Em Brasília, aulas começam sem professores e infraestrutura

Na volta às aulas, Secretaria de Educação convoca 400 professores e precisa de mais 2,6 mil. Quase 300 escolas serão reformadas

Priscilla Borges, iG Brasília |

Ansiedade para os novos alunos, alegria em rever os colegas, tristeza pela despedida das férias, preguiça para recomeçar os estudos. Na volta às aulas, sentimentos contraditórios dividem as falas e as expectativas dos estudantes. No Distrito Federal, no meio de tantos conflitos naturais ao momento, milhares de jovens enfrentam problemas básicos nas escolas: falta de professores e infraestrutura adequada.

Fellipe Bryan Sampaio
Os estudantes do Centro Educacional 1 do Cruzeiro, em Brasília, convivem com a falta de infraestrutura: os pisos muito antigos estão quebrados
O Centro Educacional 1 do Cruzeiro aguarda uma reforma há anos. Escola antiga, ainda possui chão de tacos, fiação elétrica velha (o que provoca curtos circuitos e quedas de energia), quadras esportivas quebradas, falta de laboratórios. E o pior: ainda faltam professores. “Hoje eu só tive dois horários. Mas muita gente não veio pra aula também”, conta Mariá Carla Agostinho Fernandes, 15 anos, aluna do 1º ano do ensino médio.

O pai de Mariá conseguiu voluntários para, pelo menos, pintar as paredes da escola antes de as aulas começarem. A diretora do colégio, Lúcia Maria Castro, conta que há seis anos, desde que trabalha no CED 1, solicita a reforma dos prédios. Até hoje coleciona promessas. “O novo governo se comprometeu a realizar as obras, mas não definiu data. A gente espera que, dessa vez, a promessa saia do papel”, diz.

A pintura, segundo ela, ajudou a dar um aspecto de limpeza ao ambiente. Os estudantes reconhecem que o clima melhorou nesse começo de ano letivo. Elioenai Ferreira da Silva, 16 anos, concorda com a diretora. “Era bem pior. Mas os ventiladores não funcionam direito, tem dia que falta água, luz... Mas amo essa escola. Os professores são muito bons”, afirma.

O amigo Carlo Romanini Beviláqua, 16 anos, também defende o colégio. Primeiro a chegar à escola nesta quinta-feira, primeiro dia de aulas na rede pública do Distrito Federal, não esperou nem o irmão gêmeo levantar. Às 6h25 já estava a caminho do colégio, distante cinco minutos de casa. “Gosto de chegar cedo, queria rever as pessoas”, conta.

A expectativa dos estudantes, apesar dos problemas, é boa. “A gente se sente desanimado com as falhas, mas nossos professores são bons e vamos rever amigos”, comenta Estáquis Lucas Alves da Silva, 16 anos.

Mudanças

Para quem é novato no colégio o medo do desconhecido se soma a todos os sentimentos já mencionados. “Estou bem nervosa, esse é o primeiro ano que estudo aqui”, conta Maryana Luiza Vieira, 12 anos. Jéssika de Lima Corrêa, 13 anos, amiga do colégio anterior, resume o nervosismo da estreia ao fato de ainda não conhecerem colegas e professores. “A gente espera que os colegas da antiga escola fiquem na mesma turma, mas não sei”, diz.

Além de Jéssika e Maryana, os amigos Gisele Sousa da Silva, 13, Athyla Robert Oliveira, 14, e Kathleen Mendonça, 12, chegaram com bastante antecedência – mais de meia hora antes do início das aulas, previsto para as 13h15 – para colocarem o papo em dia.

Previsões

A falta de professores na rede pública em Brasília deve ser suprida nos próximos dias. A Secretaria de Educação informou que 400 novos docentes foram convocados nesta quinta-feira. Nos próximos dias, outros 2,6 mil temporários serão chamados para suprir carências provisórias. Além disso, 300 escolas passarão por reformas ou reparos de urgência. Ao todo, 537 mil alunos voltaram às aulas nesta quinta-feira.

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