Sem miojo nem Palmeiras, eles foram barrados por redação no Enem

Por iG São Paulo |

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Enquanto receita e hino garantiram nota razoável, candidato de Portugal não conseguiu mínimo e outro sem erros evidentes teve descontos que o deixaram fora de Medicina

Depois que foram conhecidas e justificadas notas razoáveis para redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) com deboches e pontuações máximas para textos com alguns erros cresceu a indignação de quem já achava injusta a própria nota. Entre os casos, há um português formado que recebeu 40 pontos a menos do que o mínimo que precisava para certificação do ensino médio no Brasil e um jovem que está a três pontos de uma vaga em Medicina na Universidade Federal Fluminense (UFF) e teve 40 descontados na competência “domínio da norma da língua escrita”, embora não tenha tido erros evidentes.

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Reprodução
Trecho da redação de Joaquim Barrancos

“Estão a brincar?”, perguntou Joaquim da Conceição Barrancos, 49 anos. Formado em Portugal ele se mudou para o Brasil há 5 anos e era um exemplo vivo do tema da redação do Enem 2012 “Movimentos imigratórios para o Brasil no século XXI”. Como estava enfrentando muita burocracia para validar o diploma técnico de seu país resolveu prestar o exame. Precisava de 400 pontos em cada área de conhecimento em 500 na redação. “Tirei mais de 600 em todas as áreas e, no que sempre fui melhor, 460”, lamenta.

Clique aqui para ver a redação completa do Joaquim Barrancos

Casado com uma professora de línguas, ele acha que frases como “está a vigor” em vez de “vigorando” e “tudo terá tendência a mudar” em vez de “tende a mudar” foram tomadas como erro. “Em tempos de acordo ortográfico, ficamos indignados, muito mais ainda quando vimos que uma receita prejudicava menos do que usar um português que, vá lá, é mais próximo da norma culta do que o brasileiro”, reclama.

Indignação parecida teve o estudante Matheus Oliveira Bastos, 18 anos, que recebeu nota 720 para sua redação. “Fui, durante o ano de 2012, aluno exemplar do Colégio PH do Rio de Janeiro, me preparando para o Enem da maneira mais plena que pude. Logo após a prova, ao ver o gabarito oficial, tive a primeira impressão de que o trabalho de um ano havia valido a pena: acertei 163 questões. Só faltava a redação, que, particularmente, era minha melhor matéria, para poder sonhar com a aprovação em uma faculdade pública de Medicina”, escreveu ele ao iG, na esperança de receber uma reavaliação.

Reprodução
Trecho de redação com nota 720 que deixou Matheus fora de Medicina

O maior desconto em sua nota foi na competência 3, relativa a organização dos argumento, em que obteve 100 de 200 pontos possíveis. “Tudo bem, esse critério é mais subjetivo”, diz. Ele questiona principalmente a primeira competência, que também atribui 200 pontos conforme o domínio da norma escrita. Bastos obteve 160, enquanto outras redações com erros com “enchergar” e “trousse” obtiveram nota máxima. “Agora estou na lista de espera a três pontos e meio da nota de corte, quando acho que me tiraram 40 e, com isso, estou matriculado no cursinho, quando já podia estar realizando meu sonho de fazer Medicina.”

Clique aqui para ver a redação completa do Matheus Bastos

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