Educação básica custa mais na particular. Superior, na pública

Investimento público por aluno no ensino superior é o quíntuplo do básico. Já na rede privada, faculdade é mais barata que escola

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo | 05/06/2011 07:00

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No segundo ano do curso de Direito em uma faculdade particular de São Paulo, Aline Gomes, de 21 anos, paga por mês R$ 494. O custo está acima da média do País, mas é menor do que a mensalidade de R$ 600 da escola particular em que se formou, na Vila Prel, extrema zona sul da mesma cidade. No ensino público, acontece o contrário: o investimento por aluno no ensino superior é mais do que cinco vezes a quantia gasta por estudante na educação básica.

 

Custo anual por aluno em diferentes etapas da educação

Particular é mais cara nos ensinos fundamental e médio e mais barata no superior

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Sistema público: Inep; Faculdades particulares: Semesp; Para escola particular foi usado o exemplo mais barato da reportagem

 

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep) a soma dos gastos dos governos federal, estadual e municipal em 2009 dão um custo médio por aluno nos ensino médio e fundamental de R$ 2,9 mil por ano. Enquanto isso, cada matrícula em instituições públicas de ensino superior custa R$ 15,4 mil anuais aos cofres públicos.

O investimento é inversamente proporcional. No ensino superior, quem mantém vaga para elite é a universidade pública, no ensino básico, é a escola particular”

O valor é o triplo do que a média gasta por estudantes de instituições particulares. Segundo estudo feito pelo economista, Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Sindicato das Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior em São Paulo (Semesp), em 2010 a mensalidade média no Estado foi de R$ 421, ou seja, cada aluno custou – do próprio bolso ou ao governo que oferece bolsas pelo Prouni em várias destas instituições – R$ 5 mil por ano.

O sindicato das escolas particulares afirma desconhecer o custo médio das mensalidades. “Com certeza, é maior que o da faculdade”, opina Capelato. Um estudo feito em 2008 pela consultoria Invest concluiu que integrantes da classe A gastavam em média R$ 15 mil por ano com escola e, da classe B, R$ 7,8 mil.

Para pegar um exemplo de ponta, o colégio paulista Vértice, primeiro colocado no Enem em 2009, cobra de R$ 1.460 a R$ 2.998, dependendo da série (entre R$ 17.520 e R$ 35.976 por ano). Uma mensalidade parecida com a anuidade do governo no sistema público.

“O investimento é inversamente proporcional. No ensino superior, quem mantém vaga para elite é a universidade pública, no ensino básico, é a escola particular”, analisa Capelato.

A mesma observação faz o diretor da Campanha Nacional pelo Direito a Educação, Daniel Cara. “É bom deixar claro que, no sistema público, o que está errado é gastar menos de R$ 3 mil com o básico. Os R$ 15 mil do superior são os que garantem boas universidades”, afirma, acrescentando que o baixo custo na particular está relacionado a má qualidade. "Não é a toa que foram fechadas 11 mil vagas em cursos de Direito essa semana."

O representante das particulares defende que com os R$ 5 mil médios é possível oferecer bons cursos superiores. “A iniciativa privada é mais eficiente, o sistema público tem muitos professores que não dão aulas, para dar um exemplo de desperdício.”

Para Aline, que hoje gasta menos na faculdade do que custava a escola, não há dúvidas de que o preço está ligado à qualidade. Ela conta que chegou a passar no vestibular e fazer matrícula em outra instituição com mensalidade duas vezes maior, mas não conseguiu pagar e, ao saber pelo iG o preço médio - pago pelo governo - nas universidades públicas, desabafou: "Por isso que quem teria dinheiro para pagar qualquer faculdade, faz cursinho para passar nas públicas."

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    4 Comentários |

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    • Caio Cesar | 07/06/2011 11:15

      Fácil aos governos, começa a cobrança progressiva das mensalidades aos alunos ricos (de elite, que ganham acima de 36.000 reais por ano) que frequentem em um dos cursos das universidades públicas e enviam bolsas de estudos aos alunos pobres, como o governo da Coreia do Sul fez. Além disso, reservar 50% das vagas aos alunos que estudaram nas escolas públicas e tentam concorrer em uma das vagas dos cursos mais concorridos (mais de 10 candidatos por vaga, no caso do curso de Medicina e Direito), pois praticamente só há alunos de elite.\nEssas duas propostas, podem ajudar aumentar a população universitária. Isto pode ajudar a economizar o dinheiro dos cofres públicos e ajuda a construir e reformar as escolas públicas de excelente qualidade (semelhante a particular) e mais escolas técnicas para todos!\n\nSou estudante de Geografia da Universidade Federal de Rondônia, espero que esse país siga esse caminho!

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    • CAE | 05/06/2011 20:10

      A escola particular no caso o ensino fundamental; tem sido muito caro, mas se a escola for boa e para isso os pais precisam se informar antes de matricular seus filhos. Vale a pena pagar um bom ensino médio e gente vê a evolução dos filhos. Quando chega a época do vestibular e faculdade você verá o desempenho daquele que teve um ensino fundamental e médio de qualidade. Aqui no estado de São Paulo o ensino público tanto fundamental e médio perderam sua qualidade a muito tempo; principalmente na gestão PSDB, onde temos um governador que só sabe falar em FATECs e ETEPs, até parece que uma criança ao atingir idade escolar já inicia nestas escolas. Ele simplesmente ignora o ensino fundamental e médio.

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    • marli | 05/06/2011 19:46

      Na cidade onde moro(vale do paraiba).,Meu filho estuda em colegio particular no 7º ano do fundamental, e o colegio é mais caro que uma faculdade.Eu acho isso um absurdo.

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    • Tomaz Casttrisana | 05/06/2011 09:58

      Defendo que sejam criados programas de bolsas, que ofereçam aos alunos um valor padrão de R$ 400,00 mensais e que o aluno possa escolher a escola. Esta bolsa cobriria os estudos dos 5 aos 25 anos e seria de total controle do aluno. O recurso seria direcionado diretamente para a escola em que ele esteja matriculado, seja publica ou privada. Todos teriam direito e poderiam complementar o valor, caso a instituição escolhida custe mais que o valor da bolsa. Isto permitiria a população escolher a melhor opção dentro de suas posses e abriria um leque de possiblidades maior. Há escolas particulares excelentes com valores a partir dos R$ 400,00 mensais da bolsa. Os recursos seriam muito melhor administrados pelos próprios usuários e permitiria que toda a população tivesse acesso ao ensino até o superior ou até mesmo pós graduações. Reduziria o peso do estado e a burocracia, aumentaria a busca por bons professores e sua valorização, acelerando a migração dos alunos para as escolas particulares. e as públicas teriam que buscar elevação de sua qualidade. Não haveria mais escolas gratuitas , todas seriam pagas, no mínimo com os valores das bolsas. Esta seria uma verdadeira revolução na educação e com certeza proporcionaria resultados escelentes para toda a sociedade a médio prazo.

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