Enade: 17 cursos de medicina têm baixo desempenho

Dos 103 cursos de medicina avaliados pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), 17 apresentaram baixo desempenho e serão submetidos a um processo de supervisão pelo Ministério da Educação (MEC). As faculdades - quatro delas federais - terão agora um prazo para justificar o mau rendimento e apresentar propostas para melhorar a atuação.

Agência Estado |

Caso seja necessário, visitas de consultores serão realizadas. Se nada disso der resultado, escolas superiores poderão ser fechadas.

O ex-ministro da Saúde Adib Jatene é o presidente da comissão criada para avaliar a qualidade do ensino de medicina. Serão três níveis de acompanhamento: regras para autorização de novos cursos, reconhecimento - que faz a análise antes de turmas serem formadas - e supervisão de cursos em andamento. Os resultados iniciais foram apresentados hoje.

"Será um trabalho difícil, complexo", afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad, hoje, ao divulgar os resultados. Haddad admitiu que o índice de baixo desempenho dos cursos de medicina (16% dos avaliados) não o surpreendeu. Segundo ele, nos demais cursos, a média de baixo desempenho também girou em torno dos 20%. Para Haddad, no entanto, é preciso ainda esperar a justificativa das instituições de ensino para se formar um quadro completo da situação. O ministro da Educação disse que não pode ser descartada, por exemplo, a hipótese de boicote aos exames - o que empurraria para baixo o desempenho no Enade.

Jatene citou a explosão dos cursos de medicina - registrados ao longo dos últimos 20 anos - como um dos fatores principais para a baixa qualidade do ensino. Em 1994, havia 80 escolas de medicina. Atualmente, são 175. Um processo que, na avaliação de Haddad, é fruto da falta de regras para impedir o crescimento fora dos padrões. Para o ministro, é essencial que essa análise nos três momentos da faculdade seja posta em prática.

Autorização

No caso de autorização para cursos novos, regras mais rígidas foram propostas. O modelo-padrão deverá ser analisado e, caso os resultados não sejam adequados, poderão, novamente, ser alterados. Entre as normas consideradas essenciais pelo ex-ministro da Saúde, está a exigência de que cursos de medicina tenham um hospital referência regional funcionando há, pelo menos, dois anos.

Para Jatene, essa experiência da fiscalização nos três momentos permitirá corrigir as distorções detectadas nas novas escolas. "Profissionais têm de ser, realmente, capazes para atender a população", completou. Entre as escolas com conceitos 1 ou 2 (baixos) no Enade e no Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD) está a mais antiga faculdade do País, a de Medicina da Bahia - que completou em 2008 200 anos. Para Haddad, o fato de na lista figurarem quatro instituições federais não preocupa. "Federais também estão no grupo das que obtiveram melhor desempenho", justificou. Entre elas, cursos oferecidos nas Universidades Federais do Rio Grande do Sul (UFRGS), de Goiás (UFGO), de Ciências da Saúde de Porto Alegre, de Santa Maria (UFSM), do Piauí (UFPI) e de Mato Grosso (UFMT).

No caso das quatro federais com baixa atuação, o MEC deverá acompanhar o processo de saneamento. Se necessário, disse Haddad, recursos extras serão fornecidos.
Dos 103 cursos avaliados, assim como ocorreu com os de direito, as faculdades com conceitos 1 e 2 terão de apresentar um diagnóstico das razões que levaram a esse resultado e um plano de reestruturação - nessa sugestão, podem ser incluídas recomendações para contratação de novos professores, redução do número de vagas, melhoria das instalações. Se tais medidas forem suficientes, um termo de saneamento pode ser assinado. Se não houver consenso, cursos poderão ter até mesmo o reconhecimento do curso cassado. "O desejo, porém, é que todas elas sejam de boa qualidade, que todo o sistema se eleve", afirmou o ministro.

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