Aliviados, candidatos encerram Enem sem novos problemas

Segundo estudantes que refizeram exame nesta quarta-feira, prova foi bem elaborada e não parecia nada improvisada

Marina Morena Costa, enviada a Curitiba (PR) |

A polêmica nova prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) acabou. Os candidatos que foram prejudicados por erros de impressão no exame realizado em novembro e foram chamados a refazer o a prova saíram das salas de aula nesta tarde aliviados, por terem terminado essa etapa. Segundo relatos dos estudantes, a prova de Ciências Humanas e Ciências da Natureza não teve problemas, foi bem elaborada e não parecia improvisada.

Para esta reaplicação, 9,5 mil candidatos foram convocados em 17 estados da federação: Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Ceará, Sergipe, Piauí, Pernambuco, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Bahia, Rio Grande do Sul, Pará, Tocantins, Goiás, São Paulo e Amazonas. Outros 35 estudantes foram inseridos por força de liminar e a abstenção registrada foi pouco superior a 50% .

"Chamamos muito mais alunos do que o previsto inicialmente porque tentamos dar oportunidade ao maior número de estudantes que pudessem ter se sentido prejudicados. Mas com certeza muitos deles não se sentiram. Ou não se saíram muito bem no domingo e acharam que não valeria a pena fazer a prova hoje", avaliou o ministro Fernando Haddad.

O local com maior número de convocações foi Curitiba, capital do Paraná, onde cerca de 2 mil provas tinham erros de impressão que repetiam questões. Leysean Margas, de 26 anos, era uma das 1.200 inscritas para fazer a prova na Unibrasil, no bairro Tarumã. Ela achou a prova um pouco mais difícil, mas disse que estava bem organizada e “não parecia feita as pressas”.


Liminares na Justiça
De acordo com balanço do Inep, 35 estudantes conseguiram fazer a prova com liminares concedidas pela Justiça Federal. Este foi o caso de Francisco Jonas Braga Bandeira, de 25 anos, de Fortaleza , e Marcela Gayer, de 18 anos, de Curitiba, que conseguiu na Justiça o direito de refazer o Enem na véspera da reaplicação . Ao final da prova, Marcela comemorou aliviada: “Valeu a pena. Fui bem melhor”. A estudante relatou que sua sala estava bastante vazia, com apenas quatro candidatos, reflexo da abstenção que atingiu mais da metade dos convocados. Alex Henrique Blenk, de Curitiba, não teve a mesma sorte. Ficou sabendo da liminar somente às 12h45min e não conseguiu chegar em tempo ao local de prova .

Mesmo nível

Diferente, porém similares. Muitos estudantes definiram assim as duas provas de Ciências Humanas e Ciências da Natureza do Enem. Para Marina Riedi Guilherme, de 20 anos, que quer cursar medicina na Universidade Federal do Paraná (UFPR), as duas provas tinham o mesmo nível de dificuldade. “Não vi diferença. A prova estava bem elaborada, alguns assuntos se repetiram, mas sem surpresas”, avaliou.

Robertson Cesar Luz/Fotoarena
Marcel Calegari, ao lado de Mariana Massaro, pegou a prova amarela três vezes: "ela está me perseguindo"
Marcel Oliveira Calegari, 17 anos, reclamou dos enunciados longos. “Eles diminuíram a quantidade de texto nas duas últimas provas, mas nesta voltaram as perguntas enormes”, destacou. Segundo o estudante, a falta de relógio causou confusão em sua sala. Candidatos queriam que a fiscal anotasse na lousa o horário e um coordenadora deu uma bronca nos alunos. “O treinamento dos fiscais ainda deixa muito a desejar”, reclamou.

A colega de escola Mariana Massaro não gostou de refazer o exame nas férias. “Estou fora do ritmo de estudos. Fazer prova assim não é legal”. Para Mariana, a prova parecia “um Enem normal”, no mesmo modelo.


Isonomia em dúvida


Robertson Cesar Luz/Fotoarena
Candidatos deixam prédio da Unibrasil onde muitos dos 1.200 inscritos em prova substituta faltaram
Apesar de não ter encontrado erro no novo exame, a candidata Mayara Costa Rosa, 17 anos, ainda se sente prejudicada. Ela vai tentar uma bolsa do Prouni e acredita que não há garantias de que fez uma prova com o mesmo grau de dificuldade da primeira, quando recebeu um cartão de perguntas com erro. "As provas nunca serão idênticas, é muito difícil ser igual", lamenta.

O Ministério da Educação aplica um sistema chamado de Teoria da Resposta ao Item (TRI) que, teoricamente, garante que questões diferentes avaliem as mesmas capacidades dos alunos.

Já Maria Eugênia Burger, de 17 anos, não se sente prejudicada porque teve mais tempo para estudar do que quem fez a prova em novembro. “Em compensação estamos sem aula há algum tempo e você acaba saindo do ritmo dos estudos”, destaca.


Sem cabeçalho desta vez

Depois da confusão da troca de cabeçalho na prova original - que invertia os temas na folha de resposta em relação ao caderno de perguntas -, dessa vez não havia qualquer título no gabarito. A folha continha apenas o local para marcar as alternativas corretas para as 90 questões.

Convocados por engano
Como o iG já havia publicado, alguns estudantes foram convocados para a nova prova do Enem sem necessidade . Tiago Gonçalves Araújo recebeu a prova amarela no dia 6 de novembro, mas sem erros. “Não reclamei, mas me chamaram. Vim porque minha mãe insistiu”, conta o estudante do 2º ano do ensino médio, que presta o Enem como treineiro.

A candidata Luiza Jardim, de 19 anos, também não teve problemas com o caderno de provas e mesmo assim foi chamada para repetir o exame. “Para mim foi como uma segunda chance. Acho que os fiscais colocaram o meu nome no meio”, afirma.

    Leia tudo sobre: Enemnova provasegunda provaprova substituta

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG