Consertado, telescópio Hubble envia novas imagens do Universo

Quem olha esse objeto celestial com aparência de uma grande borboleta nem imagina, mas sua aparente serenidade esconde uma gigantesca caldeira de gás a mais de 20 mil graus de temperatura e que rasga o espaço a incríveis 900 mil quilômetros por hora, velocidade suficiente para ir da Terra à Lua em apenas 24 minutos!

Apolo11 |

Clique para ampliar


A foto é uma das mais recentes imagens captadas pela nova câmera WFC3 do telescópio espacial Hubble, instalada em maio de 2009 durante a missão STS-125 do ônibus espacial e é o principal instrumento no estudo da energia e matéria escura, formação das estrelas e descoberta de galáxias extremamente remotas.

A cena retrata a nebulosa planetária NGC 6302, também chamada de Nebulosa da Borboleta, localizada a 3800 anos-luz, no interior da constelação do Escorpião. No centro da nebulosa jaz uma estrela moribunda, que em seus anos de esplendor já foi cinco vezes mais massiva que nosso Sol, mas que após seu colapso há mais de 2 mil anos, expulsou suas camadas externas em direção ao espaço, formando uma reluzente trilha de gás que agora brilha na forma de uma gigantesca esteira de radiação ultravioleta, responsável por sua aparência.

O remanescente da estrela central não pode ser observado, escondido por um anel circular de poeira visto na cena como a faixa negra que dá forma ao corpo da borboleta. O cinturão mais grosso consiste no fluxo de gases e forma o clássico padrão em forma de ampulheta, visto na maioria das nebulosas planetárias.

Ejeção de camadas

A cena captada pelo telescópio Hubble revela a complexa história de ejeções de NGC 6302. Antes de colapsar, a estrela evoluiu para uma gigantesca gigante vermelha, quando seu diâmetro ultrapassou em 1 mil vezes o tamanho do nosso Sol. Nesse ponto a estrela perdeu suas camadas externas, que foram ejetadas ao espaço. Parte desse gás foi lançado do equador estelar a aproximadamente 30 mil quilômetros por hora, criando o anel de poeira central. Em seguida, outros gases foram lançados perpendicularmente ao anel e produziram o padrão alongado das "asas da borboleta". Finalmente, um vento solar extremamente rápido forçou a esteira de partículas a se deslocar a mais de 2 milhões e quilômetros por hora pela estrutura das "asas", colaborando para modificar sua forma.

A borda da nebulosa é formada pela luz emitida pelo nitrogênio, o mais frio dos gases visíveis na imagem. A câmera que fez a cena é equipada com uma grande variedade de filtros que isolam a luz emitida pelos vários elementos químicos, permitindo aos astrônomos inferir as propriedades do gás nebular, sua temperatura, densidade e composição.

De acordo com os cientistas, a temperatura na superfície da estrela é de aproximadamente 220 mil graus Celsius, o que faz dela uma das mais quentes da Via-Láctea. De ponta a ponta, a nebulosa mede 2 anos-luz de comprimento, o equivalente a 18 trilhões de quilômetros.

Veja também:

 - Entenda como funcionam os telescópios


Foto: Nebulosa planetária NGC 6302, ou Nebulosa da Borboleta. A cena foi registrada em 27 de julho de 2009 pelo telescópio espacial Hubble. Crédito: Nasa.


Leia mais sobre: Hubble

    Leia tudo sobre: astronomiahubbletelescópio

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG