Em Mato Grosso, curso de direito não tem professor doutor

Univag, uma das maiores do Estado, foi punida pelo MEC e não poderá abrir novos cursos nem aumentar número de vagas

Helson França, iG Mato Grosso |

Casos como falta de doutores para ministrar aulas de Direito e cursos onde os professores sequer possuem título de mestre fizeram com que o Centro Universitário de Várzea Grande (Univag), um dos maiores de Mato Grosso, fosse penalizado pelo Ministério da Educação (MEC). Assim como outras 14 universidades do País que tiveram um desempenho considerado insatisfatório na última avaliação do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), a Univag fica impedida de aumentar o número de vagas ou abrir novos cursos - pelo menos até que os problemas sejam resolvidos.

Dos 310 professores que atuam na instituição, somente 60 deles são doutores. A carência de mestres também é grande: 124 professores que ministram aulas não possuem mestrado.A pró-reitora acadêmica da Univag, Elisabet Aguirre, disse que os problemas da universidade são localizados na área de humanas. “Nos cursos da área de saúde, onde sobram doutores, as notas no Enade costumam ser muito boas”, afirmou Aguirre.

As áreas problemáticas, segundo ela, são onde os professores não possuem nem título de mestrado, como nos cursos de Técnico em Análise de Desenvolvimento de Sistemas ou de Gestão Pública. Em outros cursos bastante visados, como Administração, o número de professores mestres é mínimo. Na Administração são só dois mestres.

De acordo com a pró-reitora, uma das dificuldades da universidade é a pouca oferta no mercado de professores com qualificação necessária. “E, ainda assim, os poucos que tenho não ficam muito na universidade”. Ela disse que, no último concurso da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), 100 professores da Univag migraram para a instituição federal. Entre as razões, o salário maior e a estabilidade no cargo.

Outra grande universidade mato-grossense, a Unirondon também foi penalizada pelo MEC devido aos resultados ruins do último Enade. O reitor da instituição, Adonias Gomes de Almeida Júnior, não quis se pronunciar a respeito.

Não é a primeira vez que ambas as universidades passam por sanções do MEC. Em 2009, a exemplo de outras três instituições privadas de ensino superior situadas em Mato Grosso, elas obtiveram nota 2 (numa escala de 1 a 5, sendo 1 a pior nota e 5 a melhor) no Índice Geral de Cursos (IGC). Com isso, ficaram impedidas de abrir novos campi e cursos, por exemplo.

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