Educação básica custa mais na particular. Superior, na pública

Investimento público por aluno no ensino superior é o quíntuplo do básico. Já na rede privada, faculdade é mais barata que escola

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

No segundo ano do curso de Direito em uma faculdade particular de São Paulo, Aline Gomes, de 21 anos, paga por mês R$ 494. O custo está acima da média do País, mas é menor do que a mensalidade de R$ 600 da escola particular em que se formou, na Vila Prel, extrema zona sul da mesma cidade. No ensino público, acontece o contrário: o investimento por aluno no ensino superior é mais do que cinco vezes a quantia gasta por estudante na educação básica.

Custo anual por aluno em diferentes etapas da educação

Particular é mais cara nos ensinos fundamental e médio e mais barata no superior

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Sistema público: Inep; Faculdades particulares: Semesp; Para escola particular foi usado o exemplo mais barato da reportagem

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep) a soma dos gastos dos governos federal, estadual e municipal em 2009 dão um custo médio por aluno nos ensino médio e fundamental de R$ 2,9 mil por ano. Enquanto isso, cada matrícula em instituições públicas de ensino superior custa R$ 15,4 mil anuais aos cofres públicos.

O investimento é inversamente proporcional. No ensino superior, quem mantém vaga para elite é a universidade pública, no ensino básico, é a escola particular”

O valor é o triplo do que a média gasta por estudantes de instituições particulares. Segundo estudo feito pelo economista, Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Sindicato das Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior em São Paulo (Semesp), em 2010 a mensalidade média no Estado foi de R$ 421, ou seja, cada aluno custou – do próprio bolso ou ao governo que oferece bolsas pelo Prouni em várias destas instituições – R$ 5 mil por ano.

O sindicato das escolas particulares afirma desconhecer o custo médio das mensalidades. “Com certeza, é maior que o da faculdade”, opina Capelato. Um estudo feito em 2008 pela consultoria Invest concluiu que integrantes da classe A gastavam em média R$ 15 mil por ano com escola e, da classe B, R$ 7,8 mil.

Para pegar um exemplo de ponta, o colégio paulista Vértice, primeiro colocado no Enem em 2009, cobra de R$ 1.460 a R$ 2.998, dependendo da série (entre R$ 17.520 e R$ 35.976 por ano). Uma mensalidade parecida com a anuidade do governo no sistema público.

“O investimento é inversamente proporcional. No ensino superior, quem mantém vaga para elite é a universidade pública, no ensino básico, é a escola particular”, analisa Capelato.

A mesma observação faz o diretor da Campanha Nacional pelo Direito a Educação, Daniel Cara. “É bom deixar claro que, no sistema público, o que está errado é gastar menos de R$ 3 mil com o básico. Os R$ 15 mil do superior são os que garantem boas universidades”, afirma, acrescentando que o baixo custo na particular está relacionado a má qualidade. "Não é a toa que foram fechadas 11 mil vagas em cursos de Direito essa semana."

O representante das particulares defende que com os R$ 5 mil médios é possível oferecer bons cursos superiores. “A iniciativa privada é mais eficiente, o sistema público tem muitos professores que não dão aulas, para dar um exemplo de desperdício.”

Para Aline, que hoje gasta menos na faculdade do que custava a escola, não há dúvidas de que o preço está ligado à qualidade. Ela conta que chegou a passar no vestibular e fazer matrícula em outra instituição com mensalidade duas vezes maior, mas não conseguiu pagar e, ao saber pelo iG o preço médio - pago pelo governo - nas universidades públicas, desabafou: "Por isso que quem teria dinheiro para pagar qualquer faculdade, faz cursinho para passar nas públicas."

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