Após 12 anos, destaques contam como Enem de 99 marcou suas vidas

iG encontrou "dois campeões" do primeiro Exame Nacional do Ensino Médio que teve estudantes com melhores notas divulgadas

Priscilla Borges, iG Brasília |

Em 1999, o Exame Nacional do Ensino Médio ( Enem ) ainda dava seus primeiros passos. Havia sido criado no ano anterior, quando 115 mil jovens fizeram as primeiras provas. Naquele ano, 315 mil pessoas participaram da avaliação e, pela primeira vez, o Ministério da Educação divulgou os nomes dos estudantes que mais se destacaram.

Veja também: Conheça as regras e prepare-se para as provas com o Guia Enem 2011

O iG conversou com dois dos dez alunos com melhores desempenhos na prova. Vinicius e Edson brilharam no Enem de 1999. A segunda edição do exame que hoje se tornou critério de seleção para mais de 80 mil vagas em universidades federais marcaria a vida desses estudantes para sempre.

Os dois participaram da novidade com a esperança de aproveitar os resultados no vestibular. Não imaginavam tirar notas tão altas quando fizeram o exame, apesar de conhecerem bem o próprio potencial. “Eu certamente esperava um desempenho bom, mas não estar entre os primeiros lugares”, analisa Vinicius Cifú Lopes, que obteve a nota mais alta do Enem de 1999.


 Vinicius e Edson se tornaram professores. O primeiro, de universidade. O segundo, de ensino médio. Como dica aos estudantes que participarão do Enem neste fim de semana eles elencam investir na prova, conferir o local antes de ir, se alimentar bem, prestar atenção aos enunciados, mapas e textos disponíveis. E confiar no que estudaram até lá.

O primeiro


Vinicius Cifú Lopes, 29 anos, começou a se destacar bem cedo. Então morador de São Paulo, começou a ser treineiro no vestibular da Fuvest aos 13 anos. Passou em todos a partir dos 14. Quando fez para valer, em 2000, ficou em primeiro lugar. Diante disso, ele admite que já esperava um bom desempenho no Enem – “mas não estar entre os primeiros lugares”, conta. Vinicius tirou nota máxima na redação e 98,4 na prova de conhecimentos gerais. Ficou com a média mais alta no exame.

O então futuro professor não precisou da ajuda do Enem para entrar na Universidade de São Paulo (USP), onde cursou Matemática. E com tantos louros, especialmente o destaque na Fuvest, o sucesso no Enem ficou ofuscado. Vinicius acredita, porém, que seus destaques auxiliaram a trilhar seu caminho acadêmico. “Serviu-me como cartão de visitas à faculdade”, diz.

Além do vestibular, Vinicius queria contribuir para avaliar o ensino do País. “Era mais ‘fácil’, menos impactante (a prova) que um vestibular, porque seu propósito não era diferenciar estudantes, mas já era séria”, avalia. Doutor em Matemática pela Universidade do Illinois, dos Estados Unidos, hoje ele leciona na Universidade Federal do ABC.

Sobre a importância de fazer o Enem, ele é enfático. “É claro que vale a pena! O Enem tornou-se o vestibular de muitas instituições e um componente decisivo em outros; então, quem deseja cursar o nível superior dará grande atenção a essa prova”, afirma.

Arquivo pessoal
Edson Didoné, de candidato a professor: o Enem rendeu segurança para o vestibular e intercâmbio
Dica de professor

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não deixou de fazer parte da vida de Edson Roberto Didoné Júnior nem na vida adulta. Destaque na prova em 1999, ele gabaritou a prova de conhecimentos gerais e ficou com 95 na redação. Estudante de uma escola técnica estadual em Americana, no interior de São Paulo, Edson queria usar a nota no vestibular da USP. Mas, segundo ele, o bom desempenho no Enem lhe deu muito mais.

“Não imaginava tirar uma nota tão boa. Isso me deu muita segurança para passar onde eu queria: o curso de Geografia da USP. Depois, uma série de outros eventos surgiu”, conta. Edson foi selecionado para participar de um intercâmbio de um mês, viajando pelo Brasil e Portugal, em uma comemoração de 500 anos do descobrimento do Brasil. O critério de seleção foi a nota no Enem. Ele diz que portas profissionais também se abriram depois.

Hoje, aos 30 anos, Edson dá aulas em turmas de ensino médio e de cursinho no interior de São Paulo, perto de Americana. O Enem voltou a fazer parte da sua rotina. “Apesar do Enem ter mudado, ainda me sinto seguro para falar da minha experiência com os alunos. O fundamento em competências e habilidades ainda é o mesmo”, diz. Na opinião dele, é possível “aprender durante a prova, com os enunciados”. “Acho isso fabuloso”, define.

Professor orgulhoso do que faz, diz que os estudantes devem prestar atenção às informações colocadas nas provas, devem cuidar do texto, prestar atenção aos mapas. São dicas universais, segundo ele.

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