Em São Paulo, 60 nutricionistas trabalham com merenda para escolas municipais

Elaboração de cardápio, controle de qualidade, compra de alimentos, fiscalização de escolas e de empresas terceirizadas de alimentação são algumas das atividades desenvolvidas pela equipe de 60 nutricionistas e 120 funcionários do Departamento de Merenda Escolar (DME) da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

Marina Morena Costa, iG São Paulo |


O ponto de partida do trabalho é a elaboração do cardápio e do edital de marcas de alimentos, publicados mensalmente no Diário Oficial. Agrônomos e veterinários acompanham a compra de frutas, legumes, verduras, carne e leite nos centros de abastecimento. Conferem peso, qualidade e o preço pago pela prefeitura, conta Caroline Bordin Zorer, nutricionista do DME.

Daniela Picalho é uma das nutricionistas responsáveis pela elaboração do cardápio de merenda escolar fornecida por empresas terceirizadas. Verifico quais são as frutas, legumes e verduras da estação, e monto o cardápio de acordo com as safras e as regras do plano alimentar (decreto que estipula a frequência e quantidade mínima de cada alimento por mês), explica.

Marina Morena Costa

Prato colorido agrada as crianças do CEU Butanta

No CEU Butantã, escola visitada pela reportagem, os alunos do ensino fundamental I e II realizam duas refeições por dia: almoço e lanche. Segundo as cozinheiras são feitos diariamente 12,5 kg de arroz, 8 kg de feijão e 50 kg de carne, frango ou peixe (todos in natura).

No dia da visita, os alunos mais novos, do 1º ao 4º ano, almoçaram arroz, feijão, ovo mexido e beterraba, com suco natural de caixinha e melão de sobremesa. As crianças se divertem com o prato colorido e aprendem a colaborar com a limpeza, jogando as sobras no lixo e colocando os pratos em uma pilha antes de deixar o refeitório.

Análise

Para Ana Luiza Sander Scarparo, nutricionista do Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição do Escolar (Cecane Sul), ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o cardápio do CEU Butantã parece adequado. (A escola segue o cardápio elaborado pela DME para escolas com atendimento terceirizado ¿ veja aqui.)

Ana Luiza faz uma ressalva quanto a proximidade entre o lanche e o almoço das crianças do turno da manhã, que realizam a primeira refeição das 9h20 às 9h40 (1º e 2º anos) ou das 9h50 às 10h10 (3º e 4º anos) e almoçam às 12h. É pouco intervalo de tempo entre o lanche e o almoço, menos de três horas. Aquela criança que toma café da manhã em casa, lancha e almoça na escola está recebendo nutrientes além de suas necessidades, avalia a nutricionista.

Neste caso, o excesso de nutrientes pode provocar um quadro de obesidade infantil. Quando a criança ingere mais calorias e nutrientes do que precisa, pode ser prejudicial, alerta a nutricionista.

Se a criança não toma café da manhã em casa, é provável que sinta fome até a hora do lanche, destaca Ana Luiza. Para a especialista, uma solução seria oferecer o lanche mais cedo. É importante conhecer a realidade dessas crianças, verificar a rotina alimentar delas, a adesão e a aceitação às refeições, para poder ajustar o cardápio e balancear melhor os horários, ressalta.

Apesar de bem balanceado, o cardápio analisado poderia ter mais frutas, adverte Ana Luiza. Alguns dias não têm fruta no lanche. A única mudança que eu faria seria incluir mais frutas. Uma sugestão é oferecer um leite batido com frutas, em vez de ser batido com achocolatado ou com cereal.

Há bastante variedade e o cardápio não é repetitivo. Porém, para atrair as crianças uma opção seria elaborar um arroz colorido, com carne e legumes, e oferecer o arroz integral, pelo menos uma vez por semana, sugere Ana Luiza, que presta consultoria e capacitação de profissionais da área de alimentação infantil.

Fiscalização

Na equipe do Departamento de Merenda Escolar (DME) da Secretaria de Educação, 39 nutricionistas supervisionam as 2.404 escolas, divididas em 13 diretorias de ensino. Cada profissional visita três unidades por dia, o que dá uma média de 15 escolas por semana. Verificamos as condições de higiene, dependências, estrutura e se as empresas terceirizadas seguem as normas exigidas no edital, relata Ana Cristina Mourão Santos, nutricionista da supervisão do DME.

Mesmo assim, há denúncias em relação às condições de higiene em escolas da prefeitura de São Paulo. A Vigilância Sanitária e o Conselho de Alimentação Escolar já relataram problemas graves de falta de higiene na merenda.

Em setembro do ano passado, a gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) decidiu cortar uma das cinco refeições diárias servidas nas creches da capital. A medida  causou polêmica e fez com que a administração voltasse atrás  da decisão no dia seguinte.

Marina Morena Costa

Cardápio fica exposto para crianças conferirem

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