BRASÍLIA - A criação de um nova forma de ingresso e a extinção do atual modelo de vestibular nas universidades federais é uma reivindicação antiga do movimento estudantil. A presidente a União Nacional dos Estudantes (UNE), Lúcia Stumpf, considerada positiva a proposta de um vestibular unificado apresentada na quarta-feira pelo Ministério da Educação (MEC) e acredita que o novo modelo facilitaria a vida dos vestibulandos.

Há muito tempo nós defendemos o fim do vestibular e a busca de um novo sistema de ingresso nas instituições federais. O vestibular é um sistema que perpetua a desigualdade. Pela sua característica conteudista, ele acaba valorizando quem teve condições de pagar um cursinho pré-vestibular, disse.

O estudante Felipe Carvalho, que cursa o 3° ano em uma escola particular de Brasília, acredita que a proposta tem pontos positivos e negativos. O ganho para o estudante, segundo ele, seria concentrar o estudo em um conteúdo único.


Mas a quantidade de conteúdos cobrados de um estado para outro é totalmente diferente. Antes de se pensar um vestibular unificado seria preciso unificar o ensino para todos aprenderem a mesma coisa, afirmou.


Já Rafaela Albo, aluna do mesmo colégio, acha que o vestibular unificado facilitaria a vida daqueles estudantes que tentam vagas em várias universidades federais. Você não precisaria sair de Brasília para fazer vestibulares em outros estados, avalia.

Alguns estudantes temem que uma prova unificada possa reduzir as oportunidades de aprovação. Ia ser difícil porque a gente ia ter menos chances de passar. Se você for mal naquela prova, não poderia tentar em outra faculdade, [porque uma nova chance] só no ano seguinte mesmo, disse a estudante Raíssa Gomes, aluna do 3° ano de uma escola pública do Distrito Federal.

A presidente da UNE defende que os estudantes e a comunidade acadêmica sejam ouvidos durante o processo de criação desse novo modelo.


A nova proposta será entregue oficialmente na próxima segunda-feira (30) à Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) para que seja discutida nas universidades. O ministro da Educação, Fernando Haddad, espera que o novo vestibular possa ser aplicado ainda este ano.

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