SÃO PAULO ¿ Estão abertas as inscrições para a oitava edição do programa ¿Jovens Embaixadores¿, projeto da Embaixada dos Estados Unidos que levará 35 estudantes de escola pública do Brasil para passar três semanas em cidades americanas, com todas as despesas pagas.

Para participar do processo seletivo, os jovens precisam estudar na rede pública de ensino; ter entre 15 e 18 anos; boa fluência oral no inglês; bom desempenho escolar; iniciativa e boa desenvoltura oral; demonstrar flexibilidade e facilidade para adaptar-se a realidades e culturas diferentes; manter bom relacionamento em casa, na escola e na comunidade; comprovar que sem ajuda financeira não conseguiria viajar ao exterior; e possuir engajamento em atividades de responsabilidade social e de voluntariado há pelo menos um ano.

Segundo o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Cliffor Sobel, o último requisito é o mais importante. Para ser um Jovem Embaixador, é preciso ter liderança e, sobretudo, consciência social, afirmou, em entrevista ao iG. Eles precisam ser pessoas que entendem a importância de contribuir com a sociedade, de ajudar os menos afortunados. E se esse trabalho é uma prioridade para eles, transparece na ficha de inscrição e nas provas.

Desde 2002, quando o programa foi criado, 177 estudantes brasileiros tiveram a oportunidade de ir para os Estados Unidos. A Embaixada diz que o objetivo do projeto de intercâmbio cultural não é apenas aprimorar a proficiência em inglês dos participantes, mas, também, ampliar seus conhecimentos e horizontes acadêmicos e profissionais, e estimular a troca de informações entre americanos e brasileiros.

O entusiasmo dos 35 jovens que participaram da edição deste ano era visível no dia do lançamento do programa, quando muitos choravam e diziam que, nas duas semanas em de viagem (a duração do projeto aumentou para a oitava edição), construíram uma família.

A amizade com os outros participantes foi a melhor lembrança que Mychelle Bueno, 17 anos, trouxe dos Estados Unidos. Duas semanas parece pouco tempo, mas a experiência foi muito forte, disse ela, que faz faculdade de Engenharia Civil em Cuiabá e tem planos de voltar ao exterior para estudar. Mychelle ficou em Charlotte, na Carolina do Norte, trabalhando com crianças em um museu. A experiência a ajudou a aprimorar suas atividades sociais na Igreja em que frequenta, também com crianças.

Samuel Oliveira, 18 anos, também conseguiu fazer a viagem para os Estados Unidos render frutos aqui no Brasil. Apaixonado por inglês, como ele mesmo define, Samuel dá aulas de inglês para pessoas carentes. Depois de se tornar um jovem embaixador, aumentou o número de alunos, que têm entre dez e 40 anos.

Além de também valorizar a família que ganhou com o programa, ele diz que a viagem o mostrou que pode mudar o mundo e inspirar outras pessoas a fazer o mesmo. Não por acaso, em seu discurso durante o lançamento do programa, Samuel pediu que todos os presentes se levantassem para gritar o tema da campanha do atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama: yes, we can (sim, nós podemos).

Por terem visitado os EUA entre 9 e 24 de janeiro, os estudantes assistiram à posse de Obama (realizada no dia 20), e ficaram emocionados com a empolgação e o patriotismo dos americanos. O embaixador dos Estados Unidos, Clifford Sobel, disse que nos cem primeiros dias de governo, a serem completos nesta quarta-feira, Obama se aproximou da América Latina durante a Cúpula das Américas, evento realizado em Abril em Trinidad e Tobago.

A Cúpula mostrou uma nova dinâmica, na qual os líderes eleitos democraticamente na América Latina ouviam o presidente dos Estados Unidos, e eram ouvidos por ele também, afirmou Sobel, dizendo esperar que, nas próximas edições do programa, a primeira-dama Michelle Obama repita o gesto da antecessora, Laura Bush, e encontre os jovens embaixadores brasileiros.

Para este ano, a Embaixada espera receber três mil inscrições. Os interessados em participar do processo seletivo devem se inscrever até o dia 12 de agosto. Mais informações podem ser encontradas no site .

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