Região Norte tem apenas 13 escolas de elite no ensino médio

Maioria das escolas com média superior a 600 no Enem 2011, considerada uma nota que retrata excelência, ficam no Sudeste. Desigualdades atingem todas as redes de ensino

Priscilla Borges - iG Brasília |

Os sete estados da Região Norte têm juntos apenas 13 escolas de ensino médio que podem ser consideradas de elite. As instituições fazem parte do grupo de 974 colégios que atingiram médias gerais (das provas objetivas) superiores a 600 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2011. Essas unidades de destaque representam somente 3,6% das escolas brasileiras.

Consulte o ranking do Enem por escola em 2011

As notas das escolas no Enem 2011 foram apresentadas na semana passada pelo Ministério da Educação. Apenas as médias obtidas por 10.076 escolas (40,56% do total de participantes) foram divulgadas. Os colégios com menos de 10 alunos inscritos no exame ou com participação de menos de 50% de seus alunos não tiveram as médias conhecidas.

Apesar de não mostrar a realidade de todas as escolas – nem ser o únicos e mais completo indicador para avaliar a qualidade delas – o resultado do Enem em 2011 confirma que as desigualdades regionais do País, já conhecidas na oferta educacional, não se restringem a nenhuma rede de ensino.

O iG analisou as médias divulgadas pelo MEC e fez um recorte a partir da nota exigida dos estudantes que querem tentar uma bolsa no Programa Ciência sem Fronteiras, por exemplo. O governo considera que uma nota a partir de 600 no exame demonstra excelência do candidato. Essa é também a média que poderia ser considerada equivalente a de países desenvolvidos .

Leia também: Possíveis cotistas da rede pública têm desempenho melhor que privada

Mesmo na rede privada, considerada, em geral, de melhor qualidade do que a pública (seja porque seleciona seus alunos, seja pela cobrança feita pelos pais), as diferenças entre Estados e regiões são imensas. Em toda a região Norte, há 13 escolas nessas condições. Apenas uma é pública (e federal). Amapá e Roraima não possuem colégios com média superior a 600.

A maioria das escolas brasileiras que oferece ensino médio – 26.944, segundo o Censo Escolar de 2011 – está longe do desempenho ideal. Acima de 600 pontos, há 974 escolas. Destas, 898 são privadas, 55 são federais, 20 estaduais e uma é municipal, a Escola Técnica de Paulínia, em São Paulo. O Estado, aliás, possui a maior quantidade de unidades de elite: 336.

Concentração

A região Sudeste concentra a maior parte das escolas de bom rendimento. São 695 colégios com desempenho superior a 600 na média das provas objetivas. A quantidade de toda a região Norte chega somente a metade do número de escolas de elite do Estado com menos colégios de desempenho excelente no Sudeste, o Espírito Santo, que possui 25. Desse total, seis são institutos federais e o resto é da rede privada.

Veja ainda: Notas dos estudantes do ensino médio pioram no Enem 2011

Diferentemente do que ocorre na região Norte, esses colégios estão mais distribuídos pelo território estadual e não se concentram nas capitais. Em São Paulo, das 336 escolas de melhor rendimento, 318 são da rede privada, 16 escolas técnicas estaduais, uma federal e uma municipal.

A região Nordeste, mesmo com o maior número de Estados, não conseguiu ultrapassar a quantidade de escolas de excelência da região Sul. A primeira reúne 105 colégios com mais de 600 pontos e a segunda, 116. Alguns estados nordestinos têm poucos estabelecimentos de elite. Alagoas só possui três (todos privados), assim como o Maranhão.

Para poucos: Colégios da elite do Enem têm poucas turmas e fazem vestibulinho

A Paraíba tem quatro privadas nessa condição. O Rio Grande do Norte e Sergipe, seis cada um (dois institutos federais no Rio Grande do Norte). Piauí tem 14 escolas privadas de destaque e Pernambuco mais 15 colégios, sendo dois federais. O Ceará tem 20 e a Bahia é o estado com mais escolas de excelência: 34. Apenas uma é federal, o Colégio Militar de Salvador, mas todas estão bem distribuídas entre outras cidades.

Na região Centro-Oeste, só 45 colégios tiveram o desempenho de ponta. Do total, 23 fica em Goiás e 11 no Distrito Federal.

Pública X privada

As diferenças entre o desempenho médio das escolas públicas e das privadas também se reflete na média geral das provas objetivas. De acordo com o Ministério da Educação, os estudantes que estavam concluindo o ensino médio e fizeram as provas objetivas ficaram com uma média de 494,6 pontos .

Considerando essa pontuação, 6.077 escolas do total de 10.076 (as que tiveram as notas divulgadas) tiveram desempenho superior a essa média. Delas, 4.476 escolas são privadas, 1.348 são estaduais, 183 federais e 70 municipais.

Opinião: O jogo do perde e perde da divulgação das notas do Enem

Apesar de nem todas as escolas do País terem participado do Enem e menos da metade ter as notas divulgadas, as diferenças no desempenho impressionam. O País possui 7.791 colégios privados e, por esse critério, quase 60% teve desempenho acima da média. A situação no caso das estaduais, responsáveis pela maioria das matrículas do ensino médio no País, é a inversa.

Há 18.381 colégios estaduais no Brasil. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) não divulgou quantos deles participaram do Enem, mas 4.968 tiveram médias divulgadas. As que ficaram acima da média representam apenas 7,33% do total. No caso das federais, por sua vez, 55,8% ficaram com nota acima da média: 183 escolas das 199 cujas médias foram divulgadas.

Confira a distribuição de escolas com médias superiores a 600 pontos por Estado:

Acre: uma escola (privada)
Amapá: não tem
Amazonas: quatro escolas (privadas)
Alagoas: três escolas (privadas)
Bahia: 34 escolas (uma federal)
Ceará: 20 escolas (uma federal)
Distrito Federal: 11 escolas (privadas)
Espírito Santo: 25 escolas (seis federais)
Goiás: 23 escolas (uma federal)
Maranhão: três escolas (privadas)
Minas Gerais: 186 escolas (175 privadas e 11 federais)
Mato Grosso do Sul: nove escolas (uma federal)
Mato Grosso: duas escolas (privadas)
Pará: três escolas (uma federal)
Rondônia: duas escolas (privadas)
Roraima: não tem
Paraíba: quatro escolas (privadas)
Pernambuco: 15 escolas (duas federais)
Piauí: 14 escolas (privadas)
Paraná: 38 escolas (29 privadas e oito federais)
Rio de Janeiro: 148 escolas (131 privadas, 16 federais e uma estadual)
Rio Grande do Norte: seis escolas (duas federais)
Rio Grande do Sul: 51 escolas (45 privadas, quatro federais e duas estaduais)
Santa Catarina: 27 escolas (privadas)
Sergipe: seis escolas (privadas)
São Paulo: 336 escolas (318 privadas, 16 estaduais, uma federal e uma municipal)
Tocantins: três escolas (privadas)

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