Conflitos na USP não afetam vontade de passar na Fuvest

Mesmo candidatos e pais contrários à greve de alunos torcem pelo sucesso no vestibular deste domingo

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

Exatamente 30 dias antes do vestibular para a Universidade de São Paulo (USP), em 27 de outubro, estudantes da instituição entraram em confronto com a Polícia Militar após a detenção de três usuários de maconha na Cidade Universitária. Desde então, o debate sobre a insegurança no campus e o comportamento de alunos e da reitoria são assunto na imprensa, redes sociais e rodas de conversa Brasil afora. Para vestibulandos inscritos na Fuvest, a imagem da USP não mudou nada: a instituição continua sendo a primeira opção.

A maior parte dos 147 mil candidatos acompanha as notícias com curiosidade, mas sem ligar os acontecimentos recentes à formação que a universidade proporciona. “A imagem que eu tenho é de uma faculdade séria, o conflito não vai interferir. Além disso, acho importante que os alunos expressem suas opiniões”, diz Ana Paula Ferreira Silva, de 19 anos, que tentará uma vaga em Relações Internacionais.

Os pais e familiares, em geral menos simpáticos aos estudantes grevistas, também mantêm a torcida para que os filhos vestibulandos ingressem na USP. “A gente lamenta o comportamento de determinados alunos, mas o conceito da instituição continua o mesmo”, diz Sonia Regina de Campos Soares, mãe de José Carlos Soares Júnior, que vem do Espírito Santo para São Paulo para prestar vestibular neste domingo por uma vaga em Engenharia Elétrica.

“Entrar na USP é um sonho”

Alguns dos vestibulandos tiveram oportunidade de assistir a manifestações de estudantes da USP pessoalmente. Três colegas de cursinho que passavam pela avenida Paulista na quinta-feira, quando mil alunos fizeram uma manifestação contra a Polícia Militar, pararam para ver. Cada um tirou uma conclusão diferente sobre o assunto, mas ninguém arreda o pé da corrida por uma vaga na universidade.

“Acho que precisa ter polícia sim e que esta reação toda deles é contra algo que eles mesmos começaram. Faculdade não é lugar de fumar, procura outro local”, opinou Rafael Callegari, 19 anos, candidato à Direito.

A colega Jacqueline, de 18 anos, que vai tentar uma vaga em Medicina ficou na dúvida. “Acho bacana a mobilização, mas não pelos motivos que começaram e não apoio várias coisas que fizeram. Sou contra a invasão, por exemplo. Mas entrar na USP é um sonho.”

Daniel Correia, também de 18 anos e candidato à Medicina, foi o mais propenso a engrossar o grupo contra a polícia. “Penso que universidade não é lugar de polícia, tem que ter uma guarda universitária treinada para isso”, disse, acrescentando que concorda com Jacqueline em um ponto: “A USP é um sonho.”

Cinthia Rodrigues/iG
Ponto de ônibus com panfletos na USP
Panfletagem durante o vestibular

Durante o vestibular deste domingo, alguns estudantes grevistas pretendem divulgar as causas do movimento aos candidatos da Fuvest. Na Cidade Universitária, há cartazes em todos os pontos de ônibus e muretas.

Protestos durante o processo seletivo da USP são comuns. No ano passado, os candidatos que prestaram a prova na Faculdade de Educação, por exemplo, também se depararam com cartazes contra a reitoria.


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