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"Desabrigado", conselho da USP vota
R$ 23 milhões para noturno

Com reitoria fechada por grevistas, reunião da graduação ocorre no prédio de Veterinária e aprova programa para cursos noturnos

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

A Comissão de Graduação da Universidade de São Paulo (USP) aprovou nesta quinta-feira a primeira fase do projeto de fortalecimento dos cursos noturnos. O plano prevê R$ 23 milhões para as unidades investirem em infraestrutura e o valor será distribuído conforme o número de matrículas no período noturno com objetivo de reduzir a evasão e aumentar a segurança e a qualidade dos cursos ministrados à noite. A decisão foi tomada em reunião no prédio de Veterinária já que a reitoria está tomada por grevistas desde a última sexta-feira.

Cada faculdade receberá um valor fixo de R$ 195 mil. As 27 Unidades que oferecem cursos noturnos, além dessa quantia, receberão recursos que variam de R$ 200 mil a R$ 3 milhões, de acordo com o número de alunos. “Eles podem investir em iluminação, conforto, equipamentos e reformas de salas”, afirma a pró-reitora de Graduação, Telma Zorn. “Em outra fase, a universidade vai iluminar as áreas comuns e vamos apoiar contratações que garantam a abertura de bibliotecas, lanchonetes e secretarias”, acrescenta.

Segundo ela, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) deverá receber o maior montante por contar com mais alunos em todos os períodos, inclusive à noite.

Greve desabriga reitoria

A pró-reitora disse também que a comissão conversou sobre a greve dos funcionários terceirizados da limpeza e resolveu fazer um comunicado em agradecimento aos alunos da FFLCH que ajudaram na faxina para retomada das aulas. Na segunda-feira e manhã de terça, a direção suspendeu as atividades por conta da falta de condições de higiene devido à paralisação. Um grupo de estudantes varreu o lixo acumulado nas escadarias e corredores para que as aulas fossem retomadas, ainda que precariamente por conta dos banheiros.

“Elogiei muito a ação dos alunos em defender um patrimônio que é público”, diz Telma. “Nós queremos dar nossas aulas, isso não pode ser interrompido por conta das demandas de um grupo. As negociações devem ser feitas em discussões como as que estamos fazendo aqui”, concluiu na saída do Conselho de Graduação - que, por conta da greve, não pode ser feita no auditório do Conselho Universitário, no prédio da reitoria, e foi realizado em uma sala da Faculdade de Veterinária.

Os 900 funcionários da reitoria da USP estão impedidos de entrar no prédio durante toda a semana. Ontem à noite, uma fila de sacos de lixo formava uma barreira em frente a portaria e um grupo se mantinha a postos para evitar a entrada de qualquer pessoa. Entre os “plantonistas” estava Mauro Gomes, 37 anos, funcionário de limpeza da universidade desde 2008, que disse ganhar R$ 545 por mês. “Estou morrendo de vergonha de fazer isso, mas enquanto eu não arrumo outro emprego, preciso do salário deste”, disse.

De acordo com a administração central da USP, a empresa terceirizada União tem pendências com o governo federal que impedem o pagamento normal do serviço. O valor relativo ao mês de março foi depositado na 8ª Vara da Fazenda e os funcionários acabaram sem salário.

Mais 900 funcionários em greve

Ontem o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) também decidiu que todos os 900 funcionários da universidade entrarão em greve a partir desta sexta. Segundo o diretor da entidade, Magno Carvalho, a maioria é contra a transferência de 125 profissionais das áreas financeira e administrativa para prédios adquiridos recentemente no Centro Empresarial de Santo Amaro. “Foi uma decisão arbitrária da reitoria que vai prejudicar a vida de muita gente”, diz.

A assessoria de impresanda universidade, no entanto, afirma que uma pequena minoria aderiu à greve e quase todos os funcionários estão trabalhando em prédios vizinhos. "Quem decretou a greve foi o Sintusp e não os 900 funcionários da Reitoria. A propósito, na assembleia que decidiu isso, havia 30 pessoas, a grande maioria eram os funcionários da empresa terceirizada de limpeza", informou.

AE
Fila de sacos de lixo e alguns funcionários impedem trabalhos na reitoria da USP desde sexta-feira


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