Aluna vai à Justiça e tem inscrição confirmada a horas do Enem

Candidata que recebeu caderno com problemas obteve liminar para refazer a prova, após não ter sido chamada pelo governo

Marina Morena Costa, enviada a Curitiba |

Após uma peregrinação no Ministério Público Federal, no Ministério da Justiça e no Ministério da Educação (MEC), a estudante Marcela Gayer, de 18 anos, conseguiu uma liminar na Justiça Federal para refazer a prova do Enem. A decisão da juíza Soraia Tulio da 4ª vara federal do Paraná saiu na tarde da última terça-feira, véspera da prova, e a confirmação da inscrição de Marcela foi liberada pelo Inep na manhã desta quarta-feira, a poucas horas do exame.

A estudante, que quer cursar Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR), recebeu a prova amarela com questões repetidas e não foi convocada para refazer o Enem. “Liguei quatro vezes para o Inep, fui pessoalmente ao Ministério Público Federal, ao Ministério da Justiça e ao MEC (em Curitiba) e até sexta-feira não tinha recebido nenhuma resposta”, conta.

Nesta semana, a estudante procurou uma advogada e entrou com uma Ação Ordinária com pedido de Tutela Antecipada na Justiça Federal do Paraná, recurso que dá ao candidato o direito de refazer o Enem, mesmo com a ação que pede a suspensão do exame ainda em curso.

A advogada de Marcela, Fernanda Vanini Ibrahin Penteado, entrou com o pedido de tutela às 11h de terça-feira (14) e recebeu a decisão favorável às 16h30 do mesmo dia. “O sistema no Paraná é todo virtual e, como pedi urgência, a ação foi analisada rapidamente”, relata. Para a advogada, o caso de Marcela e de muitos outros estudantes demonstra a desorganização do Enem e a falta de informação dos fiscais. “Não houve uma orientação conjunta sobre como proceder nessa situação (prova com erros), pois cada fiscal agiu de uma forma”, aponta Fernanda.

Após a decisão judicial, Marcela passou pela ansiedade de descobrir onde seria seu local de prova. “Ligamos no MEC e eles não deram a mínima. Não sabiam nos informar, um absurdo total”, reclama Teka Gayer, mãe de Marcela. A tensão só passou horas antes do exame, quando o sistema liberou a inscrição da estudante apontando a Unibrasil como local de prova.

O nome de Marcela não constava nas listas de candidatos coladas nas paredes do local do novo exame, mas um fiscal da Cesgranrio, concessionária responsável pela aplicação do Enem, explicou que com a liminar é possível realizar a prova. O documento fica retido pela organização, mas garante o direito do candidato prestar o Enem. Ainda resta saber se vai dar tudo certo, pois o MEC pode recorrer da decisão e invalidar a segunda prova de Marcela.

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