Datilógrafo, leiteiro, telefonista... Ainda existe?

Com o avanço da tecnologia, muitas pessoas perderam seus empregos para as máquinas. Elas fazem boa parte do serviço e acabaram modificando o mercado de trabalho. Mas isso não é motivo para desespero: saiba quais profissões foram as mais afetadas e como se preparar para o futuro.

Yuri Ikeda |

Se você viveu na década de 60, sabe: para comprar leite, não era preciso ir até a padaria. Afinal, o leiteiro passava em frente a sua casa todos os dias, deixando garrafas (de vidro!) com leite fresquinho. Ainda naquela época, se um homem quisesse fazer a barba, não pensava duas vezes: ia ao barbeiro. Profissões como essas sofreram diversas mudanças e, hoje, se tornaram novas ocupações.

Atualmente, o que antes era serviço do datilógrafo agora é trabalho para o digitador. A função é a mesma, mas a ferramenta mudou - antes, era a máquina de escrever; hoje, é o computador. As telefonistas, que também eram figuras muito presentes, hoje se transformaram nas (não menos presentes) operadoras de telemarketing. "Estamos vivendo a era da robótica e, quanto mais inovações aparecerem, o mercado de trabalho tende a ficar cada vez mais restrito", explica o consultor de carreira, Renato Waberski.

Adeus, profissão!

"O desaparecimento de algumas profissões é líquido e certo quando são inseridas novas tecnologias", afirma a professora de sociologia, Noêmia Lazzaschi. Muitas vezes, se não há o desaparecimento, a demanda exige uma mudança no mercado de trabalho.

É o caso do alfaiate, que foi substituído pelas lojas de roupas manufaturadas. "Teve um período em que esta profissão era imprescindível e, hoje, ele não sobrevive sozinho, com gente comprando roupa a todo instante", conclui Renato. A profissão, que ainda existe, apenas se restringe a um mercado que continua consumindo roupas feitas sob medida.

Hoje, a figura do alfaiate pode ser comparada ao estilista de alta-costura, que produz para pessoas que pagam mais caro em busca de uma peça exclusiva ou que, no mínimo, sirva no seu corpo perfeitamente.

O mercado do futuro

Algumas profissões, que hoje são consideradas fundamentais, podem perder a importância daqui algum tempo. Noêmia e Rafael concordam que, se uma pessoa não tiver especialização, acaba fora do mercado. "O vendedor, por exemplo, já está desaparecendo e, no futuro, ele será substituído por engenheiros ou qualquer outro técnico que mostre especificações do produto, que aponte dados interessantes a respeito da mercadoria", assegura a socióloga.

Rafael também acredita que a expressão mão-de-obra vai deixar de existir porque nada mais vai ser feito à mão, com raras exceções. E exemplifica: "já acontece uma mudança muito grande na construção civil, onde tudo tende a ser pré-fabricado". Com o tempo, muitas profissões que podem ser substituídas pelo trabalho de uma máquina tendem a perder a força. "O bancário já está cedendo o seu lugar para a internet: os clientes fazem tudo online", opina o consultor de carreiras.

Mas os dois especialistas discordam em alguns pontos. Noêmia não acredita que o advento da internet, por exemplo, vá extinguir ou diminuir o trabalho dos carteiros. Até lá, nem todos terão computadores para se corresponder por email. Além disso, as compras feitas via internet precisarão de alguém que faça as entregas e ninguém melhor do que o bom e velho carteiro para fazer isso". Mas Renato discorda: "existe um investimento no mercado de logística para entrega de encomendas que vai acabar tornando o trabalho do carteiro obsoleto daqui a alguns anos". 

As ocupações que não morreram

Edinho dos Santos é barbeiro há 10 anos. Ele diz que a tecnologia dos aparelhos de barbear e dos cosméticos masculinos foram os principais fatores que dispersaram os homens da barbearia. "Mas isso não quer dizer que a profissão será extinta daqui a algum tempo. O fluxo pode diminuir, mas acabar, não", acredita.

Quem também sentiu essa queda no número de clientes foi o relojoeiro Franciner da Silva. Ele sentiu uma grande diminuição na procura pelo serviço. "Quando eu comecei, existiam 22 funcionários trabalhando comigo e, hoje, somos em 12", diz. Mesmo assim, ele acha pouco provável que a função de relojoeiro vá acabar: "sempre vai ter gente que vai usar, mesmo com o celular, com os relógios automáticos. Muitas peças mecânicas são deixadas aqui pra conserto e, depois, são guardadas como relíquia".

Apesar do otimismo, ele já faz planos para mudar de profissão: "quero partir para o ramo de turismo porque o meu trabalho está defasado, sinto que trabalho e não tenho retorno. Pretendo fazer isso logo, em menos de dois anos, para ver se consigo viver melhor", assume.

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