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Educação
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Educadores avaliam dados do Ideb com otimismo, mas pedem cautela

RIO DE JANEIRO E SÃO PAULO - Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede o ensino público do País, divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério da Educação (MEC), foram recebidos com otimismo e cautela por especialistas da área de educação ouvidos pelo Último Segundo.

Felipe Leal, repórter Último Segundo |

 

De acordo com o Ideb, a educação básica pública brasileira superou, em sua maioria, as metas de qualidade determinadas pelo governo federal para 2009. O índice foi criado no ano passado e leva em conta taxas de aprovação, abandono escolar e o desempenho em duas avaliações nacionais feitas em 2007, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e a Prova Brasil.

Para a professora e pesquisadora Ana Canen, do Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), há um conjunto de fatores que explicam a melhora nos indicadores. Acho que nos últimos anos, a partir da entrada do Real, temos melhorados globalmente em termos econômicos e a educação tem acompanhado isso, disse.

De acordo com a especialista, as avaliações positivas podem ser usadas como um incentivo para repensar e analisar o desempenho das escolas brasileiras. O ideal é ficar alegre com o índice, mas é preciso também olhar as disparidades e as desigualdades na educação e procurar fazer análises em um nível mais micro, além de procurar fazer uma comparação com outras avaliações, algumas delas internacionais, disse.

Minas Gerais não atinge meta do Ideb

Dentro todos os Estados brasileiros, Minas Gerais foi o único que não atingiu a meta de 2007 entre 1ª e 4ª série. O ensino local atingiu 4,7 pontos enquanto que o patamar definido como ideal seria de 4,8 pontos. A expectativa para 2009 é que o Estado chegue a 5,1.

O secretário-adjunto de Educação de Minas Gerais, João Antonio Filotri, disse ter ficado surpreso com o resultado do índice e criticou a estratégia de divulgação do MEC. Não deixa de ser surpreendente que o ministério, ao invés de publicar o resultado da Prova Brasil, tenha colocado um número complexo como índice. É surpreendente também, pois estamos fazendo um enorme esforço no Estado, disse.

De acordo com ele, a secretaria solicitou na última terça-feira a base de dados completa do MEC, mas o ministério informou que ainda está realizando uma checagem final das estatísticas do Ideb e fazendo uma análise de consistência. O estranho é que se eles não tinham
esses dados num nível confiável e seguro, não havia porque divulgá-los, criticou Filotri.

Para o professor de Política de Educação do programa de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), Carlos Roberto Jamil Cury, o patamar ter se mantido estável entre 2005 e 2007 em 4,7 pontos e não ter atingido a meta se deve ao fato de a rede de ensino local ter adotado nos nove anos de ensino fundamental. Acredito que está ocorrendo um assentamento desta mudança que foi bastante positiva do Estado, considerou.

Segundo ele, os pisos salariais desiguais em diferentes regiões econômicas de Minas Gerais podem ter influenciado a pontuação alcançada pelo Estado. Quando se pega a média de um Estado tão grande e tão diferenciado como o nosso tem-se um valor global que não condiz com o todo. É preciso uma análise que descreve as mais diversas regiões principalmente no interior. Apesar disso, o avanço, o meu modo de ver, está consolidado, avaliou.

Rio de Janeiro piora no ensino médio

Os dados do Ideb apontam que apesar de ter atingido as metas para 2007 nas séries iniciais (1ª a 4ª), com 4,4 pontos, e superado o patamar nas séries finais (5ª a 8ª), com 3,8 pontos, o Estado do Rio de Janeiro apresentou piora no Ensino Médio, com queda do índice de 2005 para 2007 (de 3,3 para 3,2), ficando abaixo da meta esperada, que é de 3,3.

A pesquisadora Ana Canen apontou, em uma análise preliminar, vários fatores que podem ter influenciado a piora apresentada pelo indicador do MEC. Entre eles, ela alegou que uma realidade muito desigual de ensino dentro do próprio Estado pode prejudicar o ensino local. O Rio tem uma realidade bastante complexa, temos escolas situadas em bairros privilegiados com infra-estrutura muito positiva e outras em áreas rurais e urbanas com carências essenciais, apontou.

Além disso, ela criticou o fato de o Ensino Médio estar excessivamente preocupado com o vestibular e não com o modelo de análise defendido pelas provas do Ideb, que mede outras características do aluno, como posicionamento crítico, apreciação da ética, conhecimentos gerais e discussões em sala de aula.

O treinamento para o vestibular pode acabar limitando o Ensino Médio, voltado para a homogeneização de conteúdos, e isso não acontece no Ensino Fundamental, por exemplo. A principal hipótese é que não estamos preparando os alunos para enfrentar exames como a Prova Brasil, Saeb ou o Enem, explicou. 

Em sua análise, Ana Canen defendeu maior articulação entre as escolas, as Secretarias de Educação e as instituições que formam professores, e disse que é necessário que os docentes aprendam a lidar com a diversidade cultural do Estado. Segundo apontou, disciplinas como Matemática, Física e Química apresentam grande deficiência de profissionais.

Violência influencia na piora do Rio, diz pesquisadora

Os índices da violência também são fator que contribui para um aumento na evasão escolar e na infra-estrutura das escolas cariocas. Muitas vezes as unidades ficam em meio ao tráfico, o que acaba dificultando o trabalho dos profissionais que, por falta de segurança, não podem entender exatamente porque determinado aluno parou de comparecer às aulas. A política de segurança do Estado tem que ser pensada em articulação com a política educacional, disse.

A Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro informou que uma série de medidas vêm sendo tomadas, nos âmbitos pedagógico e de infra-estrutura, no sentido de melhorar o desempenho dos alunos da rede municipal

"Está em curso o Programa de Gestão Escolar, envolvendo 5.330 profissionais de Educação, entre diretores, adjuntos e coordenadores pedagógicos, em um processo de capacitação que os tornará aptos a realizarem diagnósticos sobre suas escolas e a traçarem um plano de ação a ser levado à frente com apoio da secretaria".

Goiás avança, mas não atinge meta no Ensino Médio

A superintendente de avaliação da Secretaria Estadual de Educação de Goiás, Edvânia Braz Teixeira Rodrigues, comemorou a qualificação dada pelo Ideb. De acordo com os dados divulgados, o Estado no índice de 1ª a 4ª série de 4,3 pontos, superior a meta de 4,2; e de 5ª a 8ª série, com 3,8 pontos contra 3,5. No Ensino Médio a meta, de 3,3, não foi alcançada. O patamar ficou em 3,1.

Acredito que esse percentual de diferença no Ensino Médio não cause arrepios, principalmente porque tivemos melhora significativa no ensino fundamental e são eles alunos que irão para o Ensino Médio, explicou Edvânia

Ela adiantou que está sendo desenvolvido o projeto Resignificando o Ensino Médio, que visa flexibilizar o currículo escolar e dar maior dinâmica ao processo de aprendizado. Pelo projeto, os alunos poderão fazer o 3º ano em seis meses e escolher as disciplinas que mais lhe agradarem. Não podemos negar uma certa desmotivação do jovem para a escola, por isso estamos tentando uma dinâmica nova, disse a superintendente.

(colaborou Gregório Russo, de São Paulo)

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