¿É a Fuvest de sempre¿, dizem professores sobre a prova

Profissionais do Cursinho da Poli comentam conteúdo da 1ª fase do vestibular e pedem anulação de questão de português

Guilherme Pichonelli, especial para o iG |

Uma prova conceitual e clássica. Foi isso o que os 122 mil candidatos que realizaram a primeira fase da Fuvest encontraram na prova de conhecimentos gerais. Com nível que intercalava entre o médio e o difícil, a prova, segundo os professores do Cursinho da Poli, foi tranquila para o aluno que estudou as principais teorias e se aprofundou em temas clássicos. A matemática, vilã do vestibular, cobrou todos os temas de maior dificuldade aos alunos.

A grande dúvida coube à disciplina de português. A questão 6, da prova "V", traz um problema de conceito. Segundo o gabarito oficial, a alternativa correta é A. Porém, André Valente, professor do Cursinho da Poli, avalia que não há opção correta e pede anulação da pergunta. “Trata-se de um problema conceitual em relação à classificação do pronome. Eles dizem no texto da questão que existe a catáfora, que tem a função de anunciar o que vai ser dito. Isso realmente acontece, mas não por causa do pronome pessoal 'ele', mas sim por causa da expressão 'o que’. Esse é o erro da prova.”

Para Valente, a prova de português foi fácil e equilibrada. Apenas duas obras literárias ficaram de fora dessa primeira fase, “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, e “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente. “Essas obras devem ser estudadas para a segunda fase, já que eles costumam cobrar toda a lista de livros”, avalia o professor. Outro ponto considerado como confuso foi o uso de palavras não usuais no dia-a-dia, como “exortativo” (questão 85) e “contiguidade” (questão 78).

Para Elias Feitosa de Amorim Junior, professor de história, a Fuvest trouxe textos tranquilos e sem ambiguidade, apresentando mais questões de história geral do que do Brasil, diferentemente do que ocorreu nos outros anos. “O destaque ficou para a interdisciplinaridade, que é uma tendência em todos os vestibulares do País. O livro 'O Cortiço' ganhou uma questão histórica e não de literatura, cobrando do aluno conhecimentos do período de transição entre a monarquia e a república”.

A prova de inglês foi complicada, não por causa das questões, mas pelos textos. Essa é a opinião da professora Lúcia Helena Martins de Souza. “Havia um texto que falava de medicamentos falsos e apresentava termos técnicos e específicos da química, até precisamos da ajuda de um professor da disciplina para resolver a questão com clareza. Não era uma leitura usual, principalmente para jovens”.

Por outro lado, a prova mostrou que o inglês é fundamental para o ingresso em uma boa universidade. “Quem faz USP precisa ler material em inglês. A prova, diferentemente do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), trouxe um conteúdo que exigia atenção redobrada, principalmente por causa dos falsos cognatos que apareciam nas alternativas, que eram todas em português, o que não trouxe mais facilidade ao aluno”, finaliza a professora.

Rui Calaresi, professor de geografia, afirma existir muita semelhança entre as perguntas da Unicamp e da Fuvest. “Foi uma prova que exigia conhecimentos na leitura de mapas e gráficos, com boas referências à geografia física e com muita atualidade”. Para a segunda fase, Calaresi recomenda maior atenção a temas que faltaram nesta etapa, como climatologia e demografia. “A prova selecionou quem sabia o mínimo de geografia, a única questão mais complicada foi a 68, que exigia conhecimentos de cartografia para ser resolvida”, avalia.

O professor de física José Roberto Braz Paião levanta uma pergunta importante: o que, de fato, é interdisciplinaridade? Para ele, a prova na sua área trouxe mais questões multidisciplinares. “Questões interdisciplinares são aquelas em que você precisa ter conhecimento de outras matérias para resolver determinado enunciado. O que há aqui são breves comentários, que abordam temas de outras disciplinas, mas que não tornam seus conhecimentos fundamentais para a resolução. Um aluno não precisava dominar nenhuma outra área para resolver física”, diz Paião. Para a próxima fase do vestibular, ele recomenda maior atenção em gravitação, eletromagnetismo, ondulatória e conservação de energia.

“A prova de biologia exigia conhecimentos específicos da disciplina e trazia uma questão mais complicada que envolvia taxas de natalidade e mortalidade”, comenta Edson Futema. Para ele, faltaram conteúdos que abordam a fisiologia animal e vegetal, bioquímica e biologia molecular, temas que provavelmente devem ser cobrados na etapa final da Fuvest. “O aluno deve manter o ritmo de estudo e se focar nos estudos clássicos da biologia”, termina o professor.

A campeã de reclamações por parte dos alunos foi a prova de Matemática, que segundo o professor Eduardo Izidoro Costa trouxe todos os fantasmas da disciplina de volta. “Foi uma prova tradicional, que fugiu da tendência da matemática aplicada ao cotidiano dos alunos. Cobrou logaritmo, geometria analítica e porcentagem, ou seja, todos os maiores dramas dos alunos de ensino médio e cursinho. É a Fuvest de sempre!”, analisa.

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