia um outro estudante.

* Com reportagem de Marina Morena Costa, iG São Paulo, Daniel Aderaldo, iG Ceará, e Denise Motta, iG Minas Gerais, Adriano Ceolin, iG Brasília

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