Professores fazem balanço do Enem 2012. Veja avaliação por eixo temático

Cinco questões da prova de ciências da natureza dão margem a divergência, segundo educadores

Carolina Lopes - especial para o iG |

Estudantes bem antenados, capazes de interpretar informações e fazer conexões não devem ter tido dificuldade em resolver as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2012. Essa é a opinião dos professores do cursinho da Poli, que fizeram a correção das provas do exame deste ano.

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Os especialistas avaliam  que as provas do eixo ciências da natureza e a de matemática exigiram menos dos candidatos do que as de ciências humanas e a de linguagens, códigos e suas tecnologias. Nesse sentido, estudantes que tiveram melhor desempenho nos dois últimos eixos temáticos devem sair na frente dos demais, uma vez que a nota do Enem é calculada com base na teoria de resposta ao item (TRI). O cálculo final não soma a quantidade de respostas certas, mas a qualidade destas respostas. 

Bruno Zanardo/Fotoarena
Candidatos conferem respostas da primeira prova do Enem no fim do dia

Veja o gabarito das provas , segundo os professores da Poli

Avaliação das provas por eixo temático

Ciências Humanas

Conteúdos de sociologia e filosofia, disciplinas novatas no currículo escolar, vieram com força total. Gonzalo Vergara, professor da mesma disciplina voltada para o Enem da Poli, acredita que filósofos como Platão, Kant, Descartes, Habermas, Maquiavel e Montesquieu tiveram um destaque acima do usual. Ele avalia que as questões de humanas não tenham sido fáceis, mas que o aluno antenado e com um bom repertório prévio não tenha tido dificuldade de realizar a prova. “Muitas das questões deixavam pistas da resposta no próprio enunciado”, indica. Ele cita a questão 42 da prova amarela, que aborda o pensamento de dois filósofos, Anaxímenes de Mileto e Basílio Magno, mas que não exigia conhecimento prévio sobre os pensadores para ser resolvida.

Ciências da Natureza

Embora o eixo temático tenha apresentado o maior número de questões polêmicas e tenha sido considerado pelos professores do cursinho da Poli como um dos mais difíceis do Enem de 2012, o professor Joel Pontin avalia que o estudante bem informado, capaz de fazer relações, teve elementos suficientes para resolver a prova. Ele acredita que a matéria, que se baseou muito em atualidades, fugiu do estilo das provas dos últimos anos. “Na história do Enem, apenas em 2002 o exame apresentou uma prova com esse perfil”, contextualiza.

Matemática

Considerada pelos professores do cursinho da Poli como a mais fácil do Enem de 2012, a prova  foi “fácil, com questões objetivas, sem pegadinhas e apresentando questões coerentes” na opinião da professora de matemática do cursinho, Thais Oliveira. Embora a prova tenha apresentado uma gama de questões com caráter interpretativo, não ficaram de fora as questões clássicas envolvendo gráficos e tabelas e as que exigiam que o candidato transformasse informações visuais em numéricas. “Todas as questões estavam muito bem contextualizadas e procuravam se aproximar do cotidiano do aluno”, avalia a especialista.

Línguas estrangeiras

Os professores de inglês e espanhol da Poli, Gonzalo Vergara e Lúcia Helena Martins respectivamente, acreditam que as provas de línguas estrangeiras sofreram uma evolução ao longo dos anos. A aproximação básica com a língua na prova de espanhol e a capacidade interpretativa na prova de inglês, foram os principais requisitos na opinião dos professores.

Gonzalo afirma ainda que a prova de espanhol não exigiu vocabulário nem gramática apurada. Nem os falsos cognatos, muito comuns em exames da língua, marcaram presença no Enem 2012. “Foi uma prova tranquila, mas bem elaborada, com eixo temático definido”, opina o professor, que destaca a América Latina como tema central dos textos apresentados.

Já a professora Lúcia elogia a pluralidade de gêneros apresentados na prova que exigia atenção máxima dos estudantes para que pudessem interpretá-los de forma correta, uma vez que a prova apresentou inúmeras questões com respostas parecidas. Ela cita como exemplo dessa pluralidade de gêneros questões com cartoon, citação de música e poema. “Achei uma prova inteligente. Acretido que a tendência é que ela fique cada vez melhor”, arrisca.

Linguagens, códigos e suas tecnologias

A avaliação foi a de que houve uma melhora sensível na elaboração dos enunciados, que estavam mais claros. Essa é a opinião do professor de português da Poli Claudio Caus Rosa. O especialista acredita que também houve um equilíbrio maior entre os temas  exigidos no ensino médio este ano. “Os exames anteriores falavam só sobre temas contemporâneos. Agora a prova se mostrou mais homogênea, com temas mais clássicos, abrangendo melhor os conteúdos do ensino médio em todos os períodos históricos”, opina. Ele acredita que a prova tenha sido bem elaborada, embora tenha exigido atenção maior na interpretação dos enunciados. O especialista chama atenção ainda para a presença de vocabulário rico, fatores que exigiram mais dos candidatos do que em anos anteriores.

Redação

De acordo com a professora Vanessa Mesquista, o tema da redação surpreendeu deste ano por apresentar um assunto muito contemporâneo e distante ainda do cotidiano dos estudantes até por não ter sido amplamente trabalhado em sala de aula. “Isso pode ter desencadeado em alguns estudantes uma linha argumentativa frágil por falta de repertório”, avalia. Outra complicação que os estudantes podem ter encontrado em desenvolver o tema, foi manter discurso respeitoso às diversidades. “Acredito que o estudante que tem um olhar mais aprofundado, que consegue aceitar as diferenças, foi melhor nessa prova”, resume.

Integração social é a solução apresentada na redação por alunos do Enem

Questões polêmicas

Os professores da Poli apontaram as questões 49, 51, 57, 64 e 84 (prova amarela),  todas de Ciências da Natureza, como as que mais deram margem para divergências.

O professor Joel Pontin faz um destaque especial para a questão 49. Para o especialista, a questão que envolvia conhecimentos de propagação da onda no meio, apresentava dados imprecisos (o comprimento da onda) e suscitou a dúvidas como se o meio teria mudado. “O que para muitos pode ser considerada um equívoco, para outros pode ser vista simplesmente como um indicativo desse novo ensino médio que se busca”, sem opinar se a questão estava bem formulada. Ele explica que a resolução da questão dependia exclusivamente da capacidade do aluno de fazer relações com base em conhecimento prévio sobre o conceito de propagação da onda no meio, e não da aplicação de fórmulas que levariam a um resultado numérico.

Para os professores do cursinho, a prova de Ciências Humanas, também aplicada no primeiro dia, não gerou tantas dubiedades, exceto pela questão 20 (prova amarela). A questão exigia que, com base na interpretação de uma imagem do século 300 a.C, o candidato identificasse um contexto político dos romanos a que a imagem se referia. Segundo o professor Gonzalo Vergara, havia elementos na imagem que poderiam levar os estudantes a assinalar como corretas as respostas “d” ou “e”.

Para os professores do cursinho da Poli, as provas do segundo dia não geraram questões dúbias, apenas atenção redobrada por parte dos estudantes.

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