Cursos para gabaritar o Enem

Vestibular, vestibulinho, concurso... A cada novo exame criado, empresas se dedicam em suprir as carências dos candidatos. São feitos cursos para as mais diversas finalidades ou participantes de uma prova como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será realizado no dia 31 de agosto. Empresas da área da pedagogia se especializaram em prestar consultoria para escolas e alunos interessados em um satisfatório resultado no teste.

Isis Nóbile Diniz |

A Educon, instituição especializada em educação, aplicou o curso em escolas pela primeira vez no ano passado. Os colégios paulistanos Miguel de Cervantes, Jardim São Paulo e São Bento contrataram a empresa. Após o curso fornecido aos alunos, todos tiveram um aumento de desempenho nas notas. O Colégio Miguel de Cervantes, por exemplo, conseguiu que os alunos acertassem mais 75% do Enem , um crescimento de 16,72% comparado ao ano anterior.

O ensino médio é voltado para a formação do aluno, diz Izabel Rodrigues, diretora do Colégio de São Bento. O objetivo do curso para o Enem é melhorar o trabalho que já realizamos com o aluno na hora curricular. Aprimorando o aprendizado , afirma Izabel. Essas aulas especiais são ministradas em forma de palestras durante, praticamente, um semestre inteiro.

O Getusp, criado por alunos da Universidade de São Paulo (USP) com o objetivo de preparar estudantes para o ingresso na universidade, também oferece o serviço. O curso foi elaborado em 2005, quando a Escola Madre Vicunha, em São Paulo, queria ministrar, aos seus alunos, aulas específicas preparatórias para o Enem . O coordenador pedagógico do Getusp, Daniel Vícola, junto com toda equipe de professores do Getusp, fez o curso que, atualmente, é ministrado também em outras escolas.

As escolas contratam o trabalho

Segundo o Getusp, as escolas o contratam ele, pois, além da experiência e busca de capacitação dos funcionários da terceirizada nesse tipo de serviço, o curso deve ser interdisciplinar. Se feito por docentes da própria escola, os alunos tendem a não desvincular o professor da matéria que ele leciona em classe. Assim, professores qualificados de fora do colégio são os mais indicados.

Já as principais razões para as escolas fornecerem esse tipo de serviço são duas: complementar o estudo dos alunos e qualificá-los para a prova . Como conseqüência, espera-se reforçar o que foi lecionado no curso regular, fazer com que o estudante tenha um pensamento crítico, ter alunos ingressando nas faculdades de destaque e um aumento da sua excelência no ensino.

Por sua vez, o aluno se beneficia diretamente. Os resultados do Enem são usados como critério para a distribuição das bolsas de estudos do Programa Universidade para Todos (ProUni), projeto do governo federal que reserva vagas em instituições privadas de ensino superior para alunos de baixa renda. Também, somam pontos em processos seletivos concorridos de universidades públicas e privadas.

Como funciona o curso

O objetivo do Enem é avaliar competências e habilidades, que tenham sido trabalhadas e desenvolvidas pelo aluno ao longo dos anos. Assim, em palestras seria impossível ensinar tudo o que deveria ter sido aprendido em 12 anos de estudo . Por isso, partindo do pressuposto de que o aluno teve uma boa formação escolar, buscamos potencializar sua habilidade em ler, interpretar e identificar a situação problema do texto, comenta Evaldo Colombini Miranda, coordenador da Educon. Geralmente, nesse exame, a resposta está na própria interpretação correta do enunciado, diz.

Os alunos que participam das aulas especiais para o Enem estão no terceiro ano do ensino médio, com exceção de convidados ou interessados do segundo ano. Durante as classes curriculares, eles aprendem um complemento dado pelos professores. Mas, isso só dá certo porque já ensinamos toda a matéria durante os anos letivos, afirma Izabel. Este ano, dez escolas contrataram a Educon, entre elas os três colégios Miguel de Cervantes, Jardim São Paulo e São Bento.

Tendo em vista de que a prova se destina a, aproximadamente, três milhões de estudantes do Brasil inteiro, as empresas especializadas no serviço elegem por volta de 20 temas com maior probabilidade de serem abordados no exame. São questões de domínio público de todo o País como, por exemplo, a epidemia de dengue, biocombustíveis, células-tronco, transposição do Rio São Francisco, Amazônia, interpretar a venda de um imóvel e a conta de luz, explica Miranda.

São realizadas palestras de uma hora e meia para um número entre 20 e 50 alunos. Elas abordam questões específicas, gráficos, histórias em quadrinhos, mapas, tabelas, literatura e interpretação de texto. Durante essas conferências, se discutem assuntos que podem ser solicitados no Enem. Também são aplicados simulados. Para o aluno se acostumar a ficar cinco horas parado e raciocinando sobre os temas, diz Miranda.

Para pessoas ou alunos interessados

Quem não dispõe de aulas específicas para o Enem no colégio ou já se formou na escola pode recorrer a algumas instituições que oferecem o curso preparatório. Por exemplo, além de prestar serviço para escolas, o Getusp possui um de 50 horas para interessados. Atualmente, há cinco turmas com até 60 alunos por sala.

De acordo com o Getusp, esse curso presencial é um projeto piloto . A intenção é transformá-lo em on-line. Enquanto isso não acontece, outras organizações também disponibilizam o curso presencial como o Objetivo de Guarulhos (SP), a Aprove (São Paulo, capital) e o Instituto Henfil com um curso gratuito (em São Paulo capital, ABC Paulista e Guarulhos).

Onde encontrar:

Educon - Tel.: (11) 5084-0764
Getusp - http://www.getusp.com.br/
Objetivo - http://www.objetivogru.com.br/
Aprove - http://www.aprove.org.br/
Instituto Henfil - http://cursoenem.org.br/enemgratuito/

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