Eficiência alternativa

Com o fim da era do petróleo mais próxima e a crescente onda de ativismo ecológico no mundo, a busca por fontes alternativas de energia ganhou força nos quatro cantos do planeta.

Tariana Hackradt |

Dono de uma grande riqueza de recursos naturais ¿ muito sol, vento, terra e água, o Brasil é um dos países mais promissores para a geração da chamada energia limpa; ou seja, possuímos fontes energéticas que são renováveis e que pouco agridem o nosso meio ambiente. Conheça as alternativas mais comuns e eficientes:

Usina hidrelétrica de Itaipu (Imagem/Reprodução)


Energia hidráulica: considerada uma das mais importantes e limpas fontes alternativas, a energia hidráulica é aquela que vem da força das águas. No Brasil, País pioneiro em sua captação, a usina hidrelétrica binacional de Itaipu gera algo em torno de 90 mil GW por hora anualmente, servindo tanto ao Brasil quanto ao Paraguai.

A geração de toda essa energia dá-se de forma relativamente simples: nas usinas há diversas turbinas que são movimentadas pela força e pressão da água que nelas fica represada. O giro dessas turbinas cria a energia elétrica em grandes quantidades e de forma, a princípio, muito limpa.

Apesar disso, para a construção dessas imensas represas são necessárias grandes áreas livres, o que significa que são inundados inúmeros quilômetros quadrados, forçando a desocupação de áreas e, algumas vezes, a destruição do ecossistema local.

Um outro contra da energia hidráulica é a liberação para atmosfera grandes massas de metano, produto da decomposição anaeróbia da biomassa alagada e asfixiada pelas águas das represas.

A cana é apenas uma das matérias-primas do etanol (Imagem/Banco de Imagens)

Etanol (Biomassa): o álcool de cana de açúcar, ou etanol, é muito mais limpo que o petróleo e pode atingir um potencial gerador de energia elétrica semelhante a este, além de ser muito mais barato. Não é à toa que a fonte é um dos carros-chefe do governo Lula.

Para produzir o álcool combustível é preciso colher, mecânica ou manualmente, a cana de açúcar, queimar a palha que envolve sua base do vegetal e cortar seu caule. A partir deste caule cortado, picado e triturado nas moendas das usinas é que se libera o caldo que servirá mais tarde de matéria-prima para a produção do etanol.

O que sobra da moagem é queimado para produzir a eletricidade utilizada pela usina. Vale lembrar que a cana-de-açúcar não é a única matéria-prima que pode gerar o álcool combustível ¿ milho, beterraba e madeira são algumas das opções que também podem gerá-lo -, porém, devido às boas condições de clima e solo no Brasil, a cana é a mais utilizada.

O composto gerado a partir da cana-de-açúcar pode ser utilizado também como combustível para automóveis ¿ com a vantagem de ser menos poluente que o petróleo ¿, ou pode fazer grandes usinas elétricas funcionarem sem poluir tanto o meio ambiente. Porém, apesar do relativo baixo custo e da relativa limpeza, o etanol sozinho não pode figurar como principal destino de investimentos governamentais, já que o Brasil tem um grande potencial gerador de energias eólica e solar, por exemplo.

O girassol é uma das bases do biodiesel(Imagem/Getty Images)

Biodiesel (Biomassa): outra grande aposta do governo Lula para o futuro é o biodiesel, combustível biodegradável produzido a partir de óleos vegetais extraídos de fontes como soja, mamona, dendê, girassol, amendoim, algodão, babaçu e canola, além de gorduras animais.

Na maioria das vezes, a produção do biodiesel é feita através da transesterificação, um processo que consiste em uma reação química dos óleos vegetais ou gorduras animais com o etanol (ou o metanol), estimulada por um catalisador, da qual também se extrai a glicerina, produto com aplicações diversas na indústria química.

O biodiesel é uma alternativa para o óleo diesel de petróleo em motores automotivos e em geradores de eletricidade ou calor. Uma das vantagens dessa fonte de energia é que ela pode ser utilizada em sua forma pura, chamada de B100, ou misturada. A mistura mais comum é a de 2% de biodiesel ao diesel de petróleo, chamada de B2.

A energia que usa os ventos é a mais limpa do planeta (Imagem/Getty Images)

Energia Eólica: a chamada energia dos ventos é considerada a mais limpa do planeta, entretanto ainda é pouco explorada por ter uma produção considerada de alto custo. Os mecanismos básicos para sua produção estão ligados ao funcionamento de um moinho de vento: o vento atinge uma hélice que, ao movimentar-se, gira um eixo que impulsiona uma bomba geradora de eletricidade.

No Brasil, o nordeste concentra a maior capacidade de geração de energia eólica por ser uma região de ventos forte e constantes. Apesar disso, nossa produção da energia dos ventos ainda é muito pequena e está em torno de 20.3 MW ao ano.

A energia que usa os ventos é a mais limpa do planeta (Imagem/Getty Images)

Energia solar: apesar de ser fácil de ser produzida, é uma das mais caras de ser conseguida, por isso ainda não é largamente utilizada no mundo. A captação da energia do sol pode ser feita através da instalação de painéis fotovoltaicos feitos de silício que absorvem os raios de sol e os transformam em energia elétrica, conhecidos também como células solares.

Ela pode ser obtida também a partir de captadores planos, ou, coletores térmicos, que, em um lugar fechado, aquecem a água, criando vapor capaz de mover uma turbina geradora de energia, mas a técnica ainda é pouco explorada no Brasil.

Considerada a energia primária, a energia solar é abundante, permanente, renovável e não polui ou prejudica o ecossistema. O sol, na verdade, funciona como um imenso reator à fusão, irradiando na Terra todos os dias um potencial energético extremamente elevado e incomparável.

Usina nuclear (Imagem/Getty Images)

Energia Nuclear: produzida através da fissão nuclear do urânio, do plutônio, do tório ou da fusão nuclear do hidrogênio, a energia nuclear é liberada de núcleos atômicos que passaram por processos artificiais de condições bastante instáveis.

Ainda em fase experimental no mundo todo, esta é uma fonte de energia que apresenta grandes riscos, como acidentes em usinas e o destino do lixo atômico, entretanto, ela não polui e não produz gases do efeito estufa.

No Brasil, temos as usinas nucleares Angra I e II, mas elas não produzem uma quantidade realmente expressiva de energia elétrica.

Além das fontes alternativas de energia citadas acima, existem outras opções como as energias geotérmica e térmica dos oceanos; entretanto, nenhuma delas é muito conhecida ou utilizada no Brasil. Por isso, quando o assunto é alternativa energética eficiente, o ideal mesmo é investir em substitutos para o petróleo que, além de não oferecerem risco de vida aos humanos e não afetarem tanto o meio ambiente, sejam viáveis como investimento para o País. 

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